Ponto Vermelho
Novo fôlego?
15 de Setembro de 2013
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Com o evidente exagero que levou a que o Benfica-Paços de Ferreira tivesse sido promovido a jogo do ano, a realidade concreta é que a vitória era fundamental para que os sintomas que a equipa vinha acusando até aí, fossem não só amenizados como também invertidos. Vencer era o objectivo principal, ganhar com tranquilidade e se possível com uma boa exibição eram os alvos secundários. Para além disso, havia a expectativa sobre a estreia do novo defesa-esquerdo Siqueira e naturalmente sobre o regresso do goleador Óscar Cardozo depois do processo longo e algo turbulento que se arrastou por demasiado tempo e fez as delícias de muita gente. Incluindo mesmo no espaço benfiquista.

Todos os objectivos foram atingidos (até Cardozo cumprimentou Jesus…), à excepção da exibição que a despeito de períodos agradáveis, golos derivados de jogadas bonitas e de trabalho laboratorial (dois golos de bola parada, uhau!), ainda ficou uns patamares abaixo daquilo que a equipa pode e é capaz. Mas notou-se recuperação dos níveis anímicos que se traduziu numa atitude dos jogadores mais consentânea com o seu verdadeiro valor e, apesar do desvio (previsível) de Enzo Pérez do lugar que ocupa no centro do terreno, o argentino acabou por protagonizar a melhor exibição da tarde.

Um dos argumentos utilizados para justificar esta vitória tranquila foi o de que marcar logo aos 4 minutos deu um ânimo suplementar e ajudou a acalmar a equipa. Por princípio marcar cedo é sempre benéfico a qualquer equipa. Mas é bom recordar que não é a primeira vez nem a segunda que os encarnados atingem esse ponto, e depois enveredam por algum relaxamento que os prejudica e simultaneamente empurra o adversário fazendo-o acreditar que pode chegar ao empate e quiçá algo mais. Já vimos este filme algumas vezes. Mas ontem, o que observámos foi que os jogadores não desistiram de procurar o 2.º golo o que revela atitude, querer e ambição.

O Paços de Ferreira demonstrou que tem equipa que não se coaduna com o lugar que ocupa na tabela apesar de em 4 jornadas já ter defrontado os dois principais candidatos ao título. Esteve bem Costinha ao não ter enveredado pelo habitual discurso de que agora vamos começar o nosso campeonato, pois a menos que nos enganemos, os pacenses apesar de terem sofrido uma enorme sangria no seu plantel e terem um treinador ainda a conhecer os cantos à casa, dispõem de jogadores para fazerem um campeonato tranquilo ainda que longe do brilhantismo da temporada anterior, uma verdadeira época de excepção.

Artur foi o primeiro guarda-redes a ser batido pelos pacenses que ainda não se tinham estreado a marcar. Convenhamos que foi mal batido. Depois de ter dado a sensação em Alvalade de que os fantasmas do passado recente tinham sido exorcizados, eis que voltaram. Como todos falham, vamos esperar para ver se foi apenas uma mera hesitação que pode acontecer a qualquer um. Esperamos que sim, dado que vêm já aí dois jogos muito importantes para o futuro imediato do Benfica em duas competições diferentes e é vital que todos os jogadores falhem o menos possível, sejam eles avançados, médios ou defesas.

Na parte negativa há a destacar mais lesões. Desta vez tocou a Rúben Amorim e por momentos também receámos por Enzo Pérez e pelo estreante Siqueira que felizmente não se concretizaram. O estaleiro benfiquista está bem concorrido e como é da praxe, nalguns tabuleiros reeditam-se as acusações de deficiente preparação física. Há que procurar justificações para tudo e essa é a que está mais à mão. mesmo que os acusadores tenham dessa vertente uma vaga noção à distância. Não se justifica perder tempo com essas atoardas porque isso só iria alimentar os que estão ávidos que lhe caia algo no colo para terem assunto. Mas é evidente que a ida às Selecções não ajuda, pois vários dos jogadores chegaram com problemas ou mesmo lesionados como aconteceu a Sulejmani, sendo que noutras latitudes outros treinadores também se queixaram.

Os encarnados por força das circunstâncias adversas do início do campeonato em que deixaram 5 pontos pelo caminho, não têm grandes alternativas. Por isso a única via é subiram os seus patamares exibicionais e partirem à conquista de vitórias, pois para além de isso ajudar e de que maneira a vertente psíquica que tem sido apontada como um dos factores responsáveis pela quebra exibicional e de resultados, concede um importante safanão nos adeptos (sobretudo aos mais amorfos e descrentes) concorrendo para a sua galvanização, sabendo-se como isso desempenha um papel determinante como aliás tem sido frequentemente sublinhado. Vamos todos a isso?






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