Ponto Vermelho
Contas de outro Rosário...
2 de Setembro de 2013
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Em Portugal sempre houve um verdadeiro exército cuja frustação congénita ultrapassou quase sempre os limites do razoável. Se isso é o pão nosso de cada dia nas agora tão activas redes sociais e dos on-line cujos dichotes, piadolas de mau gosto e recorrentes ofensas através de uma linguagem desbragada sem classificação possível tal o grau de baixeza que por vezes atinge, esperar-se-ia mais daqueles que têm acrescidas responsabilidades públicas que podiam e deviam dar o exemplo. Lamentavelmente não é isso que acontece e não sabemos se sugestionados pelas redes e vice-versa semeiam crispações e até ódios permanentes, restando saber se não virão a colher tempestades. Esperamos sinceramente que não.

Tradicionalmente a mentalidade prevalecente na sociedade portuguesa sempre foi a de menorizar e apoucar a invulgar capacidade de empreendimento e de realização dos portugueses que sabem por norma fazer tanto com tão pouco (estamos obviamente a excluir a capacidade política quase sempre próxima do zero). Já na época de quinhentos existia esse estigma, apesar de tantos motivos de orgulho que nos foram dados. O que é nacional não é bom sempre foi uma das opções, porque existe a convicção de que o genuíno é sempre o que vem do exterior. E mesmo sempre tendo a resposta para tão óbvia questão, insistimos no desvario como se nunca houvesse amanhã.

Esse tipo de pessoas com alguma expressão pública tem, quer queira quer não, responsabilidades na formação e educação das novas gerações que tendem a ler e a imitar o exemplo dos mais velhos. E sem que tenhamos intenção declarada de graduar as suas responsabilidades, sempre diríamos que elas não poderão ser omitidas. Muito do despautério por vezes transformado em ofensas verbais e gratuitas com tendência clara de evolução para a violência como todos temos observado (e alguns sentido) não é, apenas e só da irresponsabilidade de alguns dirigentes do futebol ou das consequências da crise que nos atinge, como se quer fazer crer, mas de vários paineleiros que à luz das audiências, das tiragens, do fanatismo clubista e quiçá de outros interesses, têm um discurso beligerante elevando a temperatura ambiente quando justamente deveriam contribuir para que a mesma baixasse.

Alguns cujos resquícios e sintomas do Estado Novo são manifestos, arrogam-se o direito de compensar o agrilhoamento vivido durante esse período ultrapassando as regras da normal vivência democrática, e outros, sobretudo muitos das novas gerações através dos exemplos que lhes foram dados, têm da democracia e da liberdade inerente à mesma, o conceito de que ela serve basicamente para que possam exprimir-se da forma como melhor o entenderem mesmo que isso colida frontalmente com a liberdade dos outros. É que os caminhos, por mais diversificados que sejam, nem sempre são paralelos.

Tudo isso levou-nos ao estádio actual. No futebol a rivalidade firme e sadia tem vindo gradualmente a ser substituída por uma situação de confronto recorrente (verbal e às vezes físico), habilmente explorada por gente interessada em que a polémica surja para a ampliarem, por forma a extraírem o máximo proveito. Não fosse assim e não estaríamos a ser confrontados quase diariamente com opiniões que constituem um verdadeiro insulto ao bom senso e à inteligência de cada um. Sem atestados de menoridade, é lícito reconhecer que nem sempre isso é compreendido por uma boa parte do segmento alvo de leitores/ouvintes a quem são destinadas essas sublimes dissertações que mais do que esclarecer tendem a confundir dado o seu evidente despropósito. É esse, aliás, o objectivo perene.

Não existem, subjacentes, quaisquer objectivos limitativos na capacidade de cada um poder exprimir o seu assentimento ou discordância sobre qual for o tema, pessoa, clube ou instituição nem a liberdade individual que deve ter para o fazer. Mas unicamente o que está em causa é o modo por vezes desabrido e insultuoso que utilizam. Não vemos porque razão quando exprimem uma discordância ou fazem uma crítica por mais acérrima que seja, tenham de recorrer a linguagem e a argumentos que não respeitam pessoas nem instituições nos seus mais elementares princípios. Isso parece revelar uma profunda frustração derivada dos seus tempos de infância e que não evoluiu para o sentido adulto mas antes regrediu provocando danos em várias vertentes. Há de facto seres humanos que à medida que vão avançando na idade mais azedos se tornam e não têm nenhum pejo em manifestá-lo.

Só que deviam pensar que estão a prestar um péssimo exemplo à sociedade e a contribuir para o aumento da crispação que qualquer pessoa com uma réstea de bom senso se esforçaria por evitar. Com a agravante de utilizarem sempre os mesmos argumentos nebulosos e repetitivos (será para agradar a alguns adeptos das redes sociais?) e enaltecendo situações de outrem que por consubstanciaram verdadeiros atentados à verdade desportiva como é do domínio público deveriam, aí sim, absorver e concentrar a sua atenção. Estamos em crer que esse é o efeito imediato de quem tem dado tantas voltas ao bilhar grande






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