Ponto Vermelho
Opiniões? Leva-as o vento…
20 de Setembro de 2013
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Não é que não estejamos já habituados, mas a facilidade com que alguns opinadores mudam de opinião é terrivelmente assustadora. Apesar de não ignorarmos que vivemos num país de analfabetos em que apenas uma pessoa concentra o monopólio do saber sobre futebol no dizer dessa eminência parda chamada Dias Ferreira, e também que a modalidade é em si mesmo pródiga em surpresas que acontecem num curto espaço de tempo (que o diga o Benfica no final da época passada!) e podem alterar por completo o panorama e os objectivos de qualquer equipa, seria de bom tom não haver tantos sinónimos de inteligência que configuram frequentes mutações na linguagem discursiva. Por vezes com rotações de 180 graus quando não mesmo mais…

Estamos convencidos que isso acontece com recorrência porque há um foco quase exclusivo nos resultados que roça quase a escravidão, em detrimento de outros aspectos que não são assim tão laterais, como sejam as exibições, as incidências das partidas, e por tradição no nosso país futebolístico as frequentes influências da 3.ª equipa nos resultados dos jogos e das provas em disputa, com particular destaque para os campeonatos. Basta ver nas 4 jornadas disputadas o que já aconteceu… Afinal o que Dias Ferreira não disse e devia ter dito (mas isso seria contra-natura…) foi que o único expert para além de futebol, tem como segunda especialidade (ou será a primeira?) a arbitragem.

Aparte essa influência nefasta que jamais foi erradicada e que é habitué em todos os campeonatos, em teoria e até provas em contrário, continuam a existir apenas três equipas que são crónicas candidatas ao título nacional. Umas mais do que outras mas ainda assim sempre candidatas. Poderão haver obviamente intromissões pontuais aqui e ali desta ou daquela equipa como aliás já sucedeu, mas candidatas mesmo à partida só os actuais três grandes. Mesmo que no momento haja uma ou outra que aparenta estar mais débil ou teve na temporada prestações pouco conseguidas. Só o simples passado histórico e a dimensão que ocupa no imaginário dos adeptos é motivo suficiente para que possa ser catalogada com tendo pretensões.

O Sporting que já vinha dando indícios de desnorte e que acabou por atingir o ponto mais baixo da sua existência na época passada, foi considerado por inúmeros opinadores como apenas estando em condições objectivas de lutar, em princípio, pelo último lugar do pódio. Os lugares cimeiros estavam reservados ao FC Porto e Benfica. Como justificação apresentaram o facto da composição do plantel ficar muito aquém dos seus outros dois rivais, por o mesmo ser assaz inexperiente e por, devido às dificuldades financeiras e ao aperto do cinto, não poder ir ao mercado contratar jogadores com outra dimensão. Não tiveram, contudo, em consideração os indícios no final da época a partir do momento em que Jesualdo Ferreira estabilizou a equipa e lançou novos valores.

De facto, diziam, com um orçamento que é 1/5 do do FC Porto e 1/2 do do Benfica, não tinham qualquer hipótese. Achamos alguma graça a esta evocação de orçamentos sempre que convém. Por essa ordem de ideias não valia sequer disputar qualquer prova: Os portistas eram campeões antecipados de toda e qualquer prova porque têm o orçamento maior (mais do dobro do do Benfica) além de terem as melhores equipas de arbitragem. Sendo um factor deveras importante (por exemplo ter a possibilidade de pagar mais comissões para conseguir este ou aquele jogador), nem sempre é determinante. E, repisamos, estamos a falar dos três grandes.

Convenhamos que havia lógica nessa assumpção. Eram meras previsões que podiam ou não vir a concretizar-se. Mas bastou que o Sporting tivesse um bom arranque e o Benfica um péssimo, para que alguns opinadores já considerem os verdes e brancos candidatos ao título e os encarnados condenados às masmorras. Porque o FC Porto, sem deslumbrar, quando precisou da 3.ª equipa, ela esteve lá e disse presente. Sempre é uma vantagem de tomo. Tudo isto quando estão disputadas tão somente 4 jornadas e continuar a haver um mundo de esperança…

Interessante as mutações. Quando temos 26 jornadas por disputar há sempre alguém que se esforça por ver sempre mais além e flutua ao sabor do vento porque a conjuntura não permite tempo para brincadeiras. Tentam antecipar cenários quando ainda não têm bases sólidas que lhes permitam quaisquer certezas. Eles sabem isso, nós também o sabemos, mas vivemos num mundo em que é preciso especular para vender o produto, dizer hoje para ser desmentido amanhã contando com a habitual memória curta. E com tudo isso cada vez mais temos menos jornalismo de qualidade, sinónimo dos tempos em que tudo vale para alcançar objectivos…






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