Ponto Vermelho
“Virtudes” do Desporto Português
31 de Julho de 2013
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O Desporto em Portugal é, como se sabe, uma imensa escola de virtudes. A começar pelo Estado a quem cabe em primeira instância definir as grandes linhas programáticas para o Desporto e todas as componentes associadas, nomeadamente o indispensável apoio financeiro bem como a criação de infraestruturas que permitam a prática do desporto de forma mais macificada, potenciando e fazendo emergir os melhores valores para que devidamente acompanhados, possam no futuro atingir resultados condizentes com aquilo que deles se espera.

Não se trata de copiar o que dantes se fazia nos Países de Leste em que a macificação desportiva tinha como finalidade única a fabricação de campeões em laboratório e assim obter vitórias que serviam de propaganda aos respectivos regimes, mas antes propiciar condições para que cada vez mais jovens e menos jovens se dediquem à causa do desporto. As consequências afiguram-se-nos evidentes, pois a adopção desse caminho permitiria o aparecimento de novos talentos por um lado, enquanto que o fomento da prática do desporto ainda que sem interesses competitivos, impediria o Estado de dispender alguns milhões com a saúde dos cidadãos originados por doenças próprias de quem é quase obrigado a levar uma vida sedentarizada.

Nada ou quase nada disso se passa e não fossem as Federações, Associações e sobretudo os clubes a pugnar pelo desenvolvimento do desporto e ainda estaríamos a atravessar um maior marasmo. Porque o desporto escolar extinto há um ror de anos por razões de mera imbecilidade política não foi reactivado, os apoios são pouco mais do que insignificantes, e as políticas são por norma restrictivas quando não mesmo castradoras. Para além de que adquirir material desportivo, frequentar estádios ou pavilhões ou praticar desporto constitui um autêntico luxo bem ilustrado pela generosa taxa de IVA que é preciso pagar e que desincentiva sobremaneira qualquer cidadão.

Ouve-se com frequência os responsáveis políticos justificarem a política do dolce far niente com a crise de conjuntura. Como cantavam Dalida e Alan Delon são apenas e só “…Paroles…Paroles…” levadas pelo vento da incompetência e da tradicional falta de vontade política. Se de facto não nadamos em dinheiro e é necessário introduzir restrições derivadas do aperto orçamental para cumprir o que se sabe que é praticamente impossível com este tipo de opções, como justificar por exemplo, as apressadas remodelações de gabinetes onde nunca existem restrições orçamentais? E antes desta crise, quais foram as justificações para não se ter feito?

Para além de tudo isto sucedem a cada passo, factos interessantes que nos deixariam a todos siderados não se fosse dar o caso de estarmos em Portugal e, como tal, a imprevisibilidade ser um factor sempre presente. Quando surgem atletas que através do mérito, do esforço e da perseverança próprios bem como das estruturas que os acompanham sobressaem neste panorama do quase salve-se quem puder, há logo tentativas de limitar a sua ascensão pelas mais diversas razões em que por vezes até prevalece a doença clubista. Faz parte da mentalidade arcaica que muitos ainda perfilham do nivelar por baixo.

Actualmente temos vários casos em ebulição do qual o mais mediático tem sido o do canoista Fernando Pimenta pertencente ao Clube Naútico de Ponte de Lima que, como se sabe, foi Medalha de Prata nos Jogos Olímpicos de Londres em K2 fazendo dupla com Emanuel Silva. O conflito latente com a Federação da modalidade tem a ver com o facto de há já algum tempo Pimenta pretender dedicar-se ao K1 por entender que é aí que pode expressar todas as suas potencialidades, e a entidade federativa pretender que continue em K2 e em K4. Como o atleta terá recusado, foi afastado do Campeonato Mundial que se disputa já em Setembro no Canadá.

Episódios deste tipo, não estando livres de acontecer, não deixam de ser preocupantes. Não vamos discutir se é Pimenta que está a esticar a corda ou se é a Federação que está a ser prepotente. É provável que a razão esteja nos dois lados. Nesse sentido seria necessário que houvesse um esforço de aproximação das partes pois o que está em causa é muito mais do que uma simples birra: – é o desporto nacional e a imagem do País! A novela já tem demasiados episódios para que a Tutela não devesse já ter intervido, tentando promover a harmonização e encontrar uma solução de compromisso entre as partes desavindas. E, caso, tal não fosse possível, teria toda a legitimidade para impor a solução. Mas parece que a canoagem continua com mais problemas, pois a canoista do Benfica, Joana Vasconcelos, enveredou por fazer um estágio a expensas próprias. Afinal o que se passa no reino da Canoagem? Estão já cansados de começar a ter êxitos?






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