Ponto Vermelho
Mais preocupações
1 de Agosto de 2013
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Por mais que todos nós preferíssemos não falar de árbitros e de arbitragens, infelizmente é sempre um tema recorrente e um chamariz de todas as épocas. E tudo porque é um sector apetecível para todos, travando-se uma luta titânica entre aqueles que sempre tiveram forte influência e que tentam por todos os meios preservar esse domínio, e os que não a tendo gostariam de ter. No meio de tudo isto anda uma classe que tarda em sair do conservadorismo que sempre a acompanhou e como em todos os sectores da sociedade quem se lixa é o mexilhão, leia-se os menos influentes. Em qualquer dos casos a verdade desportiva corre sempre o risco de ser afectada.

A última época poder-se-á dizer que não atingiu o despautério de temporadas anteriores em que as arbitragens tivera uma nítida influência na atribuição do título. Para além dos erros ditos normais e das queixas de treinadores e dirigentes em normais circunstâncias de perdas de pontos, os que terão causado maior falatório foram os registados no Benfica-SC Braga, Académica-Benfica, Benfica-Sporting e Paços de Ferreira-FC Porto. Outros houve com erros significativos mas que não atingiram a dimensão daqueles. Assim sendo e no que ao Benfica diz respeito, ao contrário do que costuma acontecer, desta vez os erros que o costumam ciclicamente prejudicar foram mais diluídos. Não foi por aí que os encarnados perderam o campeonato

Depois de um dos seus elementos do núcleo duro se ter distinguido no panorama internacional, esperava-se alguma galvanização e progresso no sector, por mais ténue que fosse no capítulo da profissionalização, um objectivo que tem vindo a ser perseguido pela classe e particularmente pelos seus elementos mais destacados. Um dos mais fortes argumentos evocados é que a profissionalização dará azo a uma grande evolução no sector e permitirá aos árbitros ter condições para errar cada vez menos. Não cremos que resolva, porque se é verdade que o profissionalismo contribuirá eventualmente para uma maior estabilização de cada árbitro, o erro humano continuará sempre a acontecer nos tais critérios que têm pouco de uniforme. E as novas tecnologias nem pensar porque a UEFA de Platini é uma feroz adversária da sua utilização. E como tem o poder…

Antes do mais seria preciso que houvesse uma acalmia num sector demasiado vulnerável em que está a acontecer justamente o contrário. O pretexto terão sido as anomalias registas nas classificações mas a realidade prende-se com a luta interna pelo poder onde o Presidente tem sido contestado desde a primeira hora. Inicialmente de forma surda mas com tendência crescente e nos últimos tempos de forma aberta. Eleito à tangente através do método de Hondt, a consequência imediata foi a de que a liderança ficou desde logo fragilizada e nunca esteve estável nem coerente, reflectindo-se sobretudo naqueles momentos de decisões mais complexas.

A Direcção da Federação deu nota recente de um estudo encomendado a uma das Consultoras de referência sobre a profissionalização da arbitragem. Os dados divulgados reflectem um estudo minucioso e alargado e que iria de encontro às pretensões dos árbitros. Depara-se contudo um problema muito importante: é que a ser dado esse passo tal obrigaria ao dispêndio de verbas significativas que a FPF neste momento não dispõe. Resta aguardar que a Selecção Nacional cumpra o seu papel de se apurar para o Campeonato do Mundo do Brasil para que esse sonho possa vir a ser realizado num futuro próximo. Confiamos que isso aconteça.

Mas este compasso de espera motivado pela conjuntura não pode servir de desculpa para que os árbitros não venham a ter um desempenho eficaz e coerente na época prestes a começar. Para já na pré-época alguns parecem nitidamente enferrujados mas, tal como as equipas que aproveitam para irem rectificando erros, esperamos que os árbitros também melhorem nos seus, quer no campo técnico quer no disciplinar para que quando a época começar a sério não assistamos de novo a critérios díspares de árbitro para árbitro que vão desde a demasiada permissividade ou rigidez, à dualidade no julgamento de determinados lances que culminam com confusão e frequentes reclamações que acabam por elevar a temperatura e criar instabilidade.

É igualmente importante que seja adoptado um único critério na apreciação de um lance que tem continuado a gerar polémica época após época dado que a sua aplicação fica ao critério de cada um. Referimo-nos concretamente ao lance da bola no braço ou braço na bola. É altura do Conselho de Arbitragem assumir a sua parte e em conjunto com o leque de árbitros designados conseguirem estabelecer uma ponte de entendimento, por forma a que os adeptos e demais estruturas envolvidas não passem todo o campeonato a clamar contra esse tipo de lances quando a sua equipa é prejudicada. Pensamos que não será assim tão difícil estabelecer um critério uniforme.






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