Ponto Vermelho
Para quando?
12 de Setembro de 2013
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1. Existe à partida incrustada na mente dos portugueses a convicção de que qualquer assunto, por mais comezinho que seja, leva sempre uma eternidade a ser resolvido. Deve ser porque a isso estamos acostumados e, como se diz na gíria, o homem é um verdadeiro animal de hábitos. Assim sendo, mesmo quando qualquer tema é intensamente debatido nos jornais e arrasta consigo o clamor público nas rádios e nas televisões, a realidade diz-nos que tende a perder força à medida que se esgota o período de carência até cair na obscuridade. A opinião pública acaba por seguir essa tendência e rapidamente se esquece. É velha imagem da memória curta, em que na grande maioria das vezes os envolvidos jogam com esse objectivo e esperam nervosa mas convictamente que tudo passe e deixe de constituir problema.

2. Um dos temas que se poderão enquadrar nesta filosofia recorrente é, sem dúvida, o chamado caso do "Roubo dos computadores da Federação Portuguesa de Futebol" que o jornalista de A Bola José Manuel Delgado faz questão de lembrar todas as semanas, ainda que até ao momento, em vão. De facto mesmo aqui em que tudo anda a passo de caracol, excepto as machadadas céleres e sistemáticas que vão sendo desferidas à queima-roupa neste exército de conformados em que cada vez mais se vão transformando os cidadãos deste País, continuam a haver factos e situações que nos deixam estarrecidos...

3. Realmente o que mais nos entristece já não é tanto a morosidade com que se trata e resolve qualquer assunto por mais importante que seja. É sobretudo a forma que transparece para a opinião pública de sobranceria e de desrespeito para com os cidadãos, em casos como aquele que são remetidos para prolongamento senão mesmo para a possibilidade séria de nem sequer haver jogo, quiçá à espera que o caso se dilua definitivamente no tempo. Os acontecimentos tiveram lugar há precisamente 7 meses e 2 dias e a originalidade do roubo transformou-o num acto estranho e bizarro, tal a precisão e substância do material furtado.

4. Não sabemos obviamente quais os dados desviados mas à partida há um leque de pessoas cujos dados pessoais poderão de alguma forma ter constituído um dos alvos do comando especial, que terá certamente recebido a convocação para executar o trabalhinho a mando de alguém. E é precisamente aí que batem todos os pontos de interrogação e que abre caminho a todo o tipo de especulações, porquanto ninguém acredita que tenha sido uma simples manobra de puro gozo, divertimento individual ou de teste à vulnerabilidade da segurança da FPF. E quanto mais tempo durar esta novela, mais dúvidas se avolumarão sobre o objectivo subjacente ao roubo de material informático.

5. Como estamos recordados, a Polícia foi célere a transmitir pormenores vitais que desde logo indiciavam que a captura do intruso estaria por horas. Com efeito, nos tempos actuais, só um ladrão descuidado ou então sem receio de ser apanhado, permite com a maior das tranquilidades que a videovigilância capte o seu rosto descoberto e depois, em mais um descuido, deixe espalhado por uma parte significativa do edifício o convite aos CSI cá do sítio para recolherem o seu ADN. Só terá faltado mesmo deixar a morada e o número do seu telemóvel para que o ramalhete ficasse completo…

6. Com todos estes factos apetece perguntar: mas afinal o que se está a passar se é que alguma coisa se passa? Porque demora tanto tempo a resolver uma situação que tinha tudo para ter um desenlace rápido e eficaz? Haverá algum pacto de silêncio? A quem serve o mesmo? Já que o acontecimento foi publicitado, não terá a opinião pública direito a uma explicação ainda que sucinta sobre o andamento do processo do qual se desconhecem as implicações mas que poderão ser importantes? Tudo interrogações sem resposta que há muito tarda. Resta saber é a quem interessará este silêncio ensurdecedor. À imagem da Polícia e da Justiça não será certamente. Quanto tempo mais vamos ter de esperar até que alguém se digne informar sobre o processo? E a Tutela por onde anda?








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