Ponto Vermelho
Falta o quase...
23 de Agosto de 2013
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1. Finalmente a Comissão Arbitral Paritária (CAP) tomou uma decisão no chamado ‘caso Bruma’, praticamente no final do prazo de que dispunha, uma prática que é normalíssima em Portugal em que os processos se arrastam até perder de vista. Mas como diriam os especialistas na matéria, há prazos a cumprir e não saímos daí. Valha a verdade que só decorreu a 1.ª jornada e o período de transferências ainda demora algum tempo a encerrar. Tudo o resto é irrelevante…

Sobre o caso em si, a CAP acabou por dar razão ao Sporting o que parece ir provocar um sério revés a alguns agentes, contra-agentes e conselheiros do jovem jogador leonino, mas é inegável que a decisão extravasa o âmbito restricto das partes projectando-se como exemplo daquilo que já por mais do que uma vez fez alguns enveredarem por aventureirismos que acabam por prejudicar os clubes e fundamentalmente os atletas que inevitavelmente ficam com a sua carreira e imagem danificadas. Sem nenhuma necessidade. Porque a chusma que gravita em seu redor atraídos pelo vil metal, rapidamente será esquecida.

Resta agora saber como ficarão doravante as relações clube-atleta, mas é inegável que face à maneira como decorreu o processo há um risco evidente que as mesmas fiquem decisivamente deterioradas. E a questão que se coloca é a de a quem aproveita a situação para além do protagonismo mediático de alguns dos protagonistas? Compete agora ao Sporting e ao jogador decidirem aquilo que se afigura como a melhor solução e a que configura menos custos para ambas as partes. Que fique o exemplo.

2. Não muito distante daquele caso e com muito maior descrição estamos a ter no Benfica o ‘caso Oblak’. Custa bastante a crer que um jovem guarda-redes tão promissor como o esloveno tenha sido arrastado para uma situação que, até ao momento, se tem revelado prejudicial para todas as partes envolvidas. Alguns justificaram a atitude com o facto do treinador encarnado ter anunciado em entrevista que Oblak ainda não estava maduro para ser guarda-redes do Benfica. Em termos rigorosos isso não é verdade dado que se olharmos para para o horizonte temporal, concluiríamos que houve desfasamento porque a mesma ocorreu já em fase posterior.

Tal como no caso anterior, o caso centra-se na mesma questão: caducidade do contrato tendo em conta que a assinatura da última extensão teria acontecido antes dos 18 anos. Não conhecemos os fundamentos pelo que obviamente não nos pronunciaremos. Mas numa estrutura profissional como é a do Benfica, embora seja sempre possível em teoria, não cremos que fosse possível ter deixado passar uma situação que poderia vir a revelar-se prejudicial aos interesses do clube. Teremos pois, eventualmente, uma segunda edição com contornos quase idênticos e ficaríamos surpreendidos se porventura viesse a acontecer uma decisão antagónica.

O silêncio que tem rodeado este caso tem sido apenas entrecortado por algumas declarações do seu suposto empresário que depois de prometer novidades há já algum tempo em que Oblak seria chamado a assinar por um incógnito clube espanhol, remeteu-se a uma estratégica discrição. Também os media não têm revelado grande apetência sobre o assunto. Com o período de transferências a aproximar-se rapidamente do seu fim, alguns passos terão que ser dados porque não é crível que possa ser hipotecado o futuro de um jovem que tinha tudo para se tornar num guarda-redes de referência. Pena que tenha sido tão mal aconselhado, mas todos terão que aprender com os seus próprios erros. Vamos pois aguardar com serenidade o epílogo deste caso.

3. Há muito que nos habituámos a ver no Querido Líder um espelho daquilo que é a sociedade actual. E não só no futebol. Ao não ter esse problemita dos escrúpulos e ao não ser forçado a manifestar sintomas de coerência (como alguém uma vez disse um problema que afecta os imbecis), tudo se torna mais fácil nos seus objectivos de conseguir os seus intentos. Numa estratégia bem urdida de salta-pocinhas em que os seus inimigos de hoje poderão vir a ser os seus aliados de amanhã, o Querido Líder depois do tratamento concedido ao actual Presidente da Liga por alturas da sua eleição, veio agora pretender dar uma imagem pública de aproximação, ao mesmo tempo que se distanciava do Presidente federativo.

Depois de tantas situações recorrentes, é claro que já ninguém leva a sério este tipo de atitudes porquanto já se sabe que mais tarde ou mais cedo tudo volta à primeira forma, dependendo dos interesses em causa e da oportunidade que se apresente. Ao que consta, desta vez, a atitude terá a ver com aspectos preocupantes dos direitos televisivos e da forma imparável como a Benfica TV se tem vindo a impor no mercado, buscando aliados que de alguma forma possam fazer valer estratégias centralizadoras que diminuam um poder que se está a revelar emergente. Nada a que não tenhamos já assistido inúmeras vezes. Afinal desde quando burro velho aprende línguas?




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