Ponto Vermelho
Pressão (des)motivadora
18 de Agosto de 2013
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Os diversos meios de comunicação social fizeram questão de nos lembrar até à exaustão, o sistema de altas pressões que se projectava para a Região Autónoma da Madeira em consonância com a calamidade dos fogos que atingiu a ilha mais uma vez e causou assinaláveis prejuízos. Um Marítimo comodamente refastelado na cadeira da tranquilidade, esperava calmamente um Benfica emaranhado em algumas contradições e sujeito a um intenso desgaste mediático fruto do peso transitado da época anterior e de alguns temas ainda não resolvidos.

Foi contra tudo isso e ainda com duas baixas algo inesperadas que os encarnados se apresentaram no Caldeirão dos Barreiros para tentar contrariar a tradição dos últimos anos de não vencer na primeira jornada, e simultaneamente para desde logo não dar avanço e instalar uma dinâmica de vitória que o catapultasse para uma época de sucesso contrariando o ror de opiniões que o têm catalogado como estando circunscrito à subalternidade no que ao título diz respeito. Esperava-se por isso um Benfica rápido, incisivo e acutilante, única forma de ultrapassar a esperada forte oposição defensiva do Marítimo.

O Benfica estava perfeitamente ciente de que o Marítimo iria entrar no desafio acantonado no seu meio-campo e a tentar explorar a possibilidade de contra-ataques rápidos face ao previsível adiantamento da equipa encarnada sobretudo dos laterais, através de Artur colocado no flanco de Bruno Cortez e particularmente de Sami na zona de Maxi Pereira. Não constituiu portanto qualquer surpresa a disposição tática dos madeirenses, cabendo aos encarnados como equipa mais forte e com outras responsabilidades, fazer o possível para desmontar a teia montada por Pedro Martins.

Para isso impunha-se desde o 1.º minuto uma toada atacante, com velocidade, rápidas trocas de bola, deslocação pelos flancos e desmarcações constantes para chegar célere e com perigo à baliza do estreante José Sá. Ao invés, sempre que perdessem a posse da bola, deveriam pressionar de imediato os adversários para a recuperar. Raramente isso sucedeu. Pelo contrário, a despeito do adversário pela sua postura e de uma forma estratégica lhe ter entregue o controle do jogo até às imediações da sua área, quando aí chegavam, os jogadores encarnados perdiam-se em sucessivas e inconsequentes trocas de bola e, de tanto insistir, acabavam invariavelmente, por perder o esférico gorando a possibilidade de causarem perigo.

Por outro lado, apesar das recorrentes surpresas e alterações a que Jorge Jesus já nos habituou, confessamos alguma surpresa pela titularidade de Rúben Amorim como trinco defensivo a par de Matic com Enzo a ser desviado para a sua antiga posição. Mau grado o esforço de ambos os jogadores em prol do colectivo, não se nos afigura que a equipa tenha ganho com a troca, dado que o futebol encarnado não fluiu, foi lento e desprovido de ideias, rapidamente se percebendo que muito dificilmente o Benfica chegaria ao golo, até porque Lima parecia perdido numa ilha em que o emaranhado de pernas, braços e cabeças de jogadores maritimistas atingia proporções assustadoras por metro quadrado.

Por seu turno o Marítimo raramente conseguia engendrar um contra-ataque consequente e com perigo. E assim foi decorrendo penosamente a 1.ª parte sem grandes motivos de interesse e sem quaisquer oportunidades a não ser uma excelente cabeçada de Garay a sair rente à trave. Já se esperava pelo intervalo e sem que o Marítimo tivesse sido perigoso, ainda assim os adeptos encarnados estavam desconfiados, a olhar para o relógio e para os tais 2 minutos fatídicos. E tinham razão dado que numa situação recorrente esta época, um avançado adversário desmarcou-se com toda a facilidade e dentro da área perante Artur, na impossibilidade de o ladear como desejaria, conseguiu fabricar um penalty deixando propositadamente a perna direita para trás para que o choque com o guarda-redes fosse inevitável. Não se esperava pois que Jorge Sousa fizesse outra coisa.

No recomeço, com as substituições operadas e com o regresso à forma original, esperava-se um Benfica mais rápido e mais dinâmico. Mas curiosamente foi o Marítimo que começou melhor ainda que por pouco tempo. Num erro da sua defesa, Lima ganhou a bola num ressalto e cruzou para o recém-entrado Rodrigo que empatou o jogo. Durante cerca de 10 minutos assistiu-se ao melhor período do Benfica e por momentos chegou a pairar nos Barreiros a hipótese dos encarnados se adiantarem no marcador, mas a tremenda parcimónia no momento do remate manteve tudo como dantes.

Foi, contudo, sol de pouca dura, porque voltou o jogo lento, pastoso, denunciado e inconsequente. E mais uma vez o espírito inquieto dos adeptos tinha razão. É que numa das raras vezes em que o Marítimo foi à frente marcou, pairando de imediato o pensamento que muito dificilmente o Benfica escaparia ao seu triste destino de há 9 épocas. E assim foi porque nos minutos até ao apito final do árbitro, valha a verdade dizer que só um golo fortuito salvaria o Benfica. Mas ainda antes desse último sopro arbitral, Jorge Sousa fez questão de dar razão aos benfiquistas que desconfiam dele, – esquecendo-se que um toque por detrás no avançado é penalty, praticando a primeira dualidade de critério importante na época 2013/2014 e sonegando um possível ponto ao Benfica. Faltou, apenas, mostrar o amarelo a Lima… Há coisas que nunca mudam…




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