Ponto Vermelho
Nada de mais...
13 de Agosto de 2013
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A Selecção Nacional vai disputar mais um encontro particular com a Holanda como factor de preparação para o encontro de vital importância com os irlandeses, como aliás são todos os encontros até final da fase de apuramento tendo em conta débeis resultados conseguidos até aqui. Paulo Bento já demonstrou ter uma personalidade e uma maneira muito peculiar de agir que já vem desde os tempos em que ocupou o banco do Sporting como treinador principal.

É firme, fala grosso, é directo e nem sempre politicamente correcto, ressaltando como uma das suas principais facetas a teimosia que por vezes leva ao extremo e já lhe tem acarretado diversos dissabores com jogadores (Ricardo Carvalho, Bosingwa, etc) e com dirigentes, o último dos quais Pinto da Costa com quem teve recentemente uma troca de ideias. Confessamos que não somos adeptos do seu modelo de futebol, já temos discordado deles em várias ocasiões, mas como Seleccionador é dele a opinião prevalecente, as ideias e a decisão sobre a concepção do futebol que julga mais adequado à Selecção Portuguesa e às características dos jogadores que potencialmente podem ser seleccionados.

Devido ao esquema que vem do passado e que se mantem activo levando em linha de conta que os mesmos dirigentes dinossauros continuam activos no futebol desta pátria lusa, o esquema montado pelo velho Sistema quase sempre significou obrigatória a sugestão para a escolha do seleccionador como aliás o confirmou António Oliveira depois da sua passagem por aquele cargo. E sem colocar em causa o esforço dos eleitos para se libertarem da obrigatoridade de se manterem desipotecados, o seu subconsciente não o ignora e tende, por vezes inconscientemente, em agradar a quem os recomendou para o cargo. É um facto iniludível que se passa em todos os sectores de qualquer sociedade.

As vantagens/benefícios desse modus operandi a recolher pelos interessados não são de forma nenhuma dispiciendos. Para além da afirmação de poder, cada jogador que seja convocado e tenha a possibilidade de jogar sofre de imediato valorização que se acentua por ter sido alcançada ao serviço de uma Selecção que de há algum tempo a esta parte está sistematicamente classificada no Top 10 do Ranking da FIFA. Esta é uma das vertentes mais importantes mas não só. Permite também meter cunhas para dispensar jogadores por meros interesses clubistas, não sendo demais lembrar o caso carismático de Vítor Baía que foi preterido enquanto jogador de Sub-20 para o Mundial de Riade por estar lesionado com alguma gravidade a uma 4.ª Feira, reaparecendo na baliza do FC Porto no Domingo seguinte. Certamente devido a um milagre do Departamento Médico do FC Porto…

Sendo estas, por norma, as regras do jogo, sempre que por acaso surge um Seleccionador desalinhado é certo e sabido que irá encontrar problemas. Nos últimos tempos e não dando grande ênfase a esse desastre que se chamou Carlos Queirós, houve dois ocupantes do cargo que se pode dizer se enquadraram nessa definição: Luis Felipe Scolari e agora Paulo Bento. Como não poderia deixar de ser houve várias situações polémicas com alguns intérpretes do dito Sistema (Scolari curiosamente com a não convocação de Vítor Baía) e Paulo Bento (pela utilização do ex-maçã-podre João Moutinho).

É claro que, para além da intervenção directa, existem outras nuances de actuação para distrair atenções. Nem sempre as críticas mais soezes vêm desse lado mas através de freteiros que ao abrigo da liberdade e da possibilidade, não enjeitam qualquer oportunidade de agradar ao master. Importa continuar nas boas graças porque isso é sinónimo de algum retorno e isso nos tempos que correm é uma importante dádiva promocional que nunca pode ser enjeitada. E atenção que não estamos a falar de liberdade e do normal direito à crítica que entendemos, por todos possuírmos diferentes concepções e ideias diversas sobre determinadas matérias e em particular sobre os jogadores a convocar.

Licá, estamos todos de acordo, fez uma magnífica época ao serviço do Estoril. Terá sido isso que lhe valeu a transferência para o FC Porto. É um jogador que pode aumentar o seu potencial ao jogar no actual Campeão Nacional e nesse enquadramento, caso progrida e mantenha constantes os níveis exibicionais, pode sem dúvida aspirar a ser uma presença constante nos seleccionados portugueses. Isto, evidentemente, se Paulo Bento ou qualquer eventual sucessor considerarem que Licá se enquadra na filosofia de jogo por si defendida e que pode ser útil à Selecção. O que achamos verdadeiramente deprimente são os abaixo assinados exigindo a sua convocação, numa acção que nos faz lembrar de algum modo o drama que foi a então não convocação de Vítor Baía. Nada muda neste País e neste futebol...






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