Ponto Vermelho
Acreditar é preciso!
17 de Setembro de 2013
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Na época transacta como estamos todos recordados, o Benfica foi afastado da fase de grupos da Liga dos Campeões, depois de um percurso que ficou aquém das expectativas geradas. E se alguns poderão alegar que isso foi devido a uma conjugação negativa de resultados (por exemplo a vitória caseira do Celtic de Glasgow ante o favoritíssimo Barcelona onde curiosamente o Benfica empatou), a realidade é que face aos contendores que compunham o grupo, o Benfica podia e devia ter ultrapassado essa fase. Porque aumentava a autoestima, era dinheiro em caixa e reforço do prestígio mais do que nunca importante.

Representando isso já um passado distante, é fundamental que tenham sido extraídas as devidas ilacções para que não se volte a repetir a mesma situação, olhando para a composição do grupo que agora calhou em sorte ao Benfica, dentro das dificuldades inerentes a uma prova que salvo raras excepções já não tem peras doces nesta fase. Mas é inegável que o Benfica tem boas hipóteses de a ultrapassar ainda que sujeito ao eterno sortilégio do futebol, mas para isso é preciso que o prove dentro do campo a cada jogo. A despeito de tudo o que aconteceu desde o final da última época e que tem servido de palco previlegiado dos fazedores de notícias, não vemos que não o possa fazer. Basta que acredite pois há matéria-prima para isso, mau grado o plantel estar a ser fustigado por lesões.

Hoje é o início da nova caminhada cujo objectivo está bem definido: classificar-se num dos dois primeiros lugares do grupo para ser apurado. Depois, será jogo a jogo. O adversário são os belgas do Anderlecht velhos conhecidos dos benfiquistas, a quem o espanhol Losano roubou uma Taça UEFA em pleno Estádio da Luz (Lembras-te Shéu?). A história do Benfica é tão rica que a cada passo tropeçamos em recordações, umas tristes como foi essa, e outras bem alegres por sinal. Portanto, estamos perante um adversário histórico com quem já trocámos várias vezes galhardetes. É sinal que estamos a participar em provas europeias como deve acontecer sempre ao Benfica.

Como é recorrente, em antecipação a estes jogos sucedem-se os jogos florais com o objectivo de desestabilizar o adversário. Nessas alturas os plumitivos aproveitam para injectar as suas doses de veneno empolando e descontextualizando palavras e frases proferidas quer por jogadores, quer por treinadores e até por dirigentes. Sucedeu isso com o capitão da equipa belga que no lançamento do jogo afirmou que a equipa benfiquista era a mais fraca do pote 1 e que a preferia defrontar em vez do Barcelona. Nada de transcendente, é a sua opinião e, como sempre, quando terminar esta fase de grupos ver-se-á se tinha ou não razão. Pela experiência que tem não acreditamos que tenha dito isso para menosprezar o Benfica como alguns se apressaram a afirmar, mas não há dúvida que isso pode constituir um factor de motivação para os jogadores do Benfica.

Do lado encarnado acabou por não haver novidades apesar do esforço heróico de alguns históricos opinadores. Jorge Jesus não precisa muito de se alargar pois está a atravessar uma fase em que até o seu silêncio os incomoda. Usam todos os argumentos para o denegrir; por aquilo que faz e diz, e até pela sua cara mais séria. É que devido à sua personalidade extrovertida tem alguma dificuldade em gerir, apesar de todas as derrotas que lhe vão tentando infligir. Passada a fase do sapo Cardozo e do patinho-feio Cortez (ainda que possam ser reeditada em qualquer altura), havia que procurar outras motivações que com o treinador do Benfica nunca correm o risco de se extinguir.

Jorge Jesus sabe na perfeição o que a casa gasta mas nem por isso tem deixado de dar azo a aproveitamentos sistemáticos do que disse, do que quis dizer, e do que devia ter ou não ter dito. E isso, para além de o atingir, tem por vezes reflexos nos jogadores e por extensão no Benfica. É talvez altura de perfilhar as teses comunicativas anglo-saxónicas do simples, preciso e conciso. Tudo o que seja uma palavra a mais é complicar e fornecer material de queima a pessoas cujo objectivo principal é especular e distorcer, pois sem isso as vendas ficam como as assistências – começam a baixar. E como há gente que tem que apresentar serviço para justificar o lugar…

Aparte os fait-divers que ainda apaixonam alguns adeptos de forma transversal, temos o jogo propriamente dito. Escusado será dizer que é muito importante começar a vencer. O Benfica joga no seu reduto, tem prestígio e experiência europeia, deu indícios de retoma exibicional e isso tudo somado pode e deve constituir factores de galvanização. Acresce que um jogo da Champions traz sempre motivação acrescida aos jogadores que encaram a prova como um dos palcos mais reluzentes para se mostrarem. Ao que está previsto, o jogo não terá a assistência que seria apropriada para uma prova com esta importância, mas há todo um conjunto de situações a concorrer para que isso possa acontecer. Esperamos que os que vão estar presentes vibrem pois isso é sinal de uma vitória do Benfica em que, obviamente acreditamos!






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