Ponto Vermelho
Fingimentos
16 de Agosto de 2013
Partilhar no Facebook

Caminhando a pré-época para o fim e estando o Campeonato já na rampa de lançamento (o início será já hoje), é evidente que se foram gradualmente multiplicando os habituais fait-divers, tendo em conta a chusma de paineleiros, cronistas, comentadores e quejandos que diariamente consomem algumas horas a debitar estórias de cordel eternecedoras, como convém para ludibriar incautos que tomam os seus genéricos bitaites como verdades absolutas. Excluímos, como é óbvio, todo um conjunto de profissionais que pautam as suas análises por critérios objectivos, concordemos ou não com as suas opiniões e os seus comentários, provando que neste Mundo em que os interesses pessoais, de grupo e de clube se sobrepõem a tudo o resto, ainda há quem consiga ter a espinha direita. Para esses a nossa consideração e o nosso respeito.

Já nos pronunciámos sobre o caso Cardozo. Exprimimos naturalmente uma mera opinião pessoal do lado de fora, desconhecendo todo um conjunto de pormenores que poderiam fazer toda a diferença. Para um lado ou para o outro. O tema como se sabe continua pendente, e por isso mesmo temos lido e ouvido todo um vasto leque de opiniões que apontam em direcções diversas mas, a sua esmagadora maioria de críticas soezes com um único objectivo – criar um tema desestabilizador que lance a confusão e a instabilidade nos encarnados no início do campeonato de molde a atingir os objectivos que todos conhecemos de cor e salteado. De facto o assunto já deveria estar resolvido, mas se não o está, porque será?

Como situação ideal, Óscar Cardozo depois do seu acto censurável e irreflectido deveria o mais tardar no dia seguinte ter apresentado desculpas a todos os envolvidos, à estrutura Directiva e aos adeptos e simpatizantes benfiquistas. Desconhecemos as razões que o terão levado a não o fazer e apenas lemos breves declarações do seu empresário sobre o seu estado de arrependido. Depois do seu regresso de férias tardou em promover esse pedido de desculpas, provavelmente convencido que a sua transferência para o estrangeiro seria apenas uma questão de dias. Mas mesmo essas desculpas foram forçadas e até deprimentes no entender de alguns, dado que não foram efectuadas através de comunicado ou daquelas conferências de imprensa essas sim com questões deprimentes…

A sua saída acabou por não se verificar até ao momento, porque apesar do jogador ter sofrido alguma desvalorização após o acto e se saber que o Benfica estaria na disposição de aceitar a sua eventual transferência, seria um erro colossal da Direcção encarnada deixar sair o melhor goleador estrangeiro da história do Benfica ao preço da uva mijona como têm pretendido alguns clubes. Se Vieira tivesse aberto mão do jogador aceitando uma oferta que ficasse muito aquém do preço inicialmente estipulado, os que tanto têm criticado a forma como o processo se tem vindo a desenrolar, viriam de imediato a terreiro exprimir as suas críticas por o Benfica ter vendido Cardozo por um valor que não se coadunava com os seus atributos de goleador.

Não nos iludamos. A saga começou com Jorge Jesus e com a tentativa de obrigarem de fora para dentro, à sua não renovação. Gorados os intentos foram desenvolvendo técnicas de pressão para lhe tornar a vida insustentável ainda antes do campeonato se iniciar. O objectivo era e é muito mais lato e qualquer pessoa medianamente inteligente percebe que os adeptos e simpatizantes do Benfica ficaram profundamente desiludidos no final da última época, a primeira de muitas em que não houve os tais factores externos a condicionar e a decidir. Por muito que possa custar, a realidade é que aconteceu futebol e o facto do Benfica ter perdido tudo não muda a natureza das coisas e a imprevisibilidade do futebol. Antes pelo contrário.

O tema Jorge Jesus foi durante algum tempo mantido em banho-maria para logo ser retomado à medida que ía diminuindo a distância temporal para o início do campeonato. E a benesse que resultou de um sorteio condicionado veio contribuir para um aumento da pressão indirecta sobre os adeptos benfiquistas com o espectro dos terríveis males que estarão prestes a acontecer, caso os primeiros resultados de jogos a sério não sejam de molde a entusiasmar os adeptos. O síndroma que costumava atingir os nossos vizinhos de Alvalade parece desta vez ter sido transferido para a Luz, pré-anunciando-se desde logo um Natal penoso para Jorge Jesus, Luís Filipe Vieira, e para os benfiquistas.

Para os lados do Dragão, por exemplo, apesar de haver protagonistas insatisfeitos pelas mais variadas razões e de não se fazerem rogados em darem nota pública naquilo que são edições quase tiradas a papel químico todos os anos, tais situações são tidas como factos absolutamente normais e a estrutura que nunca falha nem sequer é questionada, revelando diferenças de tratamento a que temos sidos forçados a habituar-nos. Imaginem que no Benfica um jogador dizia publicamente que ou lhe aumentavam o ordenado ou queria demandar outras paragens? O que não seria? Bem o próximo episódio é já a seguir…






Bookmark and Share