Ponto Vermelho
Caldeiradas
26 de Setembro de 2013
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A imprensa em particular e a opinião pública em geral necessitam de constantes fait-divers para se entreterem. A vida está difícil e a necessidade de manter e de preferência aumentar as tiragens e as audiências, tem dado origem a que com tendência crescente observemos os órgãos de informação ditos generalistas, a dedicar especial ênfase à causa do desporto e em particular ao futebol e a todas as manobras de diversão com ele relacionados. É por isso que vemos cada vez mais pessoas que pouca ou nenhuma atenção dispensavam à causa do futebol a discuti-lo, em especial os aspectos laterais do mesmo. A força da imagem seja ela de que tipo for está a marcar território de forma acentuada, sobretudo a televisiva porque repetida até à exaustão.

O Benfica dada a sua importância em todo esse contexto revela-se um íman que atrai as atenções seja pela vertente positiva seja pela negativa. Sempre que a situação se situa num desses polos é dinheiro em caixa para a imprensa. Mas a conjugação de interesses poderosos que gravitam em torno da concentração de um poder deslocado que tem tido uma preponderância assinalável a todos os níveis nos vários centros de influência, fez com que fosse assumida a opção preponderante pela vertente negativa. Assim sendo, todo e qualquer aspecto ou situação que aconteça nos encarnados e que possa ser explorada de forma vincadamente desfavorável, é certo e sabido que vai ser um fartar vilanagem.

É importante é que esteja algo sempre live para entreter a populaça e desviar as atenções. Acabou o caso Cardozo? Bem então vamos pôr no ar o caso Jesus que, valha a verdade e o rigor, desde que chegou ao Benfica nunca deixou de ser um caso… Só que por mais que se esfalfem os enviados especiais dessa estratégia pífia, as constantes reprises que não param de acontecer fazem soar campainhas de alarme na mente de cada vez mais benfiquistas e não só, que de tanto ouvirem e de tanto presenciarem, acabam por já não se deixar levar por essas historietas mal amanhadas com todo o aspecto do velho conto do vigário.

A profusão de informação distorcida e contraditória publicada nos últimos dias não é inocente. Ela destina-se a baralhar os benfiquistas e a opinião pública. Mas os argumentos estão-se a esgotar porque a imaginação já começa a revelar carências, e o facto de terem acontecido factos bem mais graves no Estoril não foi, nem será esquecido. É certo que não existe a força da imagem e ocupantes VIP sentiram de repente uma tremenda necessidade de se ausentar, mas, seja como for, a situação aconteceu e por mais que se esforcem não conseguem extinguir a necessidade de se vir a saber com rigor o que aconteceu. Por mais que os X-Files da Torre das Antas trabalhem sem cessar.

Depois dos acontecimentos registados na final da Taça de Portugal em Andebol que envolveu o mesmo protagonista e que pelos vistos o sucesso da operação veio confirmar que a entourage das Antas continua a gozar de previlégios especiais. Como tal, reserva-se sempre no direito de a qualquer hora, em qualquer lugar e seja com quem for, fazer gala do conflito interior que tem com a educação e ir mais além até ser instigadora moral de agressões, como vários contestários incluindo jornalistas, têm sentido na pele ao longo dos tempos. Pelos vistos agora houve uma evolução com um dos representantes a assumir ele próprio as despesas.

Nesta nova fase já se percebeu a partir de Portimão que existe completa cobertura institucional do Querido Líder pois nem um ai nem um ui se ouviram depois do deprimente espectáculo algarvio. Logo, mais valia esperar sentado que houvesse reacção nesse sentido depois da Amoreira. Nada que possa surpreender tão velha prática, mas teria sido certamente bem mais significativo e prudente o silêncio, às queixinhas à UEFA para tentar manipular um facto que manifestamente existiu e não há volta a dar, a não ser manter convencidos alguns que continuam a acreditar em infalibilidades… O que o jovem benfiquista terá eventualmente feito de negativo no passado não apaga a desvergonha do presente.

Ao que foi noticiado a Comissão de Instrução e Inquéritos da Liga de Clubes irá abrir um inquérito aos acontecimentos. Estamos curiosos por saber as conclusões a que irá chegar e qual a matéria que será eventualmente apurada. E como estamos em Portugal e já assistimos a inúmeras situações em que as resoluções acabam por ser as mais díspares, não excluimos, como é óbvio nenhuma, até mesmo o arquivamento. Mas face à recorrência das Caldeiradas é mais do que altura de se colocar um travão definitivo para que estas situações não descambem e se tornem incontroláveis. Porque a paciência vai-se esgotando e porque a impunidade não fica nada bem a um Estado que se reclama de Direito…






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