Ponto Vermelho
Fixações...
21 de Setembro de 2013
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1. Na última conferência de imprensa relacionada com o lançamento do Vitória de Guimarães-Benfica, o treinador encarnado, a certa altura, foi confrontado com a seguinte questão: «O Sporting tem sido beneficiado de alguns golos em fora de jogo, o FC Porto sempre que vai defrontar um adversário, esse adversário perde dois ou três jogadores na jornada anterior. É coincidência?». Resposta de Jorge Jesus: «Digo sempre o que penso, sou frontal e digo coisas que nem devia dizer. Não gosto de comentar o que não tem diretamente a ver com o Benfica. Mas como você (o jornalista) referenciou, tem a importância que tem. Se formos ajudados por terceiros, ou seja, se os nossos adversários perderem pontos, as coisas tornam-se mais fáceis, mas tem havido algumas situações que claramente têm favorecido os nossos concorrentes diretos, é verdade».

2. Esta pergunta, sem dúvida armadilhada por encomenda, teve uma resposta equilibrada e inteligente de Jorge Jesus. Em todas as palavras ditas não se encontra, onde quer que seja, quaisquer indícios de desculpas pelos resultados menos positivos que o Benfica conseguiu até agora. E, porque também temos direito a expressar a nossa opinião, diríamos que o treinador do Benfica até poderia ter ido mais além, dado que as arbitragens nos jogos com o Marítimo e com o Sporting configuraram erros graves que tiveram clara influência nos resultados finais. O facto da equipa encarnada não ter produzido, em qualquer dos encontros, exibições que se vissem é outra coisa completamente diferente e não explicam, por si só, a perda de pontos verificada. Podem insistir mil e uma vezes que a evocação de tal situação é apenas uma forma de chutar para canto e tentar justificar os desaires que esse facto não nos comove nem nos convence porque factos são factos. Sem tirar nem pôr. E não somos de fixações e muito menos obcecados…

3. Compreendemos que as conferências de imprensa de antecipação aos jogos são, salvo raras excepções, repetições sistemáticas de situações anteriores onde acabam por ser formuladas (e respondidas) questões já afloradas. E então se algum assunto está no topo da actualidade (como foi o de Cardozo) passa a ser um dos temas favoritos e obrigatórios dos plumitivos em todos os encontros. Daí que, para quebrar a monotonia sejam colocadas, para além de rasteiras, questões apimentadas bastas vezes fora de contexto que os entrevistados se esforçam por responder. Excepto naqueles casos em que são os próprios entrevistados a sugerir as perguntas e os entrevistadores aceitam submissos sem qualquer contestação…

4. Mas, a despeito de Jorge Jesus ter constatado uma evidência e, repetimos, apenas porque foi em resposta a uma questão colocada, essas declarações foram empoladas por todos os jornais desportivos e não só, com o intuito claro de provocar reacções no ambiente dos clubes visados e nos vários quadrantes onde, como se sabe a multidão de opinadores que muito fala e pouco diz, está sempre à espera de algo que valha a pena para debitar aleivosias em profusão. Alguns mesmo, revelam uma estranha obsessão com o treinador do Benfica que, faça o que fizer ou diga o que disser, nunca consegue satisfazer esses exigentes críticos. Ter boa imprensa é um facto iniludível a que Jesus jamais poderá aspirar. Provavelmente quando sair do Benfica…

5. Não enxergamos, na realidade, esta repetida insistência no apoucar em tudo o que se relacione com o Benfica. Ilusões não temos sobre lacunas existentes na organização encarnada. Não temos nem nunca tivémos, pretensões a ter estruturas de sonho em que nada falha e tudo é resolvido com prontidão. Mas se repararem, não somos nós que somos conhecidos lá fora como o clube da fruta, que compramos títulos no supermercado, que levamos árbitros a jantar nas marisqueiras de Matosinhos ou que, como agora ilustrou a investigação dos jornalistas do Canal France 2 (sim porque cá era impossível) somos acusados de falta de transparência nas transferências...

6. Tudo isso é que deveria ser investigado em profundidade a todos os níveis a começar pela maioria dos jornalistas que em vez disso, opta sempre pelo mais fácil. O jornalismo de investigação que tanta importância teve no passado está hoje quase totalmente morto, e os poucos que se aventuram esbarram em barreiras intransponíveis quando não mesmo ameaças e agressões de que a classe tem abundantes exemplos sem quaisquer consequências, porque na esmagadora maioria das vezes o ofendido ou agredido dá o dito por não dito e tudo fica impune como se nada tivesse acontecido. E como quem cala consente, é certo e sabido que voltará a acontecer, a menos que se portem bem. Sendo que esta expressão tem invariavelmente duplo significado: por um lado significa apoio e divulgação das teses da estrutura de sonho e, por outro, um constante ataque ao Benfica. Seja como for ou seja a quem for, isso pouco importa!








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