Ponto Vermelho
A nova época vista na TV
15 de Agosto de 2013
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Desde finais do século passado que em Portugal vigorava o regime de monopólio nas transmissões televisivas dos jogos de futebol com a entrada em cena da Olivedesportos que começou a comprar por atacado todos os jogos aos clubes profissionais e que posteriormente revendia aos operadores televisivos existentes em particular à TV pública, atendendo a que no início aquela empresa não dispunha de canal televisivo próprio. A Sport TV só haveria de arrancar como canal em Setembro de 1998.

Ao tempo, João Vale e Azevedo que tinha acabado de ser eleito presidente do Benfica resolveu levar à prática uma das suas bandeiras eleitorais e que ajudaram em muito à sua vitória, rasgou o contrato que ligava o Benfica à Olivedesportos sob o aplauso de muitos benfiquistas. Depois de vitória da empresa em 1.ª instância, o recurso encarnado trouxe como consequência a reversão da decisão, sendo então anunciado pela Olivedesportos que iria recorrer para o Supremo.

Houve então novas eleições no Benfica com a subida ao poder de Manuel Vilarinho, desde logo confrontado com um cenário catastrófico. E assoberbado com tantos e tão difíceis problemas para resolver, Vilarinho haveria de optar por não arriscar e estabelecer pontes de contacto com a Olivedesportos tentando negociar um acordo. Isso acabou por custar os olhos da cara e haveria de engessar os encarnados uma vez que partiram para esse cenário com natural fraqueza negocial. Foi uma decisão que nunca recolheu consenso no universo benfiquista, mas mesmo agora vendo as coisas à distância de década e meia, temos que convir que a decisão, qualquer que ela fosse, seria sempre muito difícil de tomar.

A partir daí o Benfica ficou refém e foi forçado a renovações automáticas. Por mais que fosse o desejo de seguir outro caminho, era óbvio que o clube não se encontrava em condições de seguir outra via. Haveria pois que seguir uma longa trajectória de recuperação em todas as suas vertentes nomeadamente a financeira, sem a qual não poderia esgrimir argumentos. No entretanto, o mau estar entre os adeptos e simpatizantes para com a Sport TV e Olivedesportos foi crescendo porque se foram apercebendo da sua nefasta influência em particular do presidente do Grupo. A ruptura definitiva com o seu sócio e irmão e o processo Apito Dourado acabaram por desfazer as dúvidas que porventura existissem.

Sendo consensual entre os benfiquistas que o Benfica deveria pôr um fim à ligação, faltavam as condições e a oportunidade, porque não bastava querer. Havia certamente questões complexas que se levantavam e que tinham que ser ponderadas. A decisão não poderia ser tomada de ânimo leve para que não voltassem a ocorrer os constrangimentos anteriormente verificados (ainda que de forma muito diferente). E a decisão, difícil, foi sendo adiada mas finalmente foi tomada, indo de encontro aquilo que reclamava a esmagadora maioria dos adeptos e simpatizantes benfiquistas.

Se era compreensível que os habituais poderes paralelos, sentindo-se prejudicados, movessem as suas influências para desvalorizar a opção e provar que tinha sido uma má decisão, já o mesmo não se poderá dizer de algumas personagens do universo encarnado. Por diferentes razões mas em consonância com os primeiros, exprimiram dois tipos de argumentação: falta de capacidade técnica e impossibilidade de realizar encaixes semelhantes aos da última oferta da Olivedesportos. Ambas representando dúvidas razoáveis, fruto de reacções que são despertadas a partir do momento em que surge algo de novo e que promete agitar um mundo de interesses em rota de colisão a partir daí.

É que, é bom equacionar, para além da quebra de um monopólio num espaço de deveria há muito ser concorrencial, há todo um Mundo novo a seguir dentro de momentos. Este pioneirismo pode vir a criar seguidores noutras partes do globo e dar azo a profundas alterações no espaço audovisual. Não esquecer as recentes decisões dos Tribunais sobre as transmissões televisivas em sinal fechado e que tanto estão a preocupar a UEFA e a FIFA. É o Mundo a andar demasiado depressa em que há dificuldades em prever o próximo passo.

Resignados à irreversibilidade da situação, a grande questão agora suscitada na mente dos espíritos inquietos é a suposta a falta de isenção da Benfica TV. É uma boa questão, e que se alguém a conhece bem são os benfiquistas. Durante épocas atrás de épocas, a isenta Sport TV e não só, mimoseou-nos com todo o tipo de manipulações de imagens, agressões e comentários jocosos. Não deixa de ser agora curioso esta súbita preocupação com a isenção, quando ainda não se iniciaram sequer as transmissões e não se pode constatar o nível das mesmas. Só depois, poderão avaliar e dizer de sua justiça, nunca antes. Será o peso na consciência?




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