Ponto Vermelho
Nada de transcendente...
27 de Agosto de 2013
Partilhar no Facebook

Um dos primeiros (cremos mesmo que seja o principal) objectivos das férias é desanuviar, descansar, mudar de ambiente e ver e conhecer novas pessoas. Pelas dificuldades que todos os dias a carteira e os nossos (des)governantes nos fazem questão de lembrar, aquele último objectivo (sobretudo se for mais distante) está reservado a uma escassa minoria e aos que, viajam em serviço e ao serviço da nação. Ainda assim viajando cá dentro de preferência por estradas e caminhos secundários, temos sempre a possibilidade de descobrir um Portugal novo que espera por cada um de nós. Haja pois vontade.

Até aí a nossa organização futebolística nos prega partidas pois dá início às provas a meio do período do férias, tal significando que muitos dos amantes do desporto-rei são forçados a descobrir um qualquer poiso para conseguir acompanhar os jogos do seu clube de eleição. Mas o arranque da principal prova do calendário nacional à revelia da data de encerramento do mercado de transferências, pode significar que os atletas que são vistos em Julho e Agosto poderão já não estar a partir de Setembro. O que em tese pode dar origem a algumas desigualdades nos plantéis. Dado que a FIFA continua persistente nesse caminho, talvez não fosse mau de todo a nossa Liga e Federação equacionarem esta questão que continua a ter peso em vários items das equipas.

Todavia, as férias não têm, como é natural, o mesmo significado para todos os adeptos. Há por exemplo quem, mesmo na ociosidade que as férias por princípio proporcionam, não se consiga libertar dos fantasmas do centralismo da capital onde o que acontece não é nacional mas única e simplesmente regional. E a norte, numa hábil mistura entre clube e cidade propague a teoria dos coitadinhos, pobres, tristes e abandonados. Uma tese mil vezes repetida em que a memória da Ponte da Arrábida já não consegue reter tantas foram as vezes que a atravessou. E se alguém do outro lado, puxa a brasa à sua sardinha com alguns tiques de exagero clubista, surge de imediato qualquer pronto-socorro a sentir-se ofendido na imensidão do seu regionalismo que nunca evolui.

Afinal, no panorama nacional, a despeito de nunca ter vencido a Taça da Cerveja, o FC Porto tem uma forte colecção de Supertaças e Campeonatos (não importa como obteve uma parte significativa…) e, por isso mesmo, já ia sendo altura de se transformar num verdadeiro clube de dimensão nacional a exemplo do Benfica e do Sporting, apesar destes clubes terem sido parcos há já alguns anos em arrecadar títulos e troféus, o que aumenta ainda mais o fosso da incompreensão de muitos para a centralização regionalista assumida quando, por via do seu historial, se justificaria outra dimensão e mentalidade completamente distintas.

Têm insistido na estratégia ínvia de misturar a cidade com o clube para daí retirar dividendos. Foi uma via rigorosamente seguida ao longo de mais de uma década em estreita colaboração com os edis em que era difícil distinguir onde começava o clube e acabava a Câmara. Isso teve de facto êxito em particular na fase de consolidação das estruturas e do património do clube. Com o ainda actual Presidente as coisas têm sido diferentes porque houve uma efectiva separação de poderes, e apesar das várias tentativas não houve qualquer cedência provando-se que o auto-convencimento de algumas pessoas é apenas um mito urbano. Contudo, já pairam ameaças no ar face à perspectiva de um interesseiro-convertido à causa vir eventualmente a desempenhar o mesmo papel que os anteriores edis.

Queixam-se sistematicamente os portistas de que são discriminados e mesmo ignorados pela imprensa dita da capital. Quem dispensa alguma atenção à mesma apercebe-se que não é bem assim. No nosso entender o Porto-Clube é tratado de forma absolutamente normal e aqui e ali até se notam cedências como foi exemplo no diário A Bola a questão que abrangeu o sportinguista Zé Diogo Quintela e o portista Miguel Sousa Tavares e também o benfiquista Ricardo Araújo Pereira que acabou, como se sabe, no afastamento do primeiro e do último, este por solidariedade.

Por enquanto ainda é muito complicado haver sol na eira e chuva no nabal. A tão propalada superestrutura portista tem uma forma muito peculiar de se relacionar com o mundo e com a imprensa num modo que nos faz lembrar a estrutura de um país beligerante durante a 2.ª Grande Guerra. E isso, se é fantástico do ponto de vista interno em que tudo é controlado e filtrado, tem obviamente contrapartidas negativas. Mas tem sido esse o caminho escolhido ao longo das últimas 3 décadas e não se nos afigura que agora vá mudar. Logo, estas constantes lamúrias é apenas para entreter dado que faz parte da sua estratégia galvanizadora contra os eternos inimigos externos do FêCêPê…






Bookmark and Share