Ponto Vermelho
Preocupante
13 de Setembro de 2013
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É um dado adquirido que a crise profunda em que estamos mergulhados e os seus reflexos no dia a dia dos portugueses potenciados por um (des)governo que desde o princípio manifesta inexperiência e incompetência para além da cerviz dobrada perante interesses declaradamente anti-nacionais, produz efeito boomerang e leva a alguns despautérios que em circunstâncias normais muito provavelmente não teriam lugar. O problema é quando isso atinge pessoas que as circunstâncias e os acasos do destino transformam em figuras públicas ou outras a quem de forma generosa lhes é concedida a possibilidade de se exprimirem de forma pública. A impreparação vem ao de cima e os disparates tendem a fluir livremente.

Todos nós conhecemos desses exemplos que infelizmente proliferam por aí, acabando por expressar de forma mais ou menos fiel as profundas contradições de que está eivada a sociedade actual. E como paradoxalmente o avanço das novas tecnologias está a dar origem a cada vez maior ignorância, somos confrontados no nosso dia a dia com demonstrações de jactância recorrente que não são mais do que manifestações de puro exibicionismo e tentativas de afirmação pessoal. E quando assim é, os caminhos escolhidos para se tornarem notados são bastas vezes impensáveis tal como as atitudes excêntricas de que não abdicam.

Os constantes avanços na liberdade e na possibilidade de comunicar são hoje em dia incomensuráveis. Aquilo que sempre esteve circunscrito está hoje disseminado e qualquer cidadão tem essa prerrogativa. Dir-se-á que é um sinal do avanço dos tempos mas igualmente uma forma de tornar as sociedades mais fortes e desenvolvidas e simultaneamente mais vulneráveis. Talvez. Porque cada cidadão não vive isoladamente num ilha deserta e tem responsabilidades perante a sociedade, devendo contribuir para o seu progresso e desenvolvimento por forma a ajudar à harmonia e ao bem estar dos seus co-cidadãos.

Mas para isso é imprescindível que a educação no sentido lato da palavra seja uma preocupação de todos os dias e de todas as horas e não este arremedo de política de educação que temos tido para tentar justificar a existência de um Ministério dito de Educação. Porque país que não aposte sério na educação de forma continuada é país que está a hipotecar o seu futuro e o dos seus filhos que amanhã poderão ser chamados à responsabilidade de condução do próprio país e de pugnar pelo seu desenvolvimento, bem como ao serviço de empresas relevantes dos mais distintos sectores da sociedade. E para isso terão que estar à altura das responsabilidades que os esperam.

A inexistência de uma aposta numa política coerente de educação tem dado origem a que o país produza cada vez mais gente mal preparada e em muitos casos, por que não dizê-lo, ignorante se atendermos à sua bagagem. Tal situação fustiga transversalmente todos os sectores e como seria inevitável, a comunicação social como um dos veículos de informação importantes não poderia deixar de ser afectada. A impreparação de boa parte dos seus elementos e a conjugação com interesses subordinados a uma versão capitalista/economicista com o que ela tem de pior, fazem deles paus-mandados que escrevem e transmitem muitas vezes utilizando versões já com direitos de autor.

Se é compreensível que a embalagem de cada produto possa e deva ser apresentada com nuances ditadas pelos cardápios do marketing para que possa ser apelativa e vendável, a mistura de notícias que deveriam ser simples e objectivas com buchas da lavra de cada um que acabam por adulterar o seu conteúdo, são factos que não podem ser escamoteados e que só passam justamente porque o subsconsciente dos seus alvos predilectos em muitas circunstâncias está a tomar como real a ficção que lhe estão a impingir.

Não fosse assim e não seríamos constrangidos que assistir a verdadeiros atentados ao bom senso de qualquer ser humano que se preze. Em mais uma cruzada para tentar vender gato por lebre empreendida pelo diário da verdade a que temos direito liderada pelo seu (agora) Sub-Director António Varela, é apresentada à opinião pública portuguesa uma peça de um ridículo atroz sobre a velha questão do melhor futebolista português, com base em pressupostos falaciosos e sem substância. Por diversas vezes o plumitivo tem-se esforçado por demonstrar a sua tese balofa mas, quando mais disserta, mais se afoga no mar das suas próprias contradições.

Mandaria o discernimento que não entrasse por caminhos com dados viciados na medida em que não são passíveis de comparação única medida séria de aferição. Percebemos a intenção de ardilosamente puxar a discussão para um patamar de rivalidade clubística, mas a realidade determina que entrar neste tipo de argumentação peregrina para dar lastro e alimentar uma pretensa polémica que só existe na imaginação de alguns, é uma questão que está fora de causa e não deve ser considerada. Por não corresponder à verdade dos factos. Se a sua falta de isenção e honestidade intelectual repetidamente manifestadas enquanto profissional de informação não lhe permite evolução de pensamento é um problema que terá que assumir de forma definitiva. Por nós pode continuar à vontade pois não nos causa qualquer mossa. Pelo contrário, diverte-nos!




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