Ponto Vermelho
Domingo aziago
24 de Setembro de 2013
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Os jogos em Guimarães e na Amoreira prometiam mas nada fazia prever a hecatombe que se seguiu. Mas, para além dos resultados futebolísticos (com o Benfica a reduzir a desvantagem para os rivais), houve algumas situações ocorridas fora dos relvados que ilustram em boa parte o recorrente despautério em que vive mergulhado o futebol português. Delas falaremos em próxima oportunidade. O espectáculo de variedades começou no lançamento da partida de Guimarães com Jorge Jesus a ser confrontado com uma das habituais questões-tipo sobre benefícios/prejuízos da arbitragem muito ao jeito de alguns plumitivos cá do burgo, tendo sido citados os nomes do FC Porto e do Sporting.

Jorge Jesus poderia ter optado por não responder dado que se o fizesse e fosse assertivo, corria o risco das suas palavras serem deturpadas ou aproveitadas para lançar lama provocatória. Foi o que se viu com praticamente todos os órgãos de comunicação (e não só os desportivos) a concederem um amplo destaque com o intuito claro de lançar a confusão e provocar uma reacção dos rivais. Quem acompanha de alguma forma a situação, sabe perfeitamente que alguma imprensa e alguns jornalistas apreciam vivamente lançar os foguetes e ir apanhar as canas. Faz parte do seu código genético e da especulação sem a qual não sabem viver.

Sabendo-se como funcionam alguns dos meandros do nosso futebol, estava na cara que se as coisas não corressem bem aos nossos rivais, algo se poderia passar. E correu desde logo mal para o Sporting que não venceu e foi espoliado de um penalty claro pelo inefável Carlos Xistra uma personagem que tão bem conhecemos. Embora fosse uma perfeita incongruência tentar estabelecer uma relação causa-efeito, rapidamente Leonardo Jardim foi confrontado com a inevitável pergunta que estava engatilhada na mente dos plumitivos depois das declarações de Jorge Jesus. O treinador leonino não satisfez as suas pretensões limitando-se a falar de hipocrisia porque os três grandes são sempre beneficiados.

Perante esta resposta sensaborona, agulha mudada – , bofetada de luva branca a Jesus do tipo: está calado porque também és beneficiado. Mais uma manipulação ou se quisermos uma meia-verdade. É de facto uma realidade histórica que os três grandes tendem a ser beneficiados com os pequenos. Mas o cerne da questão não está aí. E entre os três grandes, será que os benefícios vs prejuízos são repartidos salomonicamente, ou há sempre um que é mais beneficiado para além de recolher o prejuízo dos outros? É uma evidência que está de antemão respondida. E por mais forte que possa ser o plantel do mais prejudicado, deparar-se-á sempre com dificuldades para vencer se os prejuízos forem estratégicos e cirúrgicos. Qual deverá então ser a postura: O silêncio? A diplomacia? Fingir que nada aconteceu? Reclamar mesmo correndo o risco de ser acusado de incendiar o ambiente e desculpas porque não ganhou e não está a justificar o investimento?

O Benfica entrou em cena a seguir e certamente terá gerado expectativa nos rivais face ao excelente momento do Vitória. Mas certamente quem iria ser objecto de maior escrutínio seria a equipa de arbitragem, porque caso beneficiasse os encarnados de pronto se ouviriam as virgens ofendidas lamuriando sem parar. Tal não aconteceu (antes pelo contrário) e isso retirou impacto às vozes de vários quadrantes que já se preparavam para fazer um intenso clamor público desse facto. E como um mal nunca vem só – o Benfica até ganhou!. Faltava contudo, a melhor parte: assistir ao vivo e a cores à metamorfose do jovem treinador Paulo Fonseca.

Com efeito, embora fosse expectável que os portistas encontrassem dificuldades na Amoreira, a vitória dos azuis e brancos parecia ser a hipótese mais provável. E depois da gentileza com que Babanco quis presentear o seu ex-colega Licá, mais ficou esse convencimento. E como não há duas sem três também ali houve erros flagrantes sobretudo no capítulo das grandes penalidades. Em Alvalade e em Guimarães houve-as mas não foram assinaladas, na Amoreira sucedeu exactamente o contrário. Mas apesar desse erro ter dado o empate ao Estoril, o que é facto é que o FC Porto desempatou a partida e não conseguiu segurar o resultado acabando por deixar-se empatar.

Foi depois o momento de Paulo Fonseca entrar em cena. Se comparado com a personalidade do ano anterior e até mesmo antes do desafio começar, diríamos que foi uma surpresa. Porque para além de precipitação e nervosismo demonstrou que estava a transmitir recados soprados pela estrutura de sonho, despersonalizando-se. Foi de facto uma noite para esquecer porque se tinha razão em ter dito que o árbitro tinha errado no lance do penalty, espalhou-se por completo ao entrar em mais considerandos sobre um lance rigorosamente idêntico ao do ano passado em que teve uma não reacção. E completou a sua desastrada intervenção imitando o seu antecessor Vítor Pereira após o jogo em Barcelos exactamente com a mesma terminologia. O que prova que é o plano A discursivo preparado pela estrutura quando não ganham. Há, de facto, situações que nunca mudam. Por mais anos que tenham…






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