Ponto Vermelho
Um derby diferente
31 de Agosto de 2013
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No lançamento de mais um derby especial (os derbies são sempre especiais), diversos articulistas previam uma vitória do Benfica. Porque a maioria dos jogadores do Sporting eram bebés, porque o Benfica tinha investido muito nas aquisições, porque os orçamentos eram desiquilibrados, porque tinham maior experiência, etc. etc. Uma parte substancial destes items poderiam de facto ser evocados como factor diferencial, mas esqueceram-se que nestes jogos para além da aleatoriedade do futebol, o que existe é o momento e esse, entre os dois eternos rivais, é que conta e faz realmente a diferença. Aparte as equipas estarem em melhor ou pior forma ou estarem afectadas por sintomas do foro psicológico. É assim há uma enormidade de tempo!

Os resultados e as classificações eram, como é óbvio, um factor a ter em conta. E também o alarido dos adeptos. E os do Sporting por terem tido épocas sucessivas de fracassos com particular ênfase para a última, estavam naturalmente excitadíssimos. Não era caso para menos face à carreira que a equipa estava a conseguir ao fim de 2 jornadas em contraponto com a vil tristeza das anteriores e, não menos importante, porque a perspectiva de ganhar ao Benfica é sempre uma questão que provoca um frenesim fora do comum nos adeptos leoninos. Como alguns subscrevem, quando acontece, corresponde à vitória no seu campeonato.

Faltava no entanto constatar se os fogachos iniciais eram sinónimo de um entusiasmo e de uma melhoria momentânea, ou se tal correspondia à realidade. Até porque as vitórias e as exibições, apesar de muito prometerem, tinham sido conseguidas ante equipas claramente inferiores. Mas, a isso respondiam os entusiasmados adeptos leoninos que também o Gil Vicente era uma equipa inferior ao Benfica e tinha faltado um bocadinho assim para levarem os três pontos da Luz. Se o tinham ou não justificado é coisa que pouco importava porque no futebol nem sempre há justiça e o que conta para a história (e para o Campeonato) são os pontos conseguidos.

É evidente que todas estas questões laterais ficariam para trás mal a bola começasse a rolar. Foi o que sucedeu. Era expectável, à partida, que o esfusiante entusiasmo da juventude leonina apoiada por um público imenso e vibrante se manifestasse desde logo, perante uma equipa do Benfica que não estando no seu melhor, tentaria em primeiro lugar estancar essa previsível avalanche verde e branca. Um golo desde muito cedo para os leões serviria de tónico e de factor de galvanização para o resto do desafio uma vez que lhes daria mais confiança e obrigaria o Benfica a ter que correr atrás do prejuízo.

E foi isso justamente que aconteceu ainda que obtido por linhas tortas. O Sporting entrou, sem surpresa, a tentar encostar o Benfica à sua área. Com os sectores muito juntos, pressionante e com rapidez, iniciou o jogo ao ataque com lançamentos rápidos para os flancos que obrigaram o Benfica a ceder vários cantos. Os encarnados mostravam alguma lentidão de processos, estavam pouco pressionantes e quando tinham a bola eram de imediato alvo de pressão dos jogadores leoninos. E chegou o golo aos 10 minutos. Fredy Montero recebe a bola à entrada da área adiantado em relação à linha de defesa encarnada, fez a tabela, desmarcou-se, Luisão não o acompanhou, e o colombiano cabeceou para o fundo das redes apanhando Artur em contra-pé.

Mas apesar de ter mais posse de bola, revelar maior rapidez e pressão, o Sporting não criou verdadeiro perigo, acabando por ser Rodrigo que de cabeça frente a Rui Patrício acertou na trave, gorando a possibilidade do empate. O jogo mantinha-se dentro dos mesmos princípios e foi a vez de acontecer a 1.ª lesão no Benfica – Enzo Pérez –, que atingido por uma bolada fortíssima acabaria por ficar lesionado e a ter que sair ao fim de alguns minutos. Depois, nova perdida de Sálvio que em boa posição atirou para fora. Pouco antes de terminar a 1.ª parte sucedeu a 2.ª lesão encarnada, desta vez Sálvio que na sequência de uma jogada com Jefferson foi forçado a abandonar. A 1.ª parte terminaria pouco depois com o Sporting com mais posse de bola, com mais ataques e remates mas sem criar grande perigo. Marcou na 1.ª chance que teve e o resultado era o mais ajustado nessa altura.

O recomeço foi diferente. O Benfica entrou mais rápido e pressionante e a fazer mais e melhor circulação de bola. Mas, logo a seguir tocava a vez a Gaitán que na sequência de um centro ficou agarrado à coxa forçando à 3.ª substituição por lesão, o que condicionava definitivamente as opções encarnadas. O Benfica continuava a desenvolver o seu jogo atacante e a criar perigo e numa grande jogada de Markovic chegaria ao empate. Os encarnados mantiveram essa toada durante mais alguns minutos, poderiam de novo ter marcado, mas demoraram demasiado na altura do remate. Depois, por cansaço ou por estratégia abrandaram de novo e os últimos dez minutos deram de novo supremacia ao Sporting que apenas criou perigo de livre através de Jefferson e de Montero. Concluindo, em termos de justiça o empate aceita-se dado que cada clube teve o seu período de supremacia. Má arbitragem de Hugo Miguel. Lance do golo do Sporting em fora de jogo e penalty flagrante de Maurício sobre Cardozo.






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