Ponto Vermelho
A realidade dos sonhos
1 de Outubro de 2013
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1. As extraordinárias vitórias do nosso ex-ciclista Rui Costa e do tenista João Sousa parecem não ter impressionado os maldizentes do costume, entregues que estão às dissertações medíocres sobre as condicionantes do futebol que, teve enfim, um descanso domingueiro, para dar lugar a outro campeonato em que o líder em desagregação acabou por sofrer a humilhação de ser goleado. O discurso negativista é sempre o mesmo e deles não poderemos esperar senão evolução na continuidade.

2. Provando que seu anti-benfiquismo é uma coisa imutável e preocupante, para além dos habitués, alguns anquilosados sportinguistas ainda com mentalidade do passado, entretêm-se a destilar o ódio que veio para ficar e a azia que ainda não foi kompensada. Nem a recuperação do clube nem a meritória campanha da sua equipa de futebol parece desviá-los da obsessão que constitui o simples facto do seu vizinho existir. Há de facto pessoas cujo fanatismo lhes tolda o espírito, o raciocínio e os impede de desviar os olhos e o pensamento do outro lado da 2.ª circular, provando que a mediocridade fará sempre parte do seu quotidiano. É a velha mentalidade roquetiana que na sua estratégia pífia nunca concebeu que os dois maiores clubes possam viver sem ser de costas voltadas. Viu-se o sucesso que Alvalade conseguiu com isso…

3. Para este grupo, muito mais numeroso do que muitos possam imaginar, deve estar a fazer certamente muita confusão o facto dos dois clubes não estarem neste momento de relações cortadas, e que o actual presidente tenha anunciado que pretende uma via independente sem alianças. Para eles, que cultivam a teoria de que são onze contra onze e o FêCêPê ganha no fim esquecendo o como, deve ser extremamente doloroso que as coisas não estejam como estiveram desde o início do século; prestação de vassalagem a Norte e a atirar bombinhas de fumo para o quintal do vizinho…

4. De facto, com sportinguistas assim, o Sporting nem sequer precisa de ter inimigos pois até a entrada em velocidade de cruzeiro que se regista no clube parece estar a incomodá-los pois continuam críticos acérrimos. De tudo o que mexe, o que indicia fortes frustrações pessoais de pessoas que se sentem incomodadas com os progressos do seu próprio clube, apenas e só porque não estão no poder. Vale ao clube que alguns dos mais proeminentes habitantes dos corredores de Alvalade têm tido o discernimento de se manter afastados das luzes da ribalta. Mas atenção: estão apenas dormentes e se porventura alguma coisa começar a correr menos bem, de imediato todos irão ouvir falar deles…

5. Enquanto isso, vão-se entretendo a desancar no vizinho que, diga-se de passagem, tem dado de bandeja alguns motivos para que isso aconteça. Um dos aspectos que temos repetidamente referido – o da comunicação – continua a ser deficiente, e quando assim é, mais o Benfica se transforma em palco privilegiado de críticas e especulações alheias, que para além do que já protagonizam, encaram todas essas benesses como uma dádiva para o seu campo favorito – o do embuste e da manipulação.

6. Sendo um campo não controlável, há pois que evitar que ele se reforce com combustível altamente inflamável e ainda por cima de borla. E, numa análise fria e racional, temos que admitir que várias oportunidades têm sido dadas para que isso não só viesse a acontecer, como se propagasse através de atitudes e de palavras nem sempre felizes e adequadas às circunstâncias do momento. Sabendo-se o que a casa gasta, não há razões objectivas para que isso aconteça dando tiros nos próprios pés. Pelo menos na forma e no tempo.

7. Sabe toda a estrutura do Benfica que quaisquer palavras, quaisquer expressões ou quaisquer atitudes podem vir a ganhar rapidamente dimensões nacionais. Assim sendo, ainda que com eventual redução do carácter genuíno e espontâneo, alguns dos intervenientes mais frequentes deveriam ter em consideração antes de se pronunciarem, que amiúde aquilo que é retratado não é exactamente aquilo que pretenderam significar, mas tão somente o que lhe convinha que eles dissessem. E mesmo que a comunicação seja clara e objectiva, a manipulação no contexto é de molde a conseguir os objectivos pretendidos.

8. É impossível suster toda a avalanche especulativa a que até não escapa o silêncio, mas alguma coisa pode e deve ser feita para melhorar esse aspecto, particularmente dos mais vulneráveis às subtilezas da língua de Camões. A título de exemplo, observem-se as declarações de LF Vieira sobre a final da Champions na Luz e aquilo que ele pretendeu realmente significar. Aparte as dificuldades e a enorme e complexa tarefa, será que alguém poderá impedir algum benfiquista de sonhar com isso? Mas compare-se com o que tem sido dito e escrito e avalie-se a natureza e a dimensão da manipulação. Recorde-se a frase épica do “deixem-me sonhar” do saudoso José Torres; Também aí quando todo o Portugal descria, a Selecção venceu a poderosa Alemanha e apurou-se para o Mundial do México. Será que agora também o sonho já não é livre?




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