Ponto Vermelho
Repetições
11 de Agosto de 2013
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Nenhuma dúvida que esta terá sido porventura a pré-temporada dos últimos anos com tão baixas expectativas em grande parte dos adeptos e simpatizantes encarnados. Que se foram reforçando ao longo dos jogos de preparação e onde em nenhum deles ressaltou a ideia de que o Benfica iria ter uma época altamente promissora e competitiva. No Futebol, contudo, com a possibilidade de se desfazerem ideias pré-concebidas mesmo após um simples jogo, deveria existir mais ponderação e prudência na análise, justamente devido aquela vertente aleatória. Mas tal não acontece e é com isso que teremos que lidar, porquanto os vários cronistas e fazedores de opinião tendem a explorar as aparentes debilidades do momento.

A esperada vitória do FC Porto na Supertaça de Cristal sobre um Vitória de Guimarães em plena fase de reconstrução depois da sangria a que esteve sujeito pós-Jamor, parece ter entusiasmado a populaça opinadora que já prevê que os portistas venham a ter um simples passeio nas provas internas permitindo assim concentrarem-se na Europa dos ricos. Um regresso às origens de décadas anteriores, que apenas sofreu um ligeiro interregno em 2009/10 e nas duas últimas temporadas em que o Benfica reduziu a diferença competitiva e pontual para os azuis e brancos e que levou inclusivamente Jorge Jesus a pronunciar-se sobre um tema posteriormente tão glosado – o aproximar da quebra da hegemonia.

A conjugação imediatista dos factos – fragilidade e incerteza encarnadas e solidez e exuberância portistas –, levou à rápida e óbvia conclusão de que essa irá ser a tendência da época, com os azuis e brancos a coleccionaram triunfos fáceis e sistemáticos, e os benfiquistas a debaterem-se para sobreviverem num mar agitado de vagas alterosas e conseguirem sobrepôr-se à concorrência mais próxima que antes não representava qualquer ameaça. E fazer entranhar esta lógica derrotista na mente predisposta de muitos adeptos benfiquistas que dão indícios de terem sido assombrados por crónico pessimismo é, afinal, uma tarefa muito mais simples do que à primeira vista poderia parecer.

A estrutura benfiquista no seu conjunto, não tem, todavia, feito tudo o que está ao seu alcance para contrariar esta tendência assumidamente pessimista e onde até acasos e coincidências são entendidos como certezas absolutas. Para a opinião pública têm ressaltado vários casos, alguns deles até por omissão, que têm alimentado a dose especulativa habitual dos media e das tertúlias e dos blogues benfiquistas em que com todo o género de infiltrados tem sido um fartar vilanagem a debitar opiniões sobre alguns pretensos indícios que derivam da sua fértil imaginação, falando daquilo que julgam saber e, sobretudo, daquilo que não sabem.

Afigura-se-nos com clareza um erro de comunicação deixar que alguns pormenores internos sejam escritos e falados sem contraditório. É evidente que não faria sentido estar a comentar a todo o momento atoardas. Mas a soma desses pequenos pormenores acabam por compor um ramalhete que leva a opinião pública e por maioria de razão uma parte de adeptos benfiquistas a convencerem-se de hesitações e de desorganização que perpassam pela estrutura encarnada. E nem sequer estamos a especular pois isso faz parte do quotidiano da imprensa e do vasto campo das redes sociais cada vez com maior peso na opinião formativa dos adeptos em particular os mais jovens.

Apenas um exemplo de entre vários – Lorenzo Melgarejo. As notícias apontaram para a sua dispensa especulando sobre estar indirectamente relacionado com o Caso Cardozo e o empresário ser o mesmo. De dispensável, (foi pública a tentativa de empréstimo ao Liverpool com opção de compra) passou a ser importante para o plantel gorando-se nova negociação com qualquer outro clube. Na ausência de notícias oficiais da estrutura, a conclusão a que muitos chegaram é que afinal se tratou de mais uma decisão casuística e de mera oportunidade. Será este tipo de especulação o mais indicado para a estabilidade do plantel e, sobretudo, para o próprio jogador? Lembrem-se da mulher de César…

Não ignoramos que é o mercado, em primeiríssimo lugar, a ditar as suas leis e a definir os seus timings. Quem necessita de vender gostaria que tal acontecesse o mais rápido possível e quem está interessado em comprar e tem meios define a sua estratégia negocial, adquire os jogadores mais prioritários para evitar perdê-los para a concorrência, mas guarda para o fim as restantes negociações, numa espécie de jogo de gato e do rato. O Benfica não tendo ainda vendido encontra-se na posição de wait and see. Com as notícias que alteraram o encaixe de 40 para 75 milhões (cá está!), isso implicaria a venda de diversos jogadores. A ser verdade, como será então possível a qualquer treinador já com a época oficial a decorrer, estruturar e definir uma equipa competitiva?






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