Ponto Vermelho
Opiniões risíveis...
24 de Agosto de 2013
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Com a rentrée futebolística já em pleno, nada melhor do que uma mini-crise no futebol do Benfica para animar as hostes de uma profusão de paineleiros que crescem como cogumelos quase todas as semanas, e que do alto da sua enorme sapiência se entretêm a tentar influenciar o nosso juízo com opiniões para todos os gostos e paladares e à medida das conveniências informativas. Até alguns que se assumem como benfiquistas mas seguem a cartilha da independência têm alinhado pelo mesmo diapasão. Afinal, há que justificar um ror de coisas, desde audiências e tiragens e por aí fora, estando todos de acordo que o Benfica tem constituído desde sempre um filão inesgotável. Sempre que se encontra num dos pólos, mas em particular quando o caminho que está a atravessar não está atapetado segundo os exigentes padrões da nação benfiquista.

Tal não significa, contudo, que incluamos todos no mesmo saco. Seria manifestamente injusto para aqueles que, não nos cansamos de dizer, continuam a manter a espinha direita e não alinham em teorias do bota abaixo expressando a sua visão dos problemas de uma forma rigorosa e desempoeirada e manifestando o seu sentido crítico com correcção, sem que isso queira porventura significar menos firmeza nas suas convicções ou moleza na assumpção das críticas que entendam por bem formular sobre qualquer tema e em qualquer momento.

A despeito do Benfica, ao contrário de outros clubes bem cotados no panorama do futebol mundial, ser e representar muito mais do que um simples clube de futebol mesmo atendendo à realidade portuguesa e se constituir como um mundo e um baluarte no desporto nas suas múltiplas vertentes (e não apenas desportivas), seria inútil tentar escamotear a importância que o futebol profissional tem na vida do clube. É indiscutível que ele tem 'um peso' muito para além da actividade em si, e constitui a mola real em que assenta quase tudo o resto. Sempre que o futebol profissional não atravessa uma fase tranquila, é certo e sabido que existe alguma turbulência e um oceano de críticas e, naturalmente, de aproveitamentos. Nenhuma dúvida que o Benfica dá, de facto, de comer a muita gente

Mas então, se isso é verdade (e é) como se justifica que o Benfica tenha entrado em declive gradual e tenha atingido o ponto mais baixo em finais da década de 90 e a partir daí, iniciada a longa travessia do deserto da recuperação tenha, por diversas razões, vivido uma crise permanente de resultados no que ao Campeonato diz respeito, com as duas únicas excepções de 2005 e 2010? Do nosso ponto de vista, essencialmente porque extravasa em muito o âmbito de um clube profissional de futebol. Parece haver ainda um número significativo de pessoas que não entende essa realidade objectiva e lhe deve fazer uma tremendíssima confusão. Se com toda a crise de resultados o Benfica foi recuperando e reforçando o seu prestígio no Mundo, como é possível que a expressão do seu principal opositor apesar de ter açambarcado títulos incluindo na Europa, pouco tenha extravasado o âmbito regional sendo mais conhecido por aspectos extra-futebol?

Todas estas constatações não significam, de modo nenhum, que a lucidez e a ambição dos benfiquistas se tenham esgotado naquelas realidades. Pelo contrário, o passado glorioso encarnado do futebol profissional que os nossos adversários gostam jocosamente de evocar como um dejá vu dos benfiquistas como justificação dos desaires do presente, exige uma resposta mais consentânea nos tempos actuais. Tal não tem acontecido e ninguém poderá estar satisfeito. Mas daí a justificar-se uma política de terra queimada como solução para todos os males e insuficiências, é uma situação que não tem razão de ser porque não é por uma ala (por mais importante que seja) estar com problemas estruturais que se deve equacionar a implosão de um edifício que demorou anos e anos a recuperar. É preciso ponderar com serenidade o que é o mais adequado em cada momento.

Torna-se também imprescindível perceber a razão porque alguns plumitivos insistem em debitar teorias em parte oriundas das redes sociais num princípio que se assemelha muito ao dos vasos comunicantes. Esses mesmos que escrevem e falam baseados naquilo que julgam ser o pulsar e o sentir benfiquistas. São contudo pouco imaginativos, nada rigorosos e essencialmente especulativos. E o interessante é que se arrogam no direito de falar em nome dos benfiquistas como se estes lhes tivessem passado procuração para os representar.

A entrevista de LFV ao excelente profissional que é sem dúvida Hélder Conduto (amena cavaqueira e conversa em família para alguns), serviu de mote para aferir esse ponto, destacando-se as leituras dissonantes e as distorções consoante os interesses, destacando-se a esse propósito entre outros, o director do mais relevante pasquim da actualidade e a primeira edição das mirabolantes teorias extra de um comentador free-lancer ambas expressas no diário da verdade a que temos direito. E ainda o que está para vir… Quem ouviu o presidente encarnado, sabe interpretar e pensar pela sua própria cabeça, fez certamente o seu juízo e está concerteza em condições de distinguir a verdade da especulação…






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