Ponto Vermelho
Sem sumo...
8 de Agosto de 2013
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A entrevista de Óscar Cardozo à Benfica TV, face a todo o arrastamento de uma situação da qual o seu empresário Aldave, o Fenerbahçe e até o próprio jogador com declarações que lhe foram atribuídas foram dando interessantes pormenores à opinião pública, não prometia por via disso grandes revelações ou surpresas. Logo, qualquer que fosse o teor das suas declarações, a situação tenderia a dar origem a críticas, a despeito de ter sido conduzida por um jornalista experiente como Hélder Conduto e lhe terem sido feitas as perguntas indispensáveis para se poder avaliar um processo sobre o qual já praticamente todos tínhamos formado opinião.

Foi porque estava constrangido, porque estava nas bancadas da Luz e não no ginásio em Sesimbra, porque envergava uma camisola branca, porque tinha sido uma entrevista encomendada, porque as suas desculpas não soaram a sinceras e, até, houve quem a considerasse uma reedição de um programa que em tempos fez furor num canal televisivo – o Perdoa-me! Todos sabemos de sobejo, que se os portugueses tivessem imaginação para escolher políticos competentes que governassem e desenvolvessem o País com a normalidade que se impunha como têm para satirizar qualquer facto público relevante, certamente estaríamos na vanguarda da Europa…

Avaliando a entrevista numa perspectiva racional, diríamos que nada de novo trouxe de importante para uma questão que deveria ter tido outro tipo de evolução e que pelo rumo que acabou por seguir não foi benéfico para nenhuma das partes – nem à imagem do Benfica, nem ao plantel, nem ao próprio jogador, nem ainda aos adeptos sempre divididos em relação ao jogador durante as 6 épocas que leva de clube. Após o incidente no Jamor que do nosso ponto de vista manchou irremediavelmente a sua imagem perante o clube no seu todo, Cardozo mal tivesse esfriado a cabeça, deveria de motu próprio ter tido a iniciativa de publicamente apresentar desculpas à estrutura e aos benfiquistas do seu acto irreflectido e que correu Mundo.

Seguiram-se as férias e como sabemos, perante a proporção que o caso atingiu, o que a imprensa noticiou foi apenas um breve recado do seu infatigável empresário de que se encontrava arrependido da acção empreendida, sendo que a partir daí a convicção generalizada foi a de que no Jamor exprimiu de novo a vontade de fechar o ciclo e demandar a outras paragens onde pudesse rubricar um contrato apelativo. Nada que não tivesse já acontecido em anteriores temporadas por mais do que uma ocasião, ainda que sem os contornos e a gravidade do acto perpetrado no jogo final da última temporada.

Foi por consequência uma iniciativa demasiado tardia, lógica e apenas forçada pelas circunstâncias. Nada de surpreendente portanto. Isso não exclui todavia, que o assunto com foros de gravidade em face das implicações que isso teria na equipa, se tenha prolongado no tempo sem solução à vista depois de vários avanços e recuos de uma eminente transferência que acabou por não se concretizar. Pelo menos e para já, o clube que mais terá insistido na sua aquisição já terá encontrado solução para a não concretização do negócio. A batata-quente voltou a estar todinha nas mãos do Presidente encarnado que terá que encontrar solução para este berbicacho não de todo inesperado.

Como se tem observado ao longo das épocas anteriores, seria suposto que numa posição tão específica como a que Cardozo ocupa e com os golos que tem marcado, tivesse um amplo leque de pretendentes. Mas, a despeito da boa vontade do seu empresário, existe de facto mercado mas não tão acentuado como seria expectável para um goleador como o paraguaio. Talvez isso justifique de algum modo a razão porque tem permanecido no Benfica, muito embora há 2 épocas atrás tenha surgido em concreto uma proposta da Rússia de 25 milhões que nos tempos que correm seria de facto aliciante…

Os dados estão lançados e agora de nada adianta enveredar pelas teorias sobre aquilo que poderia ter sido e não foi. É aguardar pelos últimos dias do mercado para aquilatar das reais possibilidades dado que, admitindo como verdadeiras as declarações que lhe foram atribuídas em que referiu que já não tinha a cabeça no Benfica, conjugadas com o facto da Direcção encarnada face a tudo o que se passou não poder pactuar, por uma questão de princípio e de autoridade, com actos graves de indisciplina agravados por terem acontecido à vista de toda a gente, mais não resta do que dar provimento aos desejos e intenções várias vezes manifestadas. Isto apesar de vários nomes, alguns com peso dentro do clube, já terem subscrito o manifesto do Fica Cardozo. A acompanhar com atenção!






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