Ponto Vermelho
Tempos agitados
10 de Agosto de 2013
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Concluída a pré-temporada é já hoje que é dado o pontapé de saída na nova época com a realização da Supertaça Cândido de Oliveira na qual o Benfica não está mais uma vez presente, apesar de no seu eclectismo constar o Golfe. Tempo de experiências, de acertos e de afinações, a pré-época limitou-se a prolongar o estado desconfiado de muitos adeptos benfiquistas que viram nela um sintoma claro do que os espera quando os jogos começarem a sério. O que acontece já no próximo fim de semana.

Mas terá sido esta sequência de jogos assim tão negativa que não permita acalentar esperanças numa boa época? A predisposição com que se encara qualquer facto ou situação é determinante. E partindo desde logo os adeptos benfiquistas com expectativas tão baixas, fácil seria de concluir que só uma pré-época excepcional faria com que alguns mudassem de opinião, já que os outros evocariam de pronto os resultados e as promessas anteriores para tentarem justificar que a despeito disso de nada valeram no cômputo final das respectivas épocas.

Em rigor estes jogos de preparação estiveram muito longe de nos deixarem descansados, porquanto o binónimo exibições/resultados ficou aquém do que seria lícito esperar, embora aqui e ali se tenha observado bons momentos de futebol. Contudo, alguns factos novos sobressaíram e com eles o aumento das preocupações da equipa técnica, da estrutura directiva e obviamente dos adeptos, mau grado a constante desinformação dos experts que enxameiam todo e qualquer órgão de informação que se preze. Está na moda. Até temos Coaches de treinadores (o que é salutar), restando apenas saber quem orienta e prepara os ditos.

Emergiu o problema defensivo tendo a equipa sofrido golos em todas as partidas. Sendo que alguns resultaram do indiscutível mérito alheio, a verdade é que a maior parte resultou de falhas defensivas que acabaram por permitir a conclusão vitoriosa dos adversários. Mas não só. Também o guarda-redes Artur que tantas vezes tem sido o esteio, continua a parecer-nos algo afectado psicologicamente o que necessariamente tem de se reflectir nos companheiros do sector. É, do nosso ponto de vista, um assunto a rever rapidamente.

Também as laterais denotam velhos problemas. Tem havido a preocupação de contratar laterais em vez de defesas-esquerdos tendo em conta o tipo de futebol que o treinador tem pretendido incutir na equipa. Assim, os jogadores que ocupam as faixas teriam que ser muito dotados porquanto é-lhes exigido que ataquem e defendam ao longo de todos os jogos, em acções desgastantes que acabam por se reflectir no equilíbrio defensivo da equipa se porventura não houverem as necessárias compensações. E o que acontece, em nossa opinião, é que alguns jogadores que deveriam desempenhar essa função não têm nenhuma propensão para o fazer. Daí os desequilíbrios.

Seria, como é óbvio, injusto penalizar apenas a defesa pela permeabilidade verificada. Estamos a falar de uma equipa de futebol em que o princípio da solidariedade deve e tem que funcionar. E por exemplo em lances de bola parada quando resulta em golo adversário a falha é colectiva, a despeito de neste ou naquele lance haver erros individuais que acontecem em todos os jogos e com todos os jogadores e equipas. E nos dois últimos jogos, o 2.º golo adversário resultou mesmo de falhas individuais que só não acontecem a quem está sentado na bancada ou no sofá. O que importa é corrigi-las para que não voltem a acontecer no futuro.

De repente o ataque voltou a ser questionado, associando-se a ausência de Cardozo como explicação para a ineficácia. Parece-nos exagero. Aliás, é preciso ter em atenção que se nos jogos da pré-época (Taça de Honra à parte) o Benfica sofreu 14 golos (média de 1,5), a realidade é que marcou 22 (média de 2,4), sendo que apenas não marcou ante o São Paulo. É um facto que nesse desafio e perante o Nápoles a equipa demonstrou dificuldades de concretização mas, sobretudo neste último jogo, o caudal atacante foi insuficiente para que o avançado mais adiantado podesse marcar. É também indiscutível que um ponta-de-lança com características diferentes das existentes no plantel e concretizador seria o ideal para que a equipa potenciasse todo o seu jogo atacante.

Vem aí o 1.º jogo oficial por sinal difícil e é inegável que existe preocupação nas hostes encarnadas, porque não poderão ser repetidos os erros que vimos até aqui sob pena do futuro começar logo a ser hipotecado. Acabaram-se (por ora) as experiências e espera-se outro tipo de resposta da equipa. Porque importa começar bem para que a moral seja reforçada, para que não sejam desde logo esbanjados pontos, e para que seja quebrada a malapata do Benfica não vencer na 1.ª jornada o que acontece há 8 épocas consecutivas. Mantemos por isso a nossa dose q.b. de optimismo, embora reconheçamos as dificuldades que irão sem dúvida surgir.




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