Ponto Vermelho
Selecção: breves considerações
7 de Setembro de 2013
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Nascemos e crescemos a ouvir falar que o supremo desejo de qualquer atleta é representar a Selecção. A sua de preferência, pois de há muito que existem jogadores que representam e brilham ao serviço de Selecções que não são as dos seus países de origem. Por um conjunto diversificado de razões. De quando em vez, na altura em que surge mais uma possibilidade desse género (Lima foi o último caso), é frequente ouvirmos opiniões dissonantes a par de outras que defendem tal procedimento. Tudo normal aliás porque em cada cabeça sua sentença.

Não temos quaisquer pruridos nem reservas mentais acerca disso. Entendemos que qualquer atleta que por exemplo, tem a sua carreira dimensionada num outro país onde atinge relevância, é elegível para a Selecção Nacional desse país. Desde que, em primeiro lugar o atleta o pretenda e faça disso prova, reuna as condições necessárias em termos de cidadania e, obviamente que os responsáveis encarem essa possibilidade de bom grado e considerem que a disponibilidade vem de alguma forma juntar produto acrescentado à respectiva Selecção.

Um dos argumentos usados pelos que se manifestam contra, tem sido que essa situação vem diminuir de algum modo a possibilidade de jovens lusos poderem representar a Selecção. Não se nos afigura que faça todo o sentido. Devido às dificuldades económicas, como diria o habitante de São Bento, os jovens desportistas na crise cada vez mais procuram e criam oportunidades e abrem janelas de novas oportunidades… emigrando para clubes estrangeiros para prosseguir a carreira.

Com efeito, nos últimos anos muitos têm sido os jovens (nomeadamente futebolistas) que demandam outras paragens do globo, procurando emprego no exterior uma vez que não conseguem lugar nos plantéis de clubes portugueses. Os que despontam e atingem o estatuto de promissores, são objecto de negócio pelos seus clubes que aproveitam para ganhar uns trocados, indo procurar alternativas ao estrangeiro… mais em conta, ainda que em muitos casos de categoria inferior. Já sem falar nos consagrados. Uma situação que como sabemos acontece noutras vertentes da economia com os nossos produtos. Exportamos o bom para importar e consumir o razoável. Às vezes nem isso. Seria, naturalmente, um tema que nos levaria a outros considerandos…

Este estado de circunstâncias tem levado alguns proeminentes opinadores a considerar que a Selecção pode estar em risco a curto/médio prazo quando a actual geração de internacionais deixar de poder dar o seu contributo. Porque o recrutamento pode perigar e descer a níveis insustentáveis e nada compatíveis com o estatuto alcançado pela Selecção Portuguesa e o actual lugar que ocupa no ranking da FIFA. Não cremos que isso vá acontecer, mas em tese deverá ser sempre uma possibilidade a considerar. Mais que não seja para lembrar a todos os envolvidos directa ou indirectamente, que a Selecção existe e não devemos olhar para ela apenas quando a sequência dos resultados é de molde a criar entusiasmos.

Não podemos todavia esquecer que os adeptos portugueses, na sua generalidade, concedem quase exclusividade aos seus clubes preferidos. E, como ainda ontem escrevia o actual Director do diário da verdade a que temos direito, quando são manifestadas intenções de ter a espinha dorsal da Selecção e apenas um jogador jogou os últimos quatro minutos da partida, o interesse dos adeptos está desfocado por não se reverem na equipa das quinas.

É evidente que essa chincana futeboleira não é nada inocente. Destina-se tão só a aumentar alguns pruridos entre os benfiquistas para preencher um dos itens da blogosfera. Porque, se olhássemos para o onze inicial português de ontem, constatávamos que apenas 1 (um!) atleta joga actualmente em Portugal, e mesmo esse esteve na eminência de ser transferido neste último período de transferências. Portanto, essa da espinha dorsal não tem, por mais boa vontade que exista, qualquer viabilidade nos tempos mais próximos de ser concretizada. Então porque insistem nisso?

A alegada escassez de recrutamento não é de modo nenhum um exclusivo português pois outros países navegam nas mesmas águas. Em termos concretos, caminhamos apressadamente para um cenário em que só os grandes clubes dos países mais endinheirados têm a possibilidade de manter grande parte dos seus futebolistas intramuros. Logo é uma realidade com que as selecções irão ser cada vez mais confrontadas, excepto precisamente aquelas dos países a que aludimos. Em Portugal, o que é preciso é que exista enfoque na matéria-prima existente que com maior ou menor dificuldade se vai renovando. Cá dentro…ou lá fora!




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