Ponto Vermelho
Em que ficamos?
28 de Agosto de 2013
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Tem sido dada grande ênfase e servido de chincana futeboleira o facto do Benfica ter ultrapassado os 100 jogadores sobre contrato, uma situação que foi recentemente corrigida pelo Presidente encarnado que em entrevista à Benfica TV referiu serem de cerca de 75. Dando de barato as omissões da imprensa sobre tal matéria no tocante aos nossos principais rivais nomeadamente o FC Porto, ainda assim temos que convir de que se trata de um número ainda elevado de futebolistas com vínculo. O número deveria, à partida, ser mais reduzido para propiciar uma melhor gestão e, já agora, para reduzir custos, muito embora a política encetada pelos encarnados ser já há algum tempo de obter proventos pelo empréstimo de cada futebolista.

Longe vão os tempos em que o número de jogadores com ligação contratual ao Benfica era muito mais reduzido. Mas também é verdade que o mercado era completamente diferente. É hoje em dia um facto indiscutível que os nossos clubes, a começar pelos principais, nem sempre têm capacidade para segurar os seus principais futebolistas. Não só porque a Liga Portuguesa fica muito aquém das mais competitivas e mediáticas Ligas europeias, mas também porque são oferecidos contratos aos futebolistas que em muitos casos duplicam e até triplicam as condições que auferem em Portugal. E, já agora, não menos importante, as comissões dos agentes, representantes, contra-agentes, familiares e quejandos. Mesmo assim Portugal é um atractivo mercado abastecedor.

Há cerca de um ano, numa rápida incursão do mercado, o Benfica viu partir em cima da hora Javí Garcia e Axel Witsel. Todos estamos recordados do vendaval de críticas que se abateram sobre os encarnados pelo facto de não terem sabido antecipar essa purga. Eram duas pedras basilares do meio-campo e as projecções davam como consumado um rombo de proporções inimagináveis no futebol encarnado naquela zona nevrálgica do campo. O resultado foi o que se viu porque, independentemente do mérito e do trabalho do treinador, havia de facto matéria-prima para suprir essas carências. O que não impediu o plantel de ficar carenciado porque a sequência de jogos em alta competição obriga à existência de alternativas viáveis para o caso de lesões, castigos, baixas de forma e de cansaço. E o Benfica da época transacta disputou as 3 principais provas até ao fim, atravessando mais do que um ciclo de jogos de extraordinária complexidade.

Para esta época, os responsáveis do Benfica tendo em conta a experiência anterior, atacaram o mercado desde muito cedo, tentando evitar desfalques de última hora no seu plantel e suprindo igualmente lacunas transitadas de temporadas anteriores, em particular a zona defensiva (meio-campo e laterais). E, ao mesmo tempo, aproveitaram oportunidades de negócio algumas aparentemente incompreensíveis e que parecem ter feito alguma confusão a muitos opinadores cá do burgo que naturalmente glosaram o tema. Mas é verdade que houve a preocupação de estabelecer um plantel mais rico e homogéneo e com menos pontos de fricção.

O mercado está a escassos dias do fecho, período muitas vezes temido pelos responsáveis dos principais clubes portugueses que se arriscam a perder alguns dos seus activos mais valiosos. A indicação que transpareceu para o mercado era a de que o Benfica estaria vendedor pelos recorrentes motivos (equilíbrio da tesouraria) e que estaria eventualmente disponível para negociar abaixo das cláusulas de rescisão. Desde logo os jogadores de quem se começou a falar eram Garay, Matic, Salvio, Gaitán e até Luisão, para além do caso especial de Oscar Cardozo.

Um leque de respeito e que obrigava a atenções redobradas. As aquisições efectuadas já levaram em linha de conta essas possíveis saídas. Com o avançar dos dias e como as propostas alegadamente recebidas não terão sido de molde a satisfazer, os responsáveis do Benfica terão avançado para soluções financeiras alternativas, pelo que agora, segundo as indicações ao mercado, no caso de surgirem interesses sempre possíveis de última hora, a negociação deverá contemplar os valores das claúsulas de rescisão. Salvo Cardozo cujo target-price está situado em valores substancialmente inferiores. A menos que algo de substancial se altere nesta filosofia, teremos que o espectro de saídas fica assim reduzidíssimo.

Mas entretanto haviam sido feitas aquisições para colmatar eventuais saídas. E tratando-se de jogadores com grandes potencialidades as suas hipóteses de ascender à 1.ª equipa seriam apesar de tudo reduzidas e não faria sentido remetê-los para a equipa B, pelo que o empréstimo seria a hipótese mais ajustada às circunstâncias. Mais um furacão de críticas: gastos inúteis, precipitação evidente, açambarcamento, política sem sentido, etc, etc. Neste caso e sem prejuízo de juízos pontuais quiçá correctos nalguns casos, poder-se-ia aplicar o adágio popular preso por ter cão…. Sabemos que é sempre fácil criticar depois das ocorrências, mas afinal o que é que esta gente pretende?






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