Ponto Vermelho
Quem diria?
14 de Setembro de 2013
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Tem alguma verdade implícita a futurologia de alguns opinadores que quase tudo sabem e que têm o raro previlégio de prever, qual bruxo de Fafe, o que está prestes a acontecer. Eram de facto tantos os indícios que apontavam no índice de probabilidades a forte possibilidade de a actual situação vir a acontecer que agora, impantes, mais não fazem do que ufanar-se desse feito supremo. Todavia, cremos que é demasiado cedo para apontar esse caminho como uma verdade irreversível.

À 4.ª jornada, ninguém diria (a não ser os futurólogos) que o Benfica a jogar em casa perante um modesto Paços de Ferreira que foi fortemente delapidado no seu património humano por alguns dos seus jogadores terem atingido na época passada uma ascensão meteórica fruto da magnífica carreira da equipa e por se terem tornado frutos apetecíveis, e por a gestão do clube ter aproveitado para realizar mais valias na linha da gestão equilibrada que a caracteriza, que estaríamos perante um cenário de alguma incerteza no resultado pelos motivos que têm vindo a ser escalpelizados até ao tutano, como é aliás norma de tudo o que acontece (ou não) no clube da Luz.

Não que haja qualquer dúvida sobre qual seja o melhor plantel ou a melhor equipa, factores que pendem esmagadoramente para o lado dos encarnados a jogar em casa e são mais agravados pelo facto do Paços de Costinha ainda não ter pontuado ou marcado qualquer golo nas três jornadas já disputadas. Mas os sintomas de alguma instabilidade e agora a falta de alegria que alguns juram a pés juntos existir no seio do plantel encarnado e sobretudo no líder da equipa técnica, projectam um resultado que pode vir a ser imprevisível, caso se mantenham as coordenadas pessimistas projectadas. Até porque, tendo a equipa encarnada sofrido golos em todos os desafios, há a expectativa de poder vir a ser uma oportunidade soberana do Paços de Ferreira se estrear a marcar…

Ainda que percebendo esse raciocínio, não comungamos contudo dessas previsões nem do pessimismo que parece grassar por muitas cabeças do universo encarnado. É certo que a situação poderia ser incomparavelmente melhor, mas a interiorização desse estado de espírito negativo para além de factor desestabilizador pessoal, propaga-se em diversas direcções e acaba por atingir a estrutura mais próxima da equipa incluindo os jogadores. Se os adeptos dão indícios claros que não acreditam na equipa ou que encaram a sua prestação com sérios pontos de interrogação, é natural que o aspecto anímico dos jogadores seja afectado. E é nesses momentos que eles mais precisam da ajuda dos adeptos e simpatizantes que esperam, em contrapartida, a sua contribuição.

Num panorama como o actual é natural que os adeptos se sintam tentados a acreditar nas variadíssimas estórias e comentários da legião de cronistas e paineleiros e encontrem neles justificação para tudo o que de menos bom está a acontecer. Há inquestionavelmente situações que nem a estrutura pode branquear ou camuflar por serem evidentes aos olhos da opinião pública. Mesmo aquela que olha para elas com algum distanciamento e sentido crítico construtivo. Mas também é evidente que sendo o Benfica o principal pivot do universo noticioso da área desportiva de todos os órgãos de informação, tudo o que se relaciona sofre para além do natural empolamento, doses de especulação que nalguns casos atinge graus elevados.

Ter esbanjado 5 pontos nas 3 primeiras jornadas não é, na realidade, um facto positivo e muito menos agradável. Ainda que o desfecho de Alvalade, tendo em conta a tradicional imprevisibilidade dos resultados com o nosso velho rival, tenha sido um resultado normal que, não tivesse sido um falhanço rotundo a deslocação à Madeira e muito provavelmente a predisposição da equipa e dos adeptos fosse outra completamente diferente. São aspectos essenciais que nestas alturas fazem ou podem fazer uma enorme diferença.

Para além disso, correr atrás do prejuízo pode trazer sempre riscos acrescidos tal o leque de condicionantes variáveis que estão à espreita em cada esquina. Vejam o que aconteceu há duas épocas depois de uma notável performance dos encarnados. O futebol português encerra de facto demasiados perigos. Uns que derivam das insuficiências da própria equipa e outros que sucedem quando menos se espera e que acabam por se revelar decisivos para as contas finais do campeonato… Aguardam os adeptos hoje que seja um final de tarde diferente para melhor e espera a equipa que esses mesmos adeptos confiem e lhes manifestem o seu apoio. Se cada uma das partes corresponder, estamos em crer que esse desiderato será plenamente conseguido.

PS: Um pedido: que hoje, finalmente, não haja pretextos para multas…






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