Ponto Vermelho
Considerandos
17 de Agosto de 2013
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A avaliar pelas últimas notícias divulgadas, a juntar às altas, médias e baixas pressões que tendem a abater-se de forma impiedosa sobre Jorge Jesus, Benfica e quiçá também sobre o Atlântico, na deslocação à Ilha da Madeira acrescem desde já lesões de dois dos jogadores mais em destaque na pré-temporada – Markovic e Salvio – que os impede, de forma definitiva, de dar o seu concurso à equipa. Nesta fase e dada a importância do desafio, não pode deixar de ser considerado como um forte handicap. Falta ver agora a reacção da equipa e observar até que ponto essas ausências influirão no desenvolvimento do jogo atacante do Benfica.

O vendaval de dúvidas e críticas prossegue implacável e em bom ritmo, lamentando os plumitivos que na conferência de imprensa só possam ter sido colocadas duas questões ao treinador encarnado sobre um dos temas do momento – Óscar Cardozo –. Pelos vistos a curiosidade continua insaciável por estas bandas… Quando os curiosos à beira da estreia dos encarnados no campeonato tentam circunscrever a actualidade a um jogador cuja situação é por demais conhecida em detrimento do evento principal, percebe-se mais do que nunca o que está em causa. É apenas uma questão de satisfação ou não de curiosidades…

Por todo um conjunto de razões que se vêm acumulando e adquiriram especial relevância no final da pretérita temporada, os adeptos benfiquistas estão cientes de que o arranque desta época será determinante para o que irá acontecer durante 2013/2014. A nota artística que outrora fez as suas delícias, foi relegada para segundo plano e agora o que é exigido é que a equipa vença as partidas mesmo que as exibições sejam moderadas e pouco cativantes. Sendo o futebol profissional um desporto em que tem que estar sempre implícita a vitória, comungamos da ideia pragmática de que em primeiro lugar há que ganhar aparte poder jogar-se menos bem. Querem melhor exemplo do que a vitória no Campeonato na era Trapattoni?

Existem, todavia, outras razões que acabam por influir na presente situação de pouca fé dos benfiquistas. Se é verdade e aceitável que nos tempos que correm é praticamente impossível ter o plantel definido no início de cada época devido ao período de transferências se prolongar para além disso e o Benfica ser, pelas razões que se conhecem, um clube vendedor e que arrisca à última hora perder jogadores importantíssimos na dinâmica da equipa, também não é menos verdade que alguma coisa deve ser feita no sentido de tentar minorar os efeitos decorrentes dessa situação adversa que algumas vezes se torna insustentável.

Já que algumas das incidências não podem ser controladas, ao menos que se tentem criar e introduzir mecanismos que salvaguardem alguns casos para benefício desportivo e estabilidade da equipa. Julgamos ser esse o principal défice dos últimos anos, precisamente a partir do momento em que a batalha da credibilidade e da recuperação do clube foi dada como vencida. Numa realidade conjuntural como tem sido a nossa, no plano desportivo importava antes do mais estabelecer equilíbrios que pudessem conduzir à estabilidade na equipa e de outra forma no plantel. Que alguns anos antes existiu e conduziu à histórica e imorredoura frase do Velho Capitão de todos conhecida.

Não esquecemos que vivemos agora num Mundo muito diferente. A começar pelos jogadores e seus empresários que tentam introduzir uma placa giratória que potencie os atletas debaixo da aba de um grande clube como o Benfica para depois, se possível sem aquecerem o lugar, serem transferidos para outras paragens mais apelativas, competitiva e financeiramente. Mas isso não é exclusivo dos encarnados, até em Portugal. Logo, sabendo-se tudo isso importaria estabelecer equilíbrios duradouros entre a vertente desportiva e financeira, porque valorizando a primeira permite potenciar a segunda.

O mecanismo das claúsulas rescisórias traz alguma segurança e margem de manobra. Mas antes, torna-se necessário estabilizar definitivamente a equipa num patamar competitivo à dimensão do Benfica e suprir as saídas inevitáveis em cada época de forma atempada com valores semelhantes. Sem que esse patamar seja de vez atingido, dificilmente haverá a estabilidade necessária que permita ao Benfica atingir a indispensável velocidade de cruzeiro que certamente conduziria a uma maior regularidade competitiva, leia-se as vitórias tão reclamadas pelos adeptos. Isto aparte estarmos no Futebol português com toda a sua imprevisibilidade, haver os sempre tão influentes factores externos e a própria aleatoriedade do futebol. Tudo isto serão, a nosso ver, condições indispensáveis para que o Benfica regresse ao palco tão insistentemente desejado pelos adeptos e que a sua história sem dúvida reclama.






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