Ponto Vermelho
Será que continua tudo na mesma?
29 de Julho de 2013
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Nolito no final da partida de ontem no Dragão em declarações à Imprensa: «Perdemos com o FC Porto com um golo em fora de jogo, e no final do jogo o Kelvin pontapeou-me várias vezes e nem amarelo viu. Pelos vistos as coisas aqui em Portugal continuam na mesma». Referência do diário A Bola de hoje: «FC Porto e Celta cultivam grande relação de proximidade e aparentemente tudo estaria bem entre os dois clubes. Mas as aparências enganam. Ontem um episódio manchou a amizade no eixo Porto-Galiza, depois de um autocarro que transportava adeptos do Celta ter sido apedrejado a cerca de 300 metros do estádio. O autocarro estava estacionado e vazio, mas o incidente ficou registado pela Polícia.»

Os desabafos do actual jogador do Celta de Vigo, Nolito, próprios de quem teve a oportunidade de ter vivido por dentro na temporada anterior o tipo de incidências ocorrido no Estádio do Dragão, levanta uma questão com toda a legitimidade: Será que se mantem tudo na mesma ou terá havido alguma evolução positiva? No pós Apito Dourado expostas publicamente as baixezas, as manigâncias e o modus operandi de vários intérpretes do Sistema, alguns certamente com a melhor das intenções têm afirmado de que houve um processo evolutivo para melhor. Lamentamos mas discordamos dessa assumpção. Burro velho não aprende línguas.

Do nosso ponto de vista o que houve foi apenas alteração dos métodos postos a nu, substituindo-os por outros mais sofisticados e de mais difícil detecção. Nalguns casos porque noutros mantem-se tudo na mesma. Os pequenos incidentes ontem registados na apresentação da equipa do FC Porto não diferem em nada daquilo que tem sido norma da casa. O que poderá surpreender os mais desatentos é apenas por o envolvido ser um clube amigo que, apesar de tudo deve ter ficado surpreendido com a calorosa recepção… Porquê? Porque sim!... Fica o aviso para outros clubes fora do círculo das amizades do reino do dragão…

Isso transporta-nos, inevitavelmente, para o actualmente muito agitado mundo da arbitragem onde prossegue a intensa luta sobre o poder no sector que dá indícios claros que pode começar o campeonato sobre brasas… aumentando exponencialmente a possibilidade de erros… Ouvimos, com muita frequência, falar em critérios de arbitragem. Normalmente para justificar decisões antagónicas para o mesmo tipo de lances. As complicações surgem quando os senhores juízes de campo resolvem alterar o critério em função das cores das camisolas das equipas, quando senão mesmo para uma equipa de uma parte para a outra… É que há uma teia de interesses complicada...

Quem tem presenciado os vários jogos de preparação que não valem pontos tem-se apercebido disso mesmo. Justificar-se-ão tantos critérios díspares? Como pode o adepto comum alguma vez perceber a chamada aplicação de critérios rigorosos numas partidas e decisões benevolentes noutras? Se não se pode exigir igualdade absoluta de apreciação em cada ser humano mesmo sendo árbitro, não será lícito e lógico questionar o porquê de tão grandes diferenças? Haverá alguma razão que justifique essa tão pronunciada dicotomia para além das óbvias especulações?

Comparemos duas duplas de lances ao acaso. Primeira sequência: Estádio Municipal de Portimão, Benfica-Peñarol. Aos 76m a bola surge dentro da baliza uruguaia rematada por Rodrigo. O golo é (bem) anulado por fora-de-jogo que só a repetição televisiva confirma com clareza. Por acaso o Benfica empatou; Estádio do Dragão, FC Porto-Celta de Vigo: Aos 13m Lucho González isola Jackson Martinez que no momento se encontrava em claro fora de jogo (sem necessidade de recorrer a repetições de TV) que caminha para a baliza e faz golo. O lance é (mal) validado pela equipa de arbitragem. Por acaso o FC Porto venceu com (mais) esse golo irregular.

Segunda sequência: Estádio do Algarve, Benfica-Nice. Aos 30m perante um jogador do Nice isolado e com Garay à ilharga, Artur tenta fazer-se ao lance mas parece tocar no avançado francês que se estatela dentro da área. Penalty assinado e expulsão do guarda-redes. Por acaso o Benfica conseguiu segurar o resultado durante os restantes 60m. Estádio do Dragão: FC Porto-Celta de Vigo. Aos 90m o jogador espanhol Nolito conduz a bola pela esquerda, Kelvin persegue-o e atinge-o por detrás a pontapé, não uma, não duas, não três, mas quatro vezes!!!, à vista de toda a gente. Cartão vermelho ou mesmo amarelo? Ficaram no bolso do árbitro… Ah, disse o progenitor de Kelvin que se tratou de uma jogada normal… Pinto da Costa não diria melhor… Tudo isto tenderá a acontecer uma e outra vez em quaisquer outros lugares, justificando-se e branqueando-se que foram critérios... Pois, e ainda acreditam que não está tudo na mesma?






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