Ponto Vermelho
O ‘Jogo do Ano’
11 de Setembro de 2013
Partilhar no Facebook

Quem tenha acompanhado de alguma forma a imprensa em geral desde a última jornada do campeonato, certamente deu conta de que no próximo Sábado ao fim da tarde o encontro entre o Benfica e o Paços de Ferreira será mesmo o 'jogo do ano', tal a quantidade e diversificação de ses que têm vindo a ser avançados pelos sempre sapientes paineleiros, cronistas e quejandos da nossa praça. Tem sido um fartote de aconselhamentos, sugestões e nuances tácticas, esperando nós que Jorge Jesus tenha assimilado algumas, ainda que a sua proliferação e o seu sentido contraditório possam causar alguma confusão.

Onde não há ses é no facto concreto do Benfica, se quiser sonhar com o título, ter de recuperar os 5 pontos que esbanjou (e fizeram esbanjar) nas três primeiras jornadas. Dizem os amantes das estatísticas que as utilizam para justificar quase tudo, que o Benfica começa mal os campeonatos. Se atendermos às últimas 9 primeiras jornadas concluiremos que assim é, pois desde a já distante época de 2004/2005 em que o norueguês Azar Karadas marcou 2 golos em Aveiro ao Beira-Mar que os encarnados não logram vencer. Em casa ou fora o que deveria servir para sério motivo de reflexão.

Esta época iniciada sob o signo do pessimismo dos adeptos e ao fogo cruzado exterior, estava de alguma forma ensombrada pelos resquícios do final da última, pelo arrastar da decisão sobre a renovação ou não de Jorge Jesus, pelo 'Caso Cardozo' que tardou a ser resolvido, pelo espectro de saída de alguns dos principais jogadores, pelo reedição da novela do defesa-esquerdo e, finalmente, pelo sortilégio do sorteio da prova mais importante que arranjou um calendário à medida de prolongar a crise aplaudida de pé pelos nossos adversários e, porque não dizê-lo, de alguns que internamente são intrépidos defensores da teoria do quanto pior melhor para que o seu ego se sinta recompensado com a razão exclusiva que julgam ter do seu lado.

Não pode nem deve ser escamoteado o mau pontapé-de-saída dado no Funchal. Mas também não pode ser menosprezada a má actuação da equipa de arbitragem liderada por Jorge Sousa. Época após época estamos sempre a repisar o mesmo tema mas como ele é recorrente tal a cadência com que se repete, teremos que falar dele as vezes que se tornarem necessárias, até que sintamos que os erros que acontecem são salomónicos e derivam única e exclusivamente dos juízes de campo enquanto seres humanos e não previlegiam ou prejudicam sempre as mesmas equipas. Mesmo que isso seja considerado por alguns (os do costume) como uma desculpa repetida para os maus resultados ou, para sermos mais taxativos, para justificar os elevados investimentos efectuados.

Também na última jornada o Benfica voltou a dar uma pálida imagem de si próprio e também em reprise tivémos nova actuação à altura do herói de Coimbra. Numa altura em que foram de novo introduzidas alterações nalgumas regras da arbitragem, seria no entanto bom que revissem de forma intensa e definitiva as que por norma são objecto de discussões acaloradas, como sejam a do fora de jogo e a dos penalties de bola na mão ou mão na bola e da questão da intensidade da falta. A época já se iniciou mas ainda vão a tempo, pois é mais do que altura de serem adoptados padrões uniformes em todas as equipas de arbitragem para não termos de ouvir a eterna justificação de que foi critério do árbitro...

Só que esse tem variado consoante as situações e às vezes até durante o mesmo jogo... Também sabemos que é muito mais fácil passar essa teoria da treta quando o Benfica se encontra na mó de baixo, como é o caso actual. Ou então as justificações alternativas sempre à mão de que só com recurso à TV (esta hipótese é variável), ou que o Benfica deveria ter sido capaz de ultrapassar esses contratempos… É, por vezes, um facto. Mas para avaliarmos o peso que essas decisões contraditórias têm na resolução dos jogos e dos campeonatos, basta atentar, por exemplo, no jogo de Paços de Ferreira e da falta não assinalada a J. Martínez visível a olho a nu e que valeu + 2 pontos…

Mas enquanto se continuar a branquear a questão como aconteceu no recente derby em que para o diário A Bola o único facto relevante da arbitragem foi não ter expulso Maxi Pereira, fica mais fácil percebermos em que ponto continuamos a estar… É pois com toda esta carga por detrás que o Benfica se apresenta no Sábado perante o Paços de Ferreira, uma equipa que soma por derrotas os jogos disputados e ainda não se estreou a marcar. A pressão intensa que tem sido exercida sobre toda a estrutura encarnada e em particular sobre Jesus e que tem influenciado alguns adeptos encarnados, faz prever que os jogadores, apesar da experiência, poder-se-ão apresentar algo nervosos, uma situação que deve ser compreendida pelos adeptos caso o jogo não comece a correr de feição. Dada a necessidade de vencer, é mesmo o 'jogo do ano'. Apenas porque é o próximo…






Bookmark and Share