Ponto Vermelho
Aqui Del-Rey
4 de Agosto de 2013
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O resultado de ontem contra o S. Paulo, não há que escondê-lo, foi de facto frustrante. Porque resultou essencialmente de uma exibição pálida e desgarrada na segunda-parte do encontro e porque se voltaram a registar erros que fazem parte do cardápio benfiquista de todas as últimas épocas. E isso dá que pensar porque seria lícito aguardar uma evolução nos processos, na mecanização e na integração dos novos elementos, e o que se viu foi exactamente um retrocesso na etapa complementar em relação a outros jogos da pré-época em que se verificou, sem dúvida, uma dinâmica mais conseguida. Equipa que não transite estabilidade de época para época tenderá sempre a ser instável.

É um facto de que na 1ª parte a equipa revelou dinâmica ainda que a um ritmo lentíssimo e que facilitou em muito a tarefa dos brasileiros que concentrando-se na zona central defensiva (como aliás a maior parte das equipas) foram anulando as tentativas de ataque do Benfica que se perdeu em sucessivas trocas de bola improfíquas. É certo que ainda no amanhecer do encontro, Lima poderia ter aberto o activo e simplificado a tarefa. Mas também é verdade que os sucessivos ataques foram sendo paulatinamente desbaratados, umas vezes por mérito da defensiva paulista mas na maior parte das situações por inoperância atacante na hora de rematar à baliza em que os jogadores encarnados pareciam ter um pacto em que os remates só poderiam acontecer dentro da pequena área. E quando assim é sempre muito difícil marcar golos.

O que não deixou de revelar algum ineditismo tendo em conta que a equipa encarnada marcou em quase todos os encontros da época passada e nesta pré-época ainda não tinha ficado em branco. Mas quem viu o jogo e a cerimónia na altura de rematar à baliza, não deixaria de concluir que no jogo de ontem dificilmente a equipa do Benfica chegaria ao golo. Foi então que emergiu o fantasma de Óscar Cardozo que não tinha sido recordado nos jogos anteriores da pré-época. Sabendo-se como funcionam algumas mentalidades, foi sem surpresa que observámos alguns dos seus detractores que o assobiaram ao longo das últimas 6 épocas, a clamar pela sua presença…

Sem pretendermos estabelecer algum paralelismo que não faria qualquer sentido, quando em Junho de 1975 Eusébio o homenageado de ontem, envergou a camisola do Benfica pela derradeira vez, muitos se interrogaram sobre o que iria ser do Benfica sem o seu abono de família. O saudosismo não resolve problemas e os encarnados foram obrigados a seguir em frente. Tal como agora. É da mais inteira justiça que se reconheça a importância e a influência que determinados jogadores tiveram na equipa, mas o Mundo move-se sem cessar e há que estar preparados para enfrentar novas tarefas e outros desafios. Cardozo foi de facto importante mas pelos factos conhecidos, em nossa opinião, encerrou o seu ciclo de águia ao peito.

Sem prejuízo do Benfica vir a procurar no mercado outro jogador para a posição de ponta de lança, é ainda cedo para que algumas velhas carpideiras antecipem a sua função deprimente. Como se sabe, o que está em equação e o que se pretende atingir é o treinador dos encarnados e noutro patamar o presidente, pelo que as tentativas de marcar a agenda por parte de alguns plumitivos com ecos na minoria imberbe e ruidosa são o pão nosso de cada dia, e resultados como o que ontem se verificou são combustível para uma fogueira que continua a arder em lume brando…

Isso não impede, contudo, que não devamos exercer o nosso direito à crítica. Se rejubilamos e enaltecemos as vitórias, também devemos criticar construtivamente na hora das derrotas, sobretudo se a elas estiverem associados os mesmos erros crónicos e exibições cinzentas que não se coadunam com aquilo que a equipa é capaz de produzir e os adeptos justificam e merecem. O que nos recusamos a fazer é enveredar por perseguições pessoais para justificar todos os erros, mesmo que estejamos a falar de pessoas que podem não nos despertar grande entusiasmo. Porque se o fizéssemos, estaríamos a contribuir para a desestabilização e a favorecer os nossos adversários. E isso recusamo-nos a fazê-lo porque o clube deve ser preservado e estar sempre acima de quaisquer questiúnculas pessoais.

Demos pois tempo ao tempo mantendo a vigilância e o espírito crítico. Não estejamos já a hipotecar a época antes de ela se iniciar, nem alimentemos novelas que poderão agradar a muitos mas não servirão, seguramente, os interesses da equipa e do clube. Porque como é bom de observar por aí todos os dias, há quem não desista de querer dar conselhos grátis e estabelecer timings de actuação, oferecendo soluções para todos os gostos e paladares. E até há quem, com a promoção fresca, o queira justificar…






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