Ponto Vermelho
Olhemos o futuro
22 de Agosto de 2013
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Mal de uma equipa que logo à primeira jornada está a ver ser discutida a permanência do treinador e coloca em causa toda a política desportiva. Mas é isso justamente o que está a acontecer com o Benfica. Poderemos dizer que é surreal e não se justifica, mas a realidade é que neste momento é um facto incontroverso. Como será possível que tenhamos chegado a este ponto? Terá sido fruto dos imponderáveis do futebol ou há algo que está mal e conduziu a este ponto de pré-ruptura anunciada?

Acreditamos que neste turbilhão de ideias algumas porventura mal amanhadas, ressalta a ideia mestra de que não tem havido uma organização eficiente que projecte a equipa de futebol para voos duradouros de sucesso regressando à matriz que tantos êxitos conseguiu e de que já existe alguma saudade. Esse é o ponto fulcral da questão a que muitos se devotam sem fornecer uma explicação que justifique o desancanto que povoa neste momento o estado de espírito dos benfiquistas numa percentagem assinalável.

Se percebemos que o desencanto continuará instalado se porventura não houver um desmentido nas suas várias componentes, a interrogação que se coloca é de como chegámos até aqui, e o que fizémos para burilar e eliminar os aspectos negativos e avançar na resolução que ameaça eternizar-se para prejuízo de todos. Por este caminho tenderemos a prolongar a discussão e não iremos chegar a lado nenhum a não ser ao aumento da crispação entre a família benfiquista. Compete-nos pois chegar a pontos concretos e decidir e agir de conformidade. É urgente que isso aconteça para sossego de todos.

Não se trata de qualquer caça às bruxas com ponto de partida e de chegada centrado exclusivamente em pessoas, mas se a política que tem vindo a ser seguida é a mais consentânea com a realidade do Benfica e aquilo que esperam os milhões de adeptos e simpatizantes benfiquistas. A avaliar pelos resultados comprova-se que algo não tem vindo a funcionar bem, e daí as reticências de muitos adeptos. Porque tardam as vitórias há tanto prometidas e naturalmente desejadas.

Nenhuma equipa pode funcionar em termos evolutivos se porventura não tiver uma estrutura sólida, eficaz e consolidada. E, olhando do outro lado da barricada, a conclusão a que chegamos é que ela existindo, está ainda algo distante desse ponto. Havendo muita obra para apresentar conforme já foi amplamente reconhecido por vários quadrantes insuspeitos, a insuficiência no campo desportivo poderá ter a ver porventura com uma questão de menor apetência para essa vertente em particular. Mas jamais se pode ignorar que sem uma componente desportiva conseguida, tudo o resto é relegado para segundo plano numa situação que poderá configurar alguma injustiça. Mas essas são as regras do jogo.

Poderíamos deter-nos neste ou naquele aspecto em particular. Mas achamos isso demasiado pequeno e recorrente. Uma equipa para singrar necessita de estabilidade, de se concentrar nos seus objectivos e não se distrair com fait-divers tão pródigos no nosso futebol. E o que tem acontecido é precisamente o contrário. Logo, torna-se necessário assimilar as razões para poder agir. O que não pode nem deve acontecer é todo este folclore que acaba invariavelmente por interagir com a especulação. E essa não é a nossa praia.

A sequência de acontecimentos que tem marcado a agenda benfiquista não tem trazido os aspectos positivos que se esperariam. Época após época assistimos à entrada de novos jogadores em número assinalável e a ter de refazer a equipa. Não se nos afigura que esse seja o melhor e mais ajustado caminho para atingir os objectivos desejados por todos os benfiquistas. Urge pois mudar de política porque a justeza das opções avalia-se pela natureza dos resultados. E esses, tendo em conta o historial do Benfica e o potencial em matéria de futebol, estão muito aquém daquilo que seria lógico esperar-se.

Aceitamos a bondade das opções mas depois do que se tem passado se não resultam, há que procurar outros caminhos mais ajustados à realidade. Porque sendo o objectivo ganhar, quando isso não é conseguido há que extrair as ilacções necessárias tendentes a introduzir orçamentos rectificativos se necessário for para que as situações mais penalizadoras possam ser corrigidas. Insistir na mesma terapia quando já se percebeu que não resulta poderá vir a ser um desastre de proporções bem mais graves…




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