Ponto Vermelho
Logros à portuguesa...
28 de Setembro de 2013
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Num país em que quase já nada surpreende tal a profusão de situações incríveis que desfilam com regularidade perante os nossos olhos outrora atónitos, continuam a suceder-se a um ritmo vertiginoso casos que seriam impensáveis de acontecer num país dito normal. E, se porventura viessem a suceder, os poderes constituídos e a opinião pública encarregar-se-iam de resolver de imediato a questão de forma a desincentivar e a dissuadir eventuais futuras situações. Por cá o laisser faire é a metodologia e prática correntes que, em vez de resolver, contribui para que os prevaricadores sintam e pressintam que nenhum mal virá ao mundo se voltarem a reincidir uma e outra vez.

Muito se fala sempre de arbitragens e dos erros das respectivas equipas. É um assunto recorrente de todas as épocas que por ser decisivo está naturalmente na ordem do dia. Os líricos e os seguidores de uma determinada linha onde prevalece o alarido e especulação constante apontam, paradoxalmente, como solução milagrosa para todos os males, a contenção e o silêncio de alguns dos protagonistas directos e, numa outra vertente, a profissionalização do sector. Ou seja, apregoam a paz e a concórdia às 3ªs, 5ªs e Sábados, mas fomentam de forma subreptícia a guerra em vários tabuleiros às 2ªs, 4ªs e 6ªs. Exercício da mais pura das hipocrisias destinado a camuflar os seus verdadeiros interesses.

Recentemente apontaram o dedo a Jorge Jesus por ter dado o mote para que a temperatura no sector da arbitragem subisse alguns graus, mas foram precisamente esses que deram o pontapé-de-saída sobre o tema questionando o treinador encarnado sobre a própria afirmação de um repórter. Enaltecem Leonardo Jardim mas ao mesmo tempo interrogam se em próximos episódios em que possa acontecer um eventual prejuízo leonino, o treinador sportinguista manterá a mesma postura de não comentar negativamente as consideráveis patacoadas dos senhores juízes de campo que continuam a influir decisivamente nos resultados finais dos jogos e por este andar em mais um campeonato. Não estará na altura de enveredarem pela atitude que recomendaram que Jorge Jesus tivesse tido em Guimarães?

Numa contabilidade simples e real, 4 são já os pontos que as equipas de arbitragem concederam ao actual campeão nacional. O que significa que os portistas não eram neste momento os líderes se houvesse verdade desportiva. Essa conversa para parolos de que todos devem estar calados sobre arbitragens só faria sentido se porventura os erros de falta de visão ou de desconcentração a que alguns desses intervenientes directos se devotam para justificar um mal que foi feito e que é irreversível fossem convincentes, o que não é manifestamente o caso. Ou então, é o douto Conselho de Arbitragem que tem falhado nos testes de visão aos seus árbitros e fiscais de linha, ou, ainda, ocorre uma crescente distracção que urge rapidamente corrigir.

Nunca é demais repetir; Não nos convencem com a maioria dos erros decisivos que têm e continuam a acontecer com índice crescente de preocupação, como são ilustrativas as primeiras 6 jornadas do campeonato que ainda nem sequer estão completadas. Não se trata de qualquer perseguição aos senhores do apito que reconhecemos têm uma tarefa assaz complexa e difícil, mas a forma visível e descarada como são praticadas acções lesivas de clubes e da verdade desportiva. Não se trata de qualquer paranóia mas de factos tão evidentes que custa a entender como foram julgados e sancionados de forma contrária à realidade do que aconteceu, nalguns casos de forma perfeitamente arbitrária.

Não estamos a discutir a tendência dos chamados grandes serem por sistema favorecidos em relação aos ditos pequenos. Isso afigura-se-nos evidente. Mas mesmo isso acaba por ter influência directa e interfere na classificação entre os primeiros. Foi por isso que ontem o FC Porto amealhou 3 pontos e o V. Guimarães nenhum, e continua líder de uma prova que independentemente do que venha a acontecer doravante, está conspurcada desde o princípio. Mais uma vez ainda que sem qualquer tipo de surpresa pois é mais uma confirmação a juntar a tantas outras.

Curiosa a forma como o diário A Bola titula para ilustrar a ocorrência: «Também tu Pedro?». Quem chegasse de alguma galáxia distante concluiria que o “melhor árbitro da extratosfera”, ao contrário dos seus pares, teria cometido pela primeira vez um erro do da dimensão registada no Dragão. Quantas vezes ele já o fez? Quantas vezes já decidiu jogos assim? Quantos campeonatos já moram no Dragão* com a chancela de Pedro, o Maior? É tudo pura coincidência beneficiar recorrentemente o mesmo de sempre? Será que irá ter direito a mais uma festa de homenagem no final da época?

*Estamos em pulgas para apreciar a beleza dos troféus conquistados pelo FC Porto no período que medeia entre 1893 e 1906. Consta que vão estar expostos numa secção especial a abrir brevemente…






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