Ponto Vermelho
Conformismo?
19 de Setembro de 2013
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1. Assumindo o Benfica um papel primordial na esfera noticiosa alargada, sempre que não exista qualquer situação anómala nos encarnados a dificuldade aumenta pois o verdadeiro batalhão de opinadores vê engrossar o leque de dificuldades para encontrar assunto que vá de encontro às pretensões de especulação que a imensão dos adeptos muito aprecia. Sejam do Benfica ou de outros clubes. Mas como tudo no Benfica é escrutinado até ao mais ínfimo pormenor, arranja-se sempre qualquer coisa. Só estamos surpreendidos é por ainda não terem entrevistado o taxista que conduziu desde a Portela os jogadores sérvios no regresso da Selecção…

2. Em semana de jogos UEFA foi dada especial atenção às declarações do capitão do Anderlecht Gillet, que entendeu por bem dissertar sobre a fraqueza do Benfica. Questionado sobre o assunto Jorge Jesus deu uma resposta equilibrada e pensávamos que o tema teria morrido por aí, dado que não vimos em ambas as posições qualquer anormalidade opinativa pois as mesmas encerravam realidades inquestionáveis, vistas á luz dos dados em presença. Mas habituados a elevar a temperatura em Portugal porque os adeptos assim gostam, de novo o assunto foi trazido à colação como mais uma arma de arremesso contra Jorge Jesus que terá afinado. Não demos por isso, mas se o dizem…

3. Mas não ficámos por aqui. Já a propósito das declarações do treinador do Benfica sobre o facto de Enzo Pérez não aguentar os 90 minutos houve tentativas de criar mais um caso. Quem se dá ao trabalho de analisar em pormenor o trabalho que o jogador argentino desenvolve em campo ao vivo e não apenas pelos écrans televisivos, facilmente se apercebe que Enzo Pérez, contrariamente a outros jogadores de qualquer clube, revela sempre muita disponibilidade física e muita intensidade no jogo, seja como médio-centro seja como médio-ala direito posição que tem ocupado nos últimos jogos devido à lesão de Salvio.

4. Por via disso e por normalmente não haver temporização no seu jogo no que ao capítulo físico diz respeito, é absolutamente natural que se o jogo for mais intenso e competitivo, a partir de certa altura Enzo Pérez comece a sentir algum cansaço e não possa manter a intensidade que ele próprio desejaria e o treinador. Sendo que, apesar das lesões que têm atingido a equipa o plantel este ano é mais vasto e mais equilibrado, não faria sentido em determinadas situações específicas continuar a sacrificar o jogador. Foi pelo menos isso que depreendémos das palavras de Jesus, ainda que seja preciso fazer um esforço na gestão das palavras para evitar aproveitamentos e tentativas de instalar polémicas sem qualquer justificação.

5. Ainda sobre declarações e talvez por deficiente interpretação nossa, não apreciámos vivamente algumas das declarações do treinador encarnado após o final do jogo com o Anderlecht. Sabemos que JJ tem sempre uma forma muito peculiar de abordar determinadas questões, mas francamente não enxergámos o alcance do empolamento de serem equipas de Champions, querendo talvez significar que são equipas de outra galáxia. Não o são, embora fosse disparate olvidar que o nível de exigência tem que ser necessariamente muito superior.

6. Compreenderíamos que numa situação hipotética de uma equipa sem qualquer passado europeu, o seu treinador fizesse declarações algo similares e denotasse alguma inferioridade se por exemplo tivesse que defrontar um dos tubarões europeus. Não é contudo o caso do Benfica que tem uma larguíssima experiência de provas que incluem campeões europeus que se iniciou no longínquo ano de 1957 com o Sevilha, curiosamente o adversário de hoje do Estoril para a Liga Europa. E apesar de nos últimos anos a carreira do Benfica estar longe do brilhantismo a que nos habituou, ainda assim ocupa um lugar de grande destaque nas competições uefeiras como é visível no ranking.

7. Está fora de qualquer dúvida que actualmente existem equipas de campeonatos muito mais competitivos que o português que dispõem de armas muito mais poderosas que o Benfica ou de qualquer outra equipa portuguesa. E nessas armas incluem-se obviamente as disponibilidades financeiras que lhes permite comprar quase tudo o que lhes interessa. Mas caindo no lugar comum, diríamos que nem sempre grandes jogadores fazem grandes equipas, sobretudo devido à enorme quantidade de egos a gerir. Todos conhecemos exemplos.

8. Temos, por isso, alguma dificuldade em assimilar a razão da assumpção de precoces subalternidades que eram casos recorrentes no passado mas que actualmente não fazem qualquer sentido. Reconhecer por hipótese que o PSG é o favorito teórico do grupo é de todo aceitável, mas colocar as restantes 3 equipas em pé de igualdade na luta pelo apuramento pode ser uma estratégia mas também poderá ser sinónimo de timidez competitiva. Os jogos continuam a ser de 11 contra 11 (em Portugal nem sempre isso é verdade), e os jogos iniciam-se com 0-0 no marcador. Foi com essas ideias entranhadas que o Benfica escreveu as suas mais brilhantes páginas na Europa. E não nos venham dizer que o Barcelona e o Real Madrid não eram amplamente favoritos…




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