Ponto Vermelho
Há que reagir!
19 de Agosto de 2013
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O resultado de ontem à tarde no Funchal deve, mais do que nunca, ser gerido de forma adequada às circunstâncias pela equipa técnica, pelos jogadores, pela Direcção (em particular pelo presidente), e também pelos adeptos e simpatizantes encarnados. De forma serena e ponderada, e não com a habitual tentação de colocar todo o edifício sob o espectro da demolição. Esse tipo de actuação próprio de acções tomadas com a cabeça quente, salvo raríssimas excepções, nunca constituíram solução para a resolução de problemas. Pelo contrário.

Com efeito, passa a ser impossível continuar a ignorar os sinais mais que evidentes da pré-época e que agora se confirmaram. Sem sombra de dúvida. A decisão presidencial de manter Jorge Jesus ao leme da embarcação encarnada, como se sabe, não recolheu consenso. Até dentro do próprio executivo. Afinal, um sintoma de que as pessoas no Benfica continuam a boa postura e tradição de pensarem pelas suas próprias cabeças. A despeito das tentativas exteriores.

Sobre a decisão de manter JJ dissémos na altura que não tínhamos suficientes dados para nos pronunciarmos com rigor. Também acrescentámos que toda a estrutura deveria fazer uma avaliação profunda e, caso a conclusão fosse que havia condições objectivas para o treinador prosseguir, então aceitava-se a decisão, embora do nosso ponto de vista, do lado de fora, estivéssemos mais inclinados para a não renovação, ao considerarmos que o ciclo do treinador, como tudo na vida, estava terminado. Aceitámos a bem da estabilidade e porque defendemos e acreditamos em projectos duradouros.

Em Portugal os adeptos adoram novidades e mesmo em ciclos ganhadores essa razão prevalece. Natural se torna portanto que em caso dos resultados não corresponderem aos objectivos traçados de forma sistemática, que esses mesmos adeptos sugestionados por uma imprensa implacável, exerçam forte pressão sobre a estrutura com especial incidência sobre o treinador por norma o culpado por todos os desaires, e por arrasto o Presidente que contra tudo e contra todos teve o arrojo, a coragem, e se quisermos a coerência de o manter.

Não cremos que seja assim tão simples. Independentemente de haverem pessoas que pelas posições que ocupam na estrutura devem arcar com mais responsabilidades, uma equipa de futebol de alta competição não se resume à equipa técnica, aos jogadores e ao respectivo staff de apoio. Logo, seria demasiado redutor estar a individualizar méritos nas vitórias ou culpas nos desaires. Na desejável situação de haver cumplicidade, as vitórias e os fracassos são obra da estrutura e não apenas deste ou daquele elemento. Sem prejuízo de na hora das vitórias, haver saliências individuais. Mas mesmo essas só existem por força da estrutura. É o espírito de equipa em que os egos devem reduzir-se à expressão mais simples, muito embora saibamos que nem sempre isso acontece.

Ao abrigo dessa perspectiva há que equacionar o porquê de termos avançado e subitamente termos regredido. Temos visto várias visões sobre o tema e admitimos que possa haver um pouco de verdade em cada uma delas. É dos livros que todas as lacunas e insuficiências são salientadas quando a situação não está estável e vitoriosa, e tendem a ser omitidas ou desvalorizadas no caso inverso. Aparte outras razões entre os quais o mediatismo, esse é um dos principais motivos para aquilo que consideramos diferença de tratamento entre dois casos aparentemente semelhantes.

É indubitável que algo está mal e precisa de ser equacionado. De forma rápida e eficaz antes que a situação se torne insustentável. A terapia terá que ser estudada pela estrutura, porque depois do que vimos ontem no 1.º jogo a pontos, não vale a pena enterrar a cabeça na areia nem refugiar-se na desculpa estafada de que o Benfica, pelo que fez não merecia sair derrotado. Seria preciso, antes do mais, observar aquilo que o Benfica não fez. Que foi muito. E encontrar as razões para que isso tivesse acontecido.

Última palavra, recorrente, para a arbitragem. O Benfica não correspondeu, o Marítimo teve uma boa prestação defensiva, foi mais eficaz no contra-ataque e venceu. Está de parabéns. Também não tem a mínima culpa que associados à sua vitória estivessem erros de arbitragem que terão influído no resultado final. A grande penalidade contra o Benfica foi bem cavada e percebemos o critério do árbitro. Mas no lance de Lima este é tocado pelo defesa havendo motivos para a marcação do castigo máximo. Como não foi assinalado, a lógica apontava para simulação e aí teria que haver admoestação. Cremos que foi por isso que o sub-consciente de Jorge Sousa deu sinais de compensação. Aliás, é curioso que em Portugal, quase sempre quando o Benfica perde, as arbitragens influem no resultado. Porque será?




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