Ponto Vermelho
Ainda Óscar Cardozo...
3 de Agosto de 2013
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Como é do domínio público, existem em cada um dos três grandes casos de complicada resolução, o que começa a ser cada vez mais corriqueiro nos tempos que atravessamos em que os interesses se sobrepõem e o famoso fair play da treta que Michel Platini quer impor começa a estar cada vez mais presente nos mais variados casos. Como se tem podido observar as situações são similares mas quem lê alguns opinadores fica com a sensação que são completamente diferentes. Só se for nos clubes e nos nomes dos jogadores uma vez que os contornos são-no obrigatoriamente. Deve ser das estruturas em que algumas são mais autoritárias do que as outras…

Ao que reporta o diário desportivo A Bola de hoje, as negociações do Benfica com o Fenerbahçe acerca da transferência de Óscar Cardozo terão sido abortadas por iniciativa do Benfica que estará disposto a considerar propostas de outros eventuais interessados. Como dá nota o diário Record, Cardozo que estará impedido de treinar-se com o plantel estará a tentar manter a forma física num ginásio suburbano conjuntamente com outros atletas anónimos e com um pormenor assaz importante: a envergar uma T-shirt da Nike quando o Benfica é patrocinado pela Adidas… Decerto que virá aí outro processo disciplinar…

Enquanto que alguns continuam a evocar a posição dogmática de Jorge Jesus relativamente à questão para justificar o actual impasse, outros sublinham o facto de o assunto se estar a arrastar demasiado. Estamos de acordo com estes últimos nesse particular, mas se a decisão final fosse fácil... já estaria resolvido. Como sabemos não o é. Do nosso ponto de vista por mais razão objectiva que tivesse, por maior que fosse a sua frustação no momento, nada, absolutamente nada, justificava a atitude e o comportamento públicos de Óscar Cardozo no anfiteatro do Jamor.

Nem com o treinador que bastas vezes o defendeu publicamente da ira dos adeptos insatisfeitos, e muito menos com um colega de equipa que actuou apenas e só porque assim o determinou o treinador. Se porventura estava convicto de que lhe assistia razão de, por exemplo, Melgarejo ter sido preterido, deveria ter aguardado a chegada ao balneário e dizer de sua justiça a Jorge Jesus. É assim que as coisas se processam para mais em alta competição. Mas pelos vistos fez uma jogada de antecipação como também já temos visto fazer para os lados das Antas onde, como alguns gostam sempre de enfatizar, existe inquestionável autoridade…

Na mesma linha de raciocínio, diríamos que o que aconteceu (aparte ter sido explorado até à exaustão), não poderia ter sido tolerado apenas e só porque Óscar Cardozo é o melhor marcador estrangeiro da história do Benfica. Ninguém, de facto, se pode esquecer do importante papel que o avançado paraguaio representou ao longo das 6 épocas que leva de Benfica e isso tem que ser reconhecido e respeitado, apesar de nunca ter sido consensual. Mas a realidade é que o que conta são os golos que marcou e os jogos que ajudou a resolver. Se o n.º 7 encarnado tivesse as características que sempre reclamaram alguns adeptos, dificilmente Cardozo teria durado tanto tempo no Benfica… A despeito do esforço efusivo do seu agente que tudo fez para que isso não tivesse acontecido. Por mais do que uma vez…

Tenta justificar-se este imbróglio com o facto do treinador encarnado se manifestar intolerante e não estar disposto a perdoar. E que o destino de Cardozo terá ficado traçado a partir do momento em que LF Vieira (contra a opinião da restante Administração como gostam de sublinhar!) se decidiu pela continuidade de Jorge Jesus. Não vemos isso assim. Porque mesmo admitindo que a opção tivesse sido outra a questão colocar-se-ia nos mesmo moldes, dado que Cardozo ao proceder como procedeu, não faltou apenas ao respeito ao seu treinador e a um colega, mas essencialmente ao próprio clube e isso é intolerável a quem quer que seja, mesmo até à mais alta instância encarnada.

É uma questão de princípio ou se quiserem de autoridade e de respeito pelos outros. Defender-se como alguns defendem que Cardozo deveria ser perdoado com o argumento de que fez muito pelo Benfica, deveriam interrogar-se sobre o que o Benfica fez por ele. Quem era e o que representava Cardozo antes de ingressar nos encarnados? Foi, sem dúvida, uma permuta vantajosa para as duas partes que se quebrou uniteralmente por parte do jogador, certamente embuído do desejo legítimo de conseguir o contrato da sua vida. Tudo isso é compreensível, menos a forma a que recorreu. Não sabemos o epílogo deste caso e não excluímos nenhuma hipótese, mas se porventura acabasse por ser perdoado e viesse a continuar, como ficaria o balneário? Que exemplo daria a gestão? Que impediria qualquer outro jogador de assumir comportamento idêntico no futuro para conseguir os mesmos objetivos?






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