Ponto Vermelho
Os ecos…
25 de Agosto de 2013
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Confirma-se em absoluto que sempre que o Presidente do Benfica fala há agitação nos meandros, mesmo que até possa ser uma conversa sem novidades de maior. Aliás vê-se que os plumitivos sentem essa necessidade, daí que vão pressionando para ver se conseguem os seus intentos. Valha a verdade que estava na hora de Luís Filipe Vieira se chegar à frente dado que para além de uma diversidade de assuntos que importava ver esclarecidos, havia a questão estratégica do presidente ter que dar a cara numa altura em que o futebol profissional do Benfica não atravessa uma fase particularmente feliz.

Depois de tal acontecer, tem sido um desfilar de opiniões qual delas a mais interessante, sendo que por essas alturas os adeptos benfiquistas ficam com a absoluta certeza de que cada vez mais temos imprensa a sério e descobrem uma multiplicidade de opinadores, comentadores e quejandos que animam as hostes e fazem os próprios adeptos encarnados sentirem-se no centro do Mundo. Mais uma vez a regra cumpriu-se sem hesitações, ficando os benfiquistas com a convicção de que afinal o Benfica, para além de despertar paixões, atrai todo um leque de interessados ainda que pelas mais diversas razões.

Ao verem-se e lerem-se os comentários, fica-se com a sensação de que a organização profissional do Benfica é cada vez mais amadora. E o Presidente encarnado, no vértice do triângulo, encetou um caminho que tem dado azo a sucessivos erros alguns dos quais estratégicos que, se fossem os próprios paineleiros a decidir, estariam resolvidos ao fim de uma semana. Ainda bem que há gente assim firme e decidida a fazer lembrar os adeptos de bancada que, se estivessem dentro do campo, goleavam sempre a equipa adversária. Isso não invalida que tenha havido e continue a haver más decisões e erros da estrutura como se tem constatado.

Cardozo, sobre o qual já nos pronunciámos, deveria ter sido resolvido há muito mais tempo, mas isso não justifica alguns comentários de sarjeta próprios da personalidade enviezada dos seus autores. E não estamos a falar daqueles sempre muito instrutivos que costumam inundar os on-line de alguns diários de referência, mas de ditos profissionais ou tidos como tal, que a cada passo manifestam o incómodo e o mau estar que lhes causa o simples facto do Benfica existir. Discordar é uma coisa, criticar continua a ser uma situação perfeitamente legítima, mas recorrer sistematicamente à tentativa de achincalhamento é outra completamente diferente. Mas têm uma virtude: divertem-nos!

Veja-se, por exemplo o que tem sucedido com a vinda do argentino Funes Mori. Várias tentativas de assassinato futebolístico do jogador foram desenvolvidas muito antes do mesmo chegar ao Benfica com o pretexto de que tal movimento teria tido início na Argentina. Não se coibiram de tentar ridicularizar o atleta que, se não for forte psicologicamente, corre o risco de desde logo ficar afectado. Há de facto a nível da imprensa quem se convença de que tudo é permitido à revelia do bom senso que deveria presidir às suas relações com o Mundo, mas que não hesita em ficar calado perante factos e situações altamente gravosas apenas e só porque tem medo de enfrentar determinados poderes.

Na sua chegada ao Benfica, Funes Mori prestou as declarações habituais nestas circunstâncias onde naturalmente as novidades não sobressairam. Tal como muitos outros antes dele, pois após tantas edições não há muito a inovar. Como não podia deixar de ser, surgiu a inevitável pergunta se tinha tido mais convites de equipas portuguesas e nesse enquadramento, o jogador respondeu que sim, mas que tinha optado pelo Benfica por ser o maior clube português. Nada de transcendente e que não tenha já acontecido no passado recente. No Benfica e sobretudo mais a Norte onde as declarações dos recém-chegados têm sido exemplares na vertente do provincianismo.

Recordem-se a propósito as declarações de um tal Janko que instruído pela estrutura que nunca falha estravasou o âmbito desportivo para entrar por caminhos ínvios que ofenderam, sem necessidade, uma parte significativa dos portugueses. O que provou, afinal, que a inteligência era coisa que não abundava pois deu seguimento à cartilha do Querido Líder em que um dos quesitos de um jogador que se queira impor no FC Porto é desancar no Benfica e nesses preguiçosos sulistas que não querem vergar a mola. Um verdadeiro primor!

Mas o mais curioso em relação a Funes Mori foi que até houve jornalistas que se insurgiram contra o seu tipo de declarações, chegando mesmo a considerar que o jogador tinha cometido um delito de opinião e um crime lesa República das Antas, ao ter preferido o Benfica em detrimento do FêcêPê, um verdadeiro oásis no deserto a sul de Coimbra… Verdadeiramente surreal como os rapazinhos de côcoras se continuam a perfilar na fila dos beija-mão. Todas as outras declarações do jogador foram consideradas irrelevantes e a única que sobressaiu e foi puxada para as luzes da ribalta foi a que falava do FêcêPê. Mas a quem julgam que estão a enganar?




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