Ponto Vermelho
Muitas dúvidas...
6 de Agosto de 2013
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AAs transmissões televisivas de todos os jogos da pré-época do Benfica têm contribuído para acentuar o estado depressivo trazido do final da temporada passada de boa parte de adeptos e simpatizantes benfiquistas, habilmente explorado pela imprensa que aproveita para fazer o seu papel. E à medida que cresce a expectativa da Direcção da SAD relativamente a negócios quando já estamos a começar a entrar em contagem decrescente, aumenta igualmente o frenesim dos adeptos para saber quem são os jogadores que vão sair e qual será a equipa final. No fim da linha está um Jesus expectante que apreciaria muito saber, em termos definitivos, com quem vai contar para enfrentar um princípio de campeonato particularmente difícil.

O treinador do Benfica não ignora as dificuldades que terá pela frente, sabendo de antemão que não existe qualquer estado de graça mas potencialmente de contestação. E a única forma plausível de enfrentar essa conjuntura difícil é ganhar e convencer exibicionalmente a despeito de ser pré-época, com novas experiências, integração de novos jogadores, e no fio da navalha viver na incerteza de estar a afinar a equipa com jogadores que a qualquer momento poderão ser transferidos. E o dia 18 de Agosto já está no horizonte contra um adversário e num estádio que, segundo alguns experts, terá sido onde o Benfica começou a hipotecar as suas hipóteses no campeonato ao comemorar antecipadamente uma conquista que voltou de novo a fugir na recta final.

O facto dos jogos de preparação poderem ser todos observados e com eles, ao contrário do que aconteceu em pré-épocas anteriores não terem sucedido exibições animadoras, veio agravar a pré-disposição de parte da massa associativa com tendência para o pessimismo, situação que ainda mais se acentuou com a permeabilidade defensiva demonstrada em todas as partidas disputadas que foi sendo desvalorizada pela produção atacante que foi disfarçando essa debilidade. No primeiro jogo em que tal não sucedeu o Benfica foi derrotado deixando os adeptos cada vez mais apreensivos.

As massas são mesmo assim: enquanto nos 7 jogos anteriores os encarnados foram sempre marcando ninguém se lembrou de Cardozo, mas mal a equipa ficou em branco e perdeu, de repente muitos acharam que o ponta-de-lança paraguaio era pouco menos do que indispensável. Sem querer apoucar minimamente aquilo que Cardozo representou para o Benfica durante as seis temporadas de águia ao peito, teremos que afirmar sem hesitações que consideramos uma tremenda falta de respeito no jogo com o S. Paulo, o nome do paraguaio ter sido evocado por uma parte de adeptos sempre que os jogadores hesitavam ou falhavam um remate sobretudo Lima, por considerarmos que os jogadores precisam de ser incentivados e não apoucados. Como, aliás, fizeram até à exaustão com o próprio Cardozo. Se bem se lembram…

Percebemos quem queriam atingir, mas não será certamente esse o melhor método a seguir. Também se enxerga que existem alguns que gostam de cultivar a política do quanto pior melhor e que sempre que os encarnados não conseguem atingir os seus fins consideram positivo porque é sinónimo que têm razão, mesmo que isso favoreça deliberadamente os adversários do Benfica que juram a pés juntos combater. São estranhas e insondáveis maneiras de exprimir o apoio à equipa e ao Benfica que assim terá cada vez mais e maiores dificuldades em cumprir os desígnios estabelecidos para cada época.

Não temos a menor dúvida que cada um dos adeptos que pensa pela sua cabeça e que não faz parte da malta que permanece submissa na bancada como diria um ilustre cronista para quem Jorge Jesus é o culpado de todos os males que assolam o Benfica numa opinião coerente que vem mantendo, não se revê em situações que à partida e mesmo observadas do outro lado da barricada, não parecem as mais ajustadas aos objectivos do Benfica. Quem vê futebol sob o prisma de adepto encarnado, por mais optimista que seja, não pode deixar de registar lacunas que serão quiçá preocupantes por serem recorrentes e transitadas de outras épocas.

Natural portanto, que mantendo-se a mesma estrutura técnica, se interroguem sobre se a evolução tenderá ou não a ser positiva e se não se repetirão os erros e as insuficiências do passado recente que trouxeram os resultados do nosso descontentamento. Essa é sem dúvida uma questão pertinente e que preocupa. Agora com o que não concordamos de todo é com a forma com que alguns adeptos se estão a exprimir ab initio numa lógica derrotista e de terra queimada, quando ainda nem sequer a equipa tem forma definitiva e a época oficial se iniciou. Essa, repetimos, não se nos afigura a melhor forma de encarar o objectivo que dizem pretender de ver o Benfica conseguir os títulos que tem falhado. Não seria mais curial esperar para ver, ou a ideia do mais do mesmo já está irreversivelmente enraízada?






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