Ponto Vermelho
Misérias...
27 de Julho de 2013
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De volta à inauguração do Museu Benfica Cosme Damião, confirmou-se aquilo que alguns com conhecimento de causa apontavam como um dos melhores museus desportivos do Mundo. Com efeito, à medida que vão surgindo mais opiniões, mais convencidos ficamos que o Benfica conseguiu honrar a história que o tornou conhecido em todo o mundo e um símbolo e um ícone de Portugal. Enquanto a tradicional trupe de invejosos resolveu prudentemente optar pelo silêncio, ainda assim outros houve que não resistiram a bolsar ainda que subrepticiamente alguns bitaites relacionados com o facto de nos últimos anos a história (futebolística, é claro!) não ter sido generosa com os encarnados. Mas sobre essa faceta, só podiam estar a falar de um futebol profissional que está indelevelmente marcado pelo desfile de golpadas, actos de corrupção e pela anti-verdade desportiva.

A preservação desse status quo doentio em que sobressai um fanatismo pseudo-regionalista, não permite nem consegue distinguir uma obra da maior relevância que ultrapassa em muito o simples âmbito clubista e que vai perdurar no tempo situando-se num patamar que honra e dignifica o País. Numa altura em que temos, para mal dos nossos pecados, fundadas razões para estarmos cada vez acabrunhados, acontecer algo de relevante que enfatiza a enorme capacidade de realização dos portugueses deveria, por si só, provocar uma enorme manifestação de orgulho. Mas infelizmente tal não acontece, o que vem provar que a cegueira e o conformismo estão cada vez mais a tomar conta do dia a dia de uma boa parte dos portugueses. E quando aqueles que supostamente deveriam dar o exemplo se refugiam em atitudes e comportamentos pouco consonantes com os lugares que ocupam na sociedade, isso incentiva os outros cidadãos a enveredarem por actos da mais profunda insensatez e, pior do que isso, contribuem para que o País se afaste cada vez mais dos objectivos de se tornar progressivo e desenvolvido como é do seu mais elementar direito.

No fundo até não era difícil e muito menos complexo. Tratava-se de reconhecer uma tarefa e uma obra de dimensão nacional que ultrapassa em muito o desporto, o futebol e o Benfica, pois projecta-se como um símbolo de orgulho de todo um país que no passado, cansado de ser pequeno, demonstrou ao Mundo que poderia ser melhor e mais capaz do que os maiores. Pena é que nos tempos actuais estejamos reduzidos a uma infinita e prolongada mediocridade que tende a eternizar-se, pois não se vislumbra gente interessada e capaz de dar a volta ao texto. E sendo assim, ainda que o Museu ontem inaugurado representasse um marco na história do Benfica, da cidade de Lisboa e de Portugal, não nos causou qualquer tipo de surpresa que o primeiro Chefe de Estado a visitar e a pernoitar nas Ilhas Selvagens, certamente extenuado pela viagem e incomodado pelo incessante barulho das cagarras, tenha considerado a inauguração do Museu um acto deveras irrelevante.

Já o ministro que a cada dia que passa é menos primeiro, com a agenda sobrecarregada provavelmente com mais um processo de privatização do pouco que ainda é nacional, considerou que a cerimónia de abertura do Europeu de Muaythai na 4ª Feira no Pavilhão da Luz, era infinitamente mais importante do que um simples museu de um clube… Também não nos surpreende esta atitude, pois não é mais nem menos do que uma repetição do que aconteceu na final da Liga Europa onde primou pela mesmo gesto de desconsideração. Não que fosse considerado algo relevante a presença do cidadão Passos Coelho em Amesterdão. Mas o lugar que ocupa no quadro institucional do País deveria tê-lo feito reflectir de que seria de bom tom ter estado presente, até porque, mal ou bem, é norma dos Chefes de Estado e/ou de Governo assistirem às finais, como por exemplo acontece com a sua admirada chanceler… Assim vai definhando este pobre País cujos governantes ignoram pessoas e instituições que prestaram relevantes serviços à causa nacional. O ror de esquecimentos e de revanchismos que até incluem um Prémio Nobel (uma relevância do quotidiano português, logo banal...) é assustador! Se assim é com portugueses ilustres, que pode esperar a esmagadora maioria dos humildes cidadãos deste País?












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