Ponto Vermelho
Reflexos de mediocridade
14 de Agosto de 2013
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1. Alguns dos acontecimentos registados no defeso mais não fizeram do que provar a mediocridade que alguns agentes têm emprestado ao Futebol português nas últimas décadas. Nunca devidamente relevada porque muito dos críticos e apreciadores navegam nas mesmas águas turvas. É como diz o povo na sua infinita sabedoria: junta-se a fome com a vontade de comer. Nunca o grau de exigência nesta matéria tão importante para definir o padrão de comportamentos em sociedade esteve tão baixo, não sendo de estranhar que grossas fatias das novas gerações sigam o exemplo como qualquer um pode constatar.

2. Parece pois a coisa mais natural deste Mundo as recorrentes faltas de educação. Há pois quem continue a confundir atitudes e comportamentos que devem ser assumidos no âmbito de actos e acontecimentos institucionais, com manifestações que se situam no baixíssimo nível educacional dos seus promotores, com atitudes de puro caciquismo regionalista e de desrespeito dos mais elementares padrões de vivência em sociedade. Sobretudo, se se tratarem de actos públicos e institucionais que apenas obrigam a um simples gesto de boa educação.

3. Depois da soberba demonstração de um dos Administradores da SAD portista – Adelino Caldeira – no Algarve para com o Presidente do Sporting Bruno Carvalho por ocasião da final da Taça de Portugal de Andebol, o Querido Líder não poderia, de nenhum modo, deixar de reclamar protagonismo, ele cujo ego parece pedir meças à Torre dos Clérigos e vai aumentando proporcionalmente com a idade. Foi a tirada completamente a despropósito sobre a Taça de Cristal (perdoa-lhe Cândido de Oliveira!) e, fiel a si mesmo, resolveu imitar Caldeira e assumir um comportamento de flagrante má educação anti-institucional durante a realização do jogo de Aveiro ao não cumprimentar deliberadamente o presidente da FPF Fernando Gomes seu ex-discípulo, deixando-o de mão estendida. Afinal um facto normalíssimo de gestão da super-estrutura tão apreciada pelos rapazinhos sempre prontos a considerar qualquer gesto do Querido Líder como mais uma manifestação de génio…

4. Voltamos à vaca fria – a arbitragem. Depois do alarido sobre as classificações e em que houve mosquitos por cordas, verificou-se subitamente uma acalmia depois da promessa do líder federativo sobre a tão reclamada profissionalização do sector. Entretanto, continua a opinião pública na expectativa de saber quem foi a eminência parda acima do próprio Conselho liderado por Vítor Pereira que resolveu introduzir aquela nova fórmula matemática que adulterou as classificações e que parece não ter agradado nem a gregos nem a troianos. Dizemos parece, dado que de repente surgiu um ruidoso silêncio, francamente revelador da natureza corporativa do sector que por vezes se assemelha a qualquer organização secreta…

5. Ainda na arbitragem; O defeso, longe de acalmar os espíritos trouxe mais preocupações e receios, excepto para os adeptos portistas que já anteveêm la même chose. Os critérios aplicados dão a sensação de continuarem a pautar-se por caminhos apertados ou largos consoante as situações, através do poder discricionário dos senhores juízes de campo que testaram e provaram no defeso que podem continuar a errar sem que por isso a sua margem de tolerância possa ficar mais afectada. Basta apenas saberem escolher os desafios, os clubes e os jogadores para o fazer, porque logo a seguir há uma multidão de branqueadores pronta a compreender e a desculpar os erros…

6. Na pré-época, nos desafios ditos de preparação, é vulgar assistirmos a uma certa tolerância arbitral, ouvindo-se até os comentadores perante uma entrada mais dura ou uma ou outra jogada à margem das leis, referir que se aceita e compreende por se tratar de um jogo particular… A sensação com que ficámos foi a de que esse argumento compreensível é afinal uma treta, porquanto o colégio arbitral, como sempre tem acontecido, teve diferentes leituras, assumindo decisões diversas. Senão vejamos:

i) Benfica: no estágio no Algarve, Salvio foi nitidamente ceifado por detrás, ficou lesionado e não disputou os próximos jogos. O adversário continuou em campo. Já o guarda-redes Artur num lance duvidoso mas em que se aceita que terá cometido grande penalidade, recebeu ordem de expulsão e ficou impedido de disputar o jogo com o S. Paulo;
ii) FC Porto: no desafio com o Celta de Vigo, Kelvin, pontapeou por detrás as pernas de Nolito, com a particularidade de o ter feito por 4 vezes à vista de toda a gente. O árbitro ignorou pura e simplesmente o lance e assim o herói improvável continuou em condições de disputar o próximo desafio que por acaso até era oficial;
iii) Sporting: último jogo em Alvalade com a Fiorentina. Na sequência de um ataque viola Rui Patrício puxou um adversário isolado. Consequência: expulsão e impedimento de disputar o próximo jogo oficial.

Tudo isso no enquadramento da pré-temporada. Como justificar então tão díspares critérios com a particularidade dos beneficiados e prejudicados serem, mais uma vez, os do costume? No momento em que o campeonato se vai iniciar toda a atenção que possamos dispensar a estas peripécias será pouca...

P.S. Fica-se com a sensação de que o entusiasmo e a generosidade de Bruno Carvalho no banco estará a incomodar alguns. Será por isso que estão a querer encaminhá-lo para a tribuna?








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