Ponto Vermelho
Decisivo ou muito importante?
6 de Setembro de 2013
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Alguns plumitivos cá do burgo, chefes de quina estrategicamente colocados à frente de grupos com um objectivo bem definido, para transmitirem a sensação de uma orientação virada para um pluralismo disfarçado, continuam a debitar as suas doutas teorias utilizando a técnica do aspersor. Sempre que abordam qualquer tema, por mais específico que seja, não resistem à tentação de divagar, em linha com as directrizes que estão subjacentes à ocupação do lugar de, em cada escrito, lançarem novas farpas ao alvo principal que é quase sempre o mesmo. É simples, é prático, recolhe simpatias e aumenta as tiragens.

Com isso cumprem o papel de que foram incumbidos, dão ânimo às redes sociais onde bebem dando ênfase ao pulsar dos adeptos (sobretudo os infiltrados e radicais) e de caminho, aproveitam para passar a imagem de independentes. Como em todos os sectores no quotidiano, aproveitam frases feitas, insistem amiúde nas mesmas e com isso vão conseguindo endrominar alguns crédulos que dão crédito à pantominice das suas dissertações apoiadas em factos que existem na sua mente distorcida. Fazem naturalmente o seu papel e a realidade é que, como em qualquer programa televisivo, só vê e só compra quem quer…

Hoje jogava a Selecção Portuguesa e, aparte o posicionamento de cada um sobre o Seleccionador ou sobre os jogadores convocados, tratando-se de um jogo vital para as aspirações lusas impunha-se um foco intenso sobre a equipa. Mesmo daqueles (infelizmente uma parte importante), que por questões de ordem pessoal, clubística ou de interesses, encaram a nossa participação como uma chatice porque o que queriam era mais uma jornada do campeonato para aproveitar as pressentidas debilidades encarnadas, ou para reeditar as magníficas exibições arbitrais de Jorge Sousa, Hugo Miguel ou Rui Costa com os reservistas em fila de espera. Ou então, prosseguir a discussão peregrina sobre se Markovic ou Quintero justificam ou não a titularidade.

Circunscritos às Selecções, havia que encontrar aspectos laterais que fizessem a notícia que cativasse o interesse da legião de adeptos que mal conseguem esperar pela saída do diário da verdade a que temos direito. Porque, sabem que há sempre algo de interessante para ler em particular sobre histórias divagantes, insistindo nos defeitos, males ou erros colossais que enfermam a nau encarnada, atribuindo mais atenção às conjecturas negativistas do que às suas próprias virtudes e méritos. É uma questão de convicção contra-natura que se expressa em pleno, não sendo por acaso que o maior veículo informativo promotor de desgraças consegue estar amiúde no topo das tiragens. Deve ser da estratégia de grupo…

É sempre positivo observar o trabalho que tem vindo a ser feito nalguns locais em Portugal (não em todos), potenciando novos jogadores que representam o amanhã. Porque o trabalho é desenvolvido em estruturas competentes por treinadores discretos que não gostam de se colocar em bicos dos pés, ao contrário de outras que dão primazia ao produto importado e mantêm sectores de formação que comparados com aquelas superestruturas não têm a mínima hipótese. É bom ler e ouvir estas dissertações vindas de pessoas que se esforçam há anos por dar a imagem de independência e que, para dar alguma credibilidade à coisa, até permitem que discretamente lhe colem o rótulo de proximidade com os encarnados…

Pondo de parte estas divagações, hoje tivémos pela frente um tremendo desafio com os irlandeses do Norte recém vencedores do líder do Grupo curiosamente pelo mesmo resultado obtido por Portugal em idênticas circunstâncias. Para além da pressão inerente à necessidade de vencer o desafio para não termos de desafiar a máquina de calcular do apuramento, acrescia que a equipa irlandesa apresenta um futebol tipicamente britânico com grandes correrias, poderio físico e futebol rápido e directo, factores que como se sabe não são de forma nenhuma da preferência dos jogadores portugueses que gostam de um futebol mais pausado previlegiando as trocas de bola.

Apesar de ter entrado bem no jogo, a equipa portuguesa ajudada pelo árbitro, rapidamente entrou numa fase de descontrolo com reclamações sistemáticas que só a desconcentraram e prejudicaram. No entanto o golo haveria de chegar para Portugal em lance de bola parada pensando-se que a partir daí, apesar de se esperar a reacção irlandesa, a equipa nacional acalmasse e chegasse na frente. Tal não aconteceu e acabaram por acontecer duas situações qual delas a pior: o empate num lance de bola parada com falha de marcação e a expulsão (algo exagerada) de Hélder Postiga à beira do intervalo.

Adivinhavam-se pois dificuldades na etapa complementar que se materializaram com o 2.º golo irlandês em fora de jogo incrível. Todavia, sucedeu o inverso da 1.ª parte. Os jogadores lusos reagiram com calma, assentaram jogo, recorreram à entreajuda e começaram a dominar o jogo. A expulsão de Brunt veio dar um impulso maior e acreditava-se que o empate não tardaria. Veloso, deu o 1.º aviso mas logo a seguir Cristiano Ronaldo haveria de empatar com o 1.º golo do seu primeiro hat trick na Selecção. Haveriam de chegar mais dois do n.º 7 nacional e também a expulsão de Lafferty. Vitória justa e muito significativa de Portugal que assim deu um passo muito importante. Apesar do Benfica estar longe da espinha dorsal da Selecção e ter usado propaganda barata pois só a escassos minutos do final entrou um benfiquista, apreciámos a magnífica vitória portuguesa. Mérito dos dois clubes grandes que mais atenção dispensam ao "produto" nacional. Evidentemente…




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