Ponto Vermelho
Sessões contínuas
20 de Agosto de 2013
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Incontornável tema actual, a situação que a equipa de futebol profissional do Benfica vive neste momento não é mais nem menos do que reflexos de um conjunto de situações insuficientemente resolvidas e que se projectam agora com todo peso sobre a estrutura e em particular sobre Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira. A derrota na Madeira que paradoxalmente acabou por não causar qualquer tipo de surpresa, apenas veio confirmar a necessidade de terapia urgente por forma a não deitar tudo a perder.

Por mais doloroso que seja para o mundo benfiquista, por mais críticas que se abatam, é bom não esquecer que se tratou da 1.ª jornada onde há 9 épocas o Benfica não consegue vencer. Portanto, em teoria, nada de transcendente. Mas como todos sabemos a questão não pode ser resumida a uma visão estatística simplista. Há que procurar mais fundo sobretudo no baú da tolerância dos benfiquistas e essa, há já algum tempo, não existe. Assim sendo o empate na Madeira já constituía um mau resultado pois só a vitória permitiria uma acalmia desconfiada nas hostes benfiquistas.

Acontecendo a derrota inapelável perante um opositor acessível como consequência de uma exibição paupérrima, a questão não poderia deixar de causar profunda apreensão nas hostes benfiquistas. Porque a despeito dos erros de arbitragem, a equipa do Benfica deu um pálida imagem daquilo que em teoria valem os seus jogadores e transmitiu a ideia de que os factores anímicos precisam de ser de imediato revigorados, porquanto ficou a sensação de que os jogadores e a equipa técnica ainda não se conseguiram libertar dos efeitos traumáticos do final da época passada.

Foi por demais evidente a forma como (não) souberam reagir à adversidade e isso é o pior que pode acontecer a uma equipa, sobretudo se estivermos a falar de um grupo de alta competição. Comentar-se que o desaire com o Marítimo não surpreendeu minimamente é uma forma de assumpção de um estado de alma debilitado normalmente empolado por se tratar do Benfica e por configurar um crónico candidato ao título. É um alerta que já ultrapassou a fase do amarelo para se situar no vermelho e, como tal, a necessitar de urgente e eficaz intervenção.

Todos sabemos que o futebol é demasiado mutável e está circunscrito à ocasião. Mas as decisões de fundo obrigam a uma reflexão serena e a ponderação efectiva. Estamos convictos de que foi isso que terá sucedido e que levou Luis Filipe Vieira a decidir-se pela continuidade de Jorge Jesus depois de em conjunto terem chegado á conclusão que ainda havia espaço de manobra para prosseguir e alcançar o êxito. Fará por isso sentido, concluída que está a 1.ª jornada, toda esta contestação com o regresso dos Velhos do Restelo às luzes da ribalta? Infelizmente sim.

Depois de uma pré-época pouco entusiasmante e apelativa mas ainda assim compreensível, esperava-se uma reacção consentânea com os pergaminhos do Benfica no 1.º jogo a valer. Tal não aconteceu e temos que convir que não se tratou de um simples percalço. Pelo contrário, o que mais preocupou foi a forma displicente como a equipa abordou o desafio, o que revela que algo não está bem. Até o normalmente exuberante Jorge Jesus se revelou abúlico e pouco interventivo para o que é hábito, estranhando-se até vê-lo sentado.

Há pois, sem demora, que detectar as razões que conduziram a este estado de circunstâncias. A estrutura, melhor do que ninguém, estará em condições de avaliar as causas do que está a acontecer e não deve hesitar na implementação de medidas que se revelem ajustadas à situação. Cada um dos intervenientes deve fazer uma introspectiva bem ao âmago de si próprio e concluir sobre a melhor forma de ultrapassar esta fase menos boa que ameaça alastrar-se. O mais rapidamente possível e sem hesitações no caminho a tomar, mesmo que isso possa eventualmente implicar medidas drásticas. Recordemos Winston Churchill: «Não há mal nenhum em mudar de opinião. Contanto que seja para melhor».

Em simultâneo, ainda que com algum atraso, é prioritário resolver as questões pendentes que estão a minar o espírito de equipa e arrumar de vez a casa. Tudo no mais curto espaço de tempo. Neste turbilhão de acontecimentos compreende-se, de alguma forma, o silêncio que tem imperado na cúpula. Mas pensamos que há momentos (e este é um deles) em que o Presidente do Clube não se deve eximir a explicitar publicamente o seu entendimento sobre todas estas matérias, transmitindo de viva voz aos benfiquistas uma mensagem de convicção e de esperança no futuro.




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