Ponto Vermelho
Previsível!
21 de Agosto de 2013
Partilhar no Facebook

Quase todas as previsões e indícios apontavam para a presente situação que a equipa de futebol profissional do Benfica está a viver caso viesse a acontecer o cenário mais negro. Para além de obviamente não o esperarmos, era nossa convicção de que as indicações pouco positivas da pré-época seriam ultrapassadas mal a equipa entrasse em campo para disputar a primeira jornada no Funchal. Sabíamos que era difícil mas não nos passava outra coisa pela cabeça que não fosse a vitória dos encarnados. Nem sequer admitíamos outra perspectiva tendo em conta a necessidade imperiosa de vencer. Para não perder pontos, para afastar os fantasmas que pairavam no horizonte e reforçar a moralização para os complicados compromissos que se avizinham.

Nada do que perspectivávamos aconteceu. Pelo contrário, tudo sucedeu para além do que os mais pessimistas vaticinavam. A lei de Murphy aplicou-se que nem uma luva. Mas o que mais impressionou pela negativa os adeptos benfiquistas não foi apenas e só o facto do Marítimo ter conseguido marcar mais um golo e ter vencido o jogo. Foi sobretudo a exibição descolorida e sem garra como há muito não se via, onde praticamente tudo faltou ao Benfica como equipa de alta competição: chama, velocidade, capacidade reactiva, concentração e solidariedade entre os seus elementos. Essa apatia generalizada, como se observou, propagou-se inclusivamente ao banco de suplentes.

Se os opinadores já são imaginativos em circunstâncias normais, imagine-se o que não o serão quando surgem oportunidades destas de mão beijada. Não foi por conseguinte de estranhar que de uma ponta à outra do horizonte futebolístico, se tenha registado um tufão de críticas que nalgumas circunstâncias até contagiaram os próprios comentadores encarnados. Fizeram-no de uma forma contundente, incapazes que foram de esconder o seu estado de espírito deprimido. Até aquele comentador do politicamente correcto e que como candidato autárquico anuncia ter os dois pés em Lisboa, e pelo menos, o rosto em Sintra…

No epicentro dos problemas, como não poderia deixar de ser, estão os dois principais protagonistas do defeso – Jorge Jesus e Luís Filipe Vieira. O primeiro porque aceitou manter-se como treinador do Benfica, e o segundo porque alegadamente contra a maioria dos seus pares, sancionou a sua continuação por mais duas épocas. Foi uma decisão que teve o seu quê de controverso, basicamente porque se arrastou demasiado no tempo dando origem a todo o tipo de especulação. Aparte isso, a decisão terá sido certamente bem ponderada depois da longa avaliação das duas partes que concluiram que havia condições para prosseguir o caminho. Mas, face à contestação de alguns, desde logo se percebeu que caso as coisas não fluissem no sentido positivo, de imediato haveria eco e turbulência.

Alguma surpresa contudo por ter sucedido através de uma exibição para esquecer e que contrariou a habitual matriz de jogo do Benfica no consulado de Jorge Jesus. De pronto saltaram as justificações muitas com origem no balneário. Já todos sabemos que nestes casos se não se atacar logo e deixar prolongar a situação, está-se a contribuir para criar uma bola de neve que se pode vir a tornar imparável. Com a crise a ameaçar, o Presidente do Benfica fez o que tinha a fazer transmitindo confiança a todo o balneário que parece revelar défice anímico, porventura ainda não recuperado dos sucessivos desaires no final da época passada.

Domingo há jogo com o Gil Vicente na Luz a horas decentes e veremos os efeitos que terá tido na equipa a manifestação de confiança presidencial. Aparte algumas movimentações dos eternos frustrados e desiludidos, é de esperar que os adeptos e simpatizantes benfiquistas compareçam e manifestem ao seu apoio à equipa não contribuindo para aumentar a pressão e o nervosismo que nada resolvem e apenas conduzem para que os problemas aumentem. Por sua vez a equipa deverá dar mostras de que o jogo dos Barreiros foi um mero acidente de percurso e dar o seu contributo dentro do campo para que os adeptos encontrem motivos para continuar a incentivá-la.

Existe todavia um aspecto que continua a ser motivo de grande preocupação. O período de tempo que medeia para o encerramento do mercado de transferências. As indicações que terão sido dadas ao mercado são as de que o Benfica está vendedor. E assim sendo e caminhando-se para o encerramento do mercado, receia-se que à última da hora e tal como aconteceu no ano passado, a equipa fique desfalcada de elementos titulares com grande influência no desenvolvimento do jogo encarnado. Esta questão sem dúvida importante, para além de causar alguma apreensão não deixará também de contribuir para alguma instabilidade na equipa. Que passe depresse…






Bookmark and Share