Ponto Vermelho
Progressos
18 de Setembro de 2013
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A crise que o país atravessa pode servir de desculpa e explicar muita coisa, mas é inquestionável que não serve de justificação para uma das baixas assistências que o Estádio da Luz alguma vez registou em jogos europeus. Foram menos de 30 mil espectadores. A sequência de resultados negativos com algo de traumatizante desde o final da época passada que entrou pela nova época, aliada a pálidas exibições dos encarnados fizeram desertar muitos benfiquistas que consideraram que o jogo não tinha nada de apelativo.

É verdade que também alguns com outro tipo de motivações apressaram-se a colocar no Anderlecht o rótulo de equipa fraca o que teve o condão de influenciar benfiquistas que continuam a acreditar piamente nessas análises distorcidas da realidade de forma propositada, e nem a goleada por uma mão-cheia de golos ao Malines no jogo imediatamente anterior os fez mudar de ideias. E depois, como outro factor relevante, o preço dos bilhetes também não ajuda. Sobretudo nesta altura do mês e com os empregados da Troika por cá em avaliação dupla…

Importava, de facto, começar bem. Porque se jogava em casa e porque o Anderlecht parecia um equipa perfeitamente ao alcance do Benfica, desde que este o demonstrasse dentro do terreno como aliás veio a acontecer. Um Benfica displicente e sem alegria corria o risco de começar a marcar passo. É que o futebol belga depois de algum tempo de penumbra está a ressurgir e a voltar aos tempos em que marcavam forte presença nas provas europeias e de Selecções. O Benfica teve-os várias vezes pela frente e sabe que assim é, em particular o capitão Luisão que é o único sobrevivente da eliminatória em que os encarnados foram derrotados sem apelo nem agravo em Bruxelas.

Os indícios de melhorias que já se tinham revelado no último jogo do campeonato com os pacenses voltaram a confirmar-se. Tal como nesse jogo o Benfica abriu o placard aos 4 minutos, o que desde logo animou a equipa e o público. Até porque fruto das alterações introduzidas, a equipa ficou mais sólida e compacta o que desde logo diminuiu os riscos de abertura de algumas crateras que temos por vezes observado em jogos anteriores. Por via disso os jogadores conseguiram pressionar alto e acabaram por não deixar os belgas organizarem-se em praticamente toda a primeira parte, apesar destes deterem uma maior percentagem de posse de bola que de forma nenhuma significou qualquer domínio. Antes pelo contrário. E o estupendo golo de Luisão ajudou a colorir ainda mais o marcador e dar tranquilidade à equipa.

Na 2.ª parte pressentia-se que era muito difícil para não dizer impossível manter o ritmo e a pressão alta que tão bons frutos tinham dado na etapa inicial onde os perigosos avançados Mitrovic e Suarez tinham sido bem controlados. Alguns dos jogadores encarnados não estavam nas condições físicas ideais como por exemplo Markovic e Siqueira ainda que por diferentes razões, existindo algum receio que pudessem claudicar sobretudo este último. Logo no início o treinador do Anderlecht reforçou o seu flanco esquerdo com a entrada do veloz ganez Acheampong quiçá com o intuito de explorar a menor experiência de André Almeida, começando a notar-se mais iniciativa do belgas até porque alguns jogadores encarnados devido ao cansaço já não eram tão rigorosos nas marcações.

Mas contrariamente ao que tem sido costume acontecer a equipa não se desuniu, soube sofrer perante o maior pendor ofensivo do Anderlecht, e para os espectadores ficou a sensação de que o Benfica não só era capaz de segurar o resultado como até mesmo ampliá-lo, a despeito da excelente dupla de avançados dos belgas ser uma ameaça constante para a baliza de Artur. O Benfica jogava com tranquilidade e agora em contra-ataque e por várias vezes poderia ter chegado ao terceiro. Mas a demora no último passe ou a insistência em jogadas individuais acabou por fazer abortar todas as possibilidades.

Vitória justa do Benfica que abre boas perspectivas para o seu futuro na prova e em que os encarnados terão feito porventura a exibição mais conseguida da temporada o que veio confirmar o crescendo de forma da equipa. Todos os jogadores estiveram à altura mas houve naturalmente destaques. O maior de todos terá sido Fejza que fez questão de provar que essa questão da adaptação de que falam alguns treinadores às vezes é mesmo uma treta sem sentido. E depois Enzo Pérez que fez questão de provar a razão objectiva porque não dura 90 minutos… Ainda Óscar Cardozo tão solidário como nunca o tínhamos visto e, finalmente, Siqueira que parece querer acabar de vez com a polémica do lateral-esquerdo… Foi bom mas já é passado. Guimarães já se avista no horizonte!






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