Ponto Vermelho
Imprecisões e incertezas...
28 de Julho de 2013
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A série consecutiva de jogos que o Benfica tem vindo a disputar nesta pré-época tem levantado dúvidas e incertezas de vária ordem, com leituras diversas consoante as fontes ou os posicionamentos. Que pretende o treinador? Que sistema de jogo será implementado? Quem serão os intérpretes que estarão na pole-position para alguns lugares-chave? Haverá maior rotação esta temporada? Que jogadores o mercado levará? Esta integração acelerada de novos jogadores terá alguma coisa a ver com as jornadas iniciais do campeonato devido ao seu grau de dificuldade? Por ora e em relação à maior parte das questões continuamos sem resposta precisa. O seu a seu tempo…

Para quem aprecia balanços e estatísticas o saldo parece revelar tendência para a insuficiência em mais do que um sector. Desde logo a defesa que continua como acabou a época passada – a sofrer golos, nada mais nada menos do que 9 em 6 desafios (excluindo a Taça de Honra por motivos óbvios). A integração de novos jogadores e a chegada tardia de outros pode em parte justificar a natural falta de sincronização que se tem visto em vários desafios. Mas, por exemplo, algo parece estar a passar-se com o guarda-redes Artur que continua a dar a sensação de que continua, a exemplo de finais da época passada, a não se encontrar nas melhores condições. Em alguns lances revela abordagem deficiente, alguma lentidão, parecendo algo desconcentrado. Fica-se com a ideia de que também não terá melhorado o jogo com os pés. Uma situação que estamos certos merecerá a melhor atenção dos responsáveis da estrutura.

Como é evidente, isto tem justificado preocupações da parte dos adeptos. Porque é sabido que sem um guarda-redes e uma defesa eficazes aumenta o grau de dificuldade de conquistar os tão almejados títulos. Este problema não se circunscreve apenas à defesa porque essa questão é uma situação global da equipa ou, se quisermos, de alguns jogadores que pelas suas características têm dificuldade em defender nos moldes que o treinador pretende. O intenso esforço físico desenvolvido, por exemplo, pelos médios-ala e pelos laterais para corresponderem às exigências do modelo de jogo, tem levado alguns opinadores a concluir que essa é uma das razões que contribuem para que as equipas de JJ pareçam esgotadas no último troço da época quando a sequência de jogos e as dificuldades são mais intensas.

Se porventura essa conclusão pode de alguma forma ser admitida em épocas anteriores, a realidade é que foi desmentida na última época dado que a equipa foi ultrapassando sucessivamente ciclos de grau de dificuldade extrema sem dar a sensação mínima de quaisquer dificuldades de ordem física, mesmo a despeito de em algumas posições-chave estar carenciada de alternativas. Assim sendo, não nos parece que as críticas desse teor nesta altura da época sejam justificadas. Mas, não escamoteando a questão, a equipa precisa de ser mais pragmática e solidária na hora de defender, dado que como se sabe a marcação de um golo adversário ou a sensação de que o podem obter, faz crescer os índices psicológicos de todas as equipas que defrontam o Benfica. E se nenhuma foge à situação de sofrer golos, a verdade é que com a afinação necessária alguns poderão ser evitados.

Não estamos por isso e para já preocupados, porque entendemos que esses aspectos são passíveis de correcção. Para isso servem os jogos de pré-época. Até porque ao contrário do ano passado, o leque de opções alternativas foi alargado e até a questão dos laterais foi considerada (uhau!). E se tivermos observado, sempre que joga a equipa que teoricamente mais se aproximará da que iniciará o campeonato, podemos concluir sem sombra de dúvida, que vimos já períodos muito agradáveis contra adversários com algum grau de dificuldade. Mas logo que se entra na dança das substituições em catadupa perde-se a fluidez, a intensidade decresce e as falhas tendem a aumentar. O que também é natural.

Para além desses factores próprios deste período de transição, o que nos preocupa francamente, é o período que dista até 31 de Agosto ou até à 1.ª semana de Setembro. Porque estamos na eminência de ver jogadores vitais a serem transferidos sem que, a exemplo do ano passado, tenhamos possibilidades de os substituir em tempo útil. E isso pode vir a constituir um fortíssimo handicap, muito embora esta época tenha havido inversão de política pois foram adquiridos antecipadamente para cobrir eventuais défices. Já agora, por falarmos nisso, parece consensual que a eminente saída de Cardozo requer uma intervenção no mercado pois os jogadores que preenchem o lugar são manifestamente insuficientes. Isto para além de não possuirem as mesmas características.

Nota - Morreu Fernando Martins antigo presidente do Benfica durante três mandatos na década de 80 e que, entre outros importantes desempenhos, concluiu o fecho do antigo 3.º anel aumentando a capacidade do estádio para 120.000 lugares. Foi também responsável pela contratação de um dos mais considerados treinadores do Benfica – Sven Goran Eriksson. Mais um importante benfiquista que parte para sempre. Que descanse em paz!








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