Ponto Vermelho
Auditorias: Dúvidas e interrogações
10 de Setembro de 2013
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Uma auditoria às anteriores gestões do Sporting Clube de Portugal foi uma das medidas preconizadas e inseridas no programa eleitoral do então candidato à Presidência leonina Bruno de Carvalho (BC). Que desde logo causou alguns pruridos em alguns ex-dirigentes sabendo-se que o simples anúncio da medida criou de forma imediata macaquinhos no sótão numa boa parte dos adeptos e simpatizantes de imaginação fértil. Em abstracto não devia nem tinha que ser assim, seja no Sporting ou seja em qualquer outro clube.

De forma recorrente é corriqueiro ouvirmos uma expressão muito em voga em todos os sectores incluindo o campo político de que, depois da chegada ao poder, referirem que: encontrámos muito pior do que aquilo que estávamos à espera. Isto, apesar de ao longo da campanha terem dito e redito que conheciam bem a realidade do clube, da empresa ou do País. Dito assim, fica desde logo implícito que nem todos os dados tinham sido facultados ou havia surpresas desagradáveis ou situações algo obscuras.

Se é certo que algumas vezes isso surge no decorrer de uma nova gestão que precisa de justificar publicamente os seus fracassos, desde que cada candidato tenha previamente anunciada a sua intenção tendo o cuidado de justificar publicamente o alcance de tal medida (que não deve ser persecutória), não há razões objectivas para haver turbulência, a menos que alguma coisa haja a preocupar, em particular anterior(es) gestão(ões). O fundamental para a medida ter êxito e apurar o que tiver de apurar em toda a extensão e possa decorrer ao longo de toda a sua execução na maior calma e tranquilidade, é que ela seja antecipada e detalhamente explicada aos destinatários, por forma a não causar a impressão de que se trata de uma autêntica caça às bruxas. Porque, a não acontecer, pode dar origem a julgamentos prévios e criar um intenso foco de desestabilização. E aí a emenda é pior do que o soneto.

Se a medida já fazia parte do programa eleitoral de BC nenhuma surpresa portanto por a mesma ir avançar. Desde que executada a preceito e de forma correcta, é uma magnífica oportunidade para os adeptos e simpatizantes leoninos saberem exactamente porque chegou o clube ao estado a que chegou, os eventuais erros que terão sido cometidos e as estratégias eventualmente mal urdidas. Afirmamo-lo sem entrarmos em juízos de valor não só porque seria pouco assizado, mas também porque não são contas do nosso rosário. No fundo é um tema do Sporting e dos adeptos leoninos ainda que seja de alguma forma transversal.

Mas tendo o Sporting seguido uma trajectória algo idêntica à do Benfica com as consequências funestas que se conhecem, julgamos que nos assiste o direito de vizinhança de alertar, até porque ao longo dos tempos temos vindo a chamar a atenção para as estratégias anti-benfiquistas que foram seguidas e falharam nos seus objectivos e apenas trouxeram ao Sporting um estado latente de infortúnio sem honra nem proveito. E ainda por uma questão adicional que também temos repetidamente sublinhado: é que para além de não nos governarmos com a desgraça alheia, só a estimulação da concorrência pode obrigar o Benfica a tentar cada vez ser maior e melhor.

Oanúncio de que chegou o momento, como seria expectável, causou algum incómodo nalgumas figuras leoninas que começaram a reagir em surdina e mesmo de forma pública. Do nosso ponto de vista, tão negativo é as razões da medida não serem eventualmente bem explicitadas pelos proponentes aos adeptos, simpatizantes e opinião pública, como poder vir a haver reacções extemporâneas de pessoas que transitaram por anteriores Direcções. No primeiro caso porque pode abrir caminho a suspeições e a julgamentos precipitados, e no segundo porque pode transmitir a imagem de algum receio sobre o que vier hipoteticamente a ser apurado.

É pois importante que a auditoria decorra de forma serena e tranquila, sem haver a tentação de antecipar a divulgação de eventuais factos que concorram para agitar os corredores de Alvalade.. Deve ficar bem claro que não se trata de qualquer caça aos gambozinos mas apurar eventuais razões para que o Sporting tivesse atingido o pico mais baixo da sua secular existência. Estamos em crer que assim acontecerá, sendo que os resultados serão tratados e terão o destino e a aplicação que a actual Direcção do Sporting e os seus associados entendam por bem conceder-lhes. Sem interferências externas.






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