Ponto Vermelho
Considerandos de treinadores de bancada
3 de Setembro de 2013
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À revelia de todas as pré-épocas na era Jesus, esta última ficou muito aquém do que era habitual o que desde logo prolongou as críticas que não têm cessado desde finais da temporada passada. Pelo lado positivo há a registar o facto dos benfiquistas não terem sido metralhados com o habitual selo de campeão da pré-temporada, antes pelo contrário. Se olhássemos para a classificação elaborada pelo diário da verdade a que temos direito, constataríamos sem grande dificuldade que os encarnados ficaram mesmo mal classificados, pois não seriam apurados nem para a Champions nem sequer para a mais modesta Liga Europa.

Tem feito pertinente confusão a muitos esse menor rendimento da equipa. Intrigante até se considerarmos que no pontapé-de-saída que coincidiu com o primeiro desaire na Madeira, no onze inicial apenas estava escalado um jogador novo – Bruno Cortez. Como é habitual nestas circunstâncias, especulou-se (sobretudo com Cardozo), avançaram-se as mais diversas explicações, mas, aquela que aparentemente terá vencido aos pontos, terá sido a de que a equipa e os jogadores ainda não se tinham libertado dos efeitos perniciosos dos últimos resultados da época anterior e estavam afectados psicologicamente. E desde logo foi escolhida a vítima da época aos olhos dos adeptos – Bruno Cortez.

Valha a verdade que o jogador não entusiasmou. Mas, aparte a sua categoria e o seu maior ou menor poder de adaptação e encaixe num futebol em tudo diferente, é preciso afirmar com clareza que a carga psicológica que está subjacente à forma com Jorge Jesus exige que seja desempenhado o lugar é de molde a criar um nível de exigência que só um um jogador polivalente e especial poderia satisfazer. E isso reflecte-se no subconsciente dos adeptos. Para além disso, temos que reconhecer que todos os jogadores que têm passado pelo lugar, observados por esse prisma, estiveram sempre aquém do exigível. Com a excepção adaptada de Fábio Coentrão que a despeito de algumas insuficiências de ordem técnica, compensou com uma enorme raça e entrega sempre muito apreciadas pelos adeptos e que tendem a perdoar eventuais erros de posicionamento ou de qualquer outra natureza. Veremos agora com Siqueira onde vai ser colocada a fasquia…

Aquela posição não é, todavia, sinónimo de exclusividade das atenções. Também a do lado contrário tem padecido nos tempos mais recentes de alguma instabilidade. E para essa não poderão ser utilizados os mesmos argumentos dado que nunca esteve em causa o dono do lugar que sempre demonstrou um invulgar apego, raça e entrega à camisola e ao clube por quem até já abdicou de férias. O que está em causa é que estamos a falar de alta competição e em que se tivermos de optar entre a moral e a razão não poderemos de forma nenhuma hesitar sob pena de serem colocados em causa objectivos. Maxi Pereira, como titular do Uruguai tem sido sempre convocado para todos os jogos e isso significa um enorme desgaste a que acrescem constantes viagens transatlânticas. E porque tem sido sempre utilizado no Benfica numa posição que até esta época nunca tinha merecido o previlégio de uma alternativa credível, El Mono tem vindo a acumular cansaço (físico e mental) ao longo de várias épocas que se reflecte, claramente, no seu desempenho.

Acresce que as duas posições laterais da defesa são de fortíssima exigência no sistema táctico utilizado por Jorge Jesus, muito embora a posição mais em foco sempre tenha sido a do lado esquerdo. Um jogador que só tenha características defensivas é curto, como insuficiente é um atleta que só previlegie a função atacante e possua lacunas graves na hora de defender. O tal jogador que reuna as duas características pelos vistos nunca foi encontrado, ressalvando-se agora o caso de Siqueira em que a ideia prevalecente no espírito dos benfiquistas, pelas razões aduzidas, será certamente do ver para crer.

Aparte outros considerandos, no lado direito defensivo Maxi Pereira a despeito de algumas insuficiências particularmente de posicionamento, quando em forma, está à altura do lugar. Mas nas circunstâncias presentes (que até não são de agora mas de há pelo menos 2 épocas), entendemos que o mais conveniente seria conceder-lhe um repouso activo por alguns jogos, porque se nos afigura estar o jogador quase no limite dos seus índices físicos e psíquicos. E isso não favorece nem o clube nem o jogador. É claro que a alternativa mais ajustada está neste momento lesionada, mas existe sempre a de reserva – André Almeida – que nos jogos em que preencheu o lugar cumpriu de forma satisfatória. Quanto ao lado contrário, teremos que aguardar mais algum tempo para ver em acção a nova aquisição que tem desde logo a vantagem de conhecer bem o futebol europeu e até nem ter problemas linguísticos. Vai sendo mais do que altura da equipa rectificar de vez os erros de que tem vindo a dar mostras, pelo que o interregno das Selecções deve ser bem aproveitado. Pena têm sido as lesões em catadupa, mas isso são ossos de ofício. É que um mal nunca costuma vir só…








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