Ponto Vermelho
Persistência...
2 de Outubro de 2013
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Nenhuma dúvida existe quanto às exibições muito pouco conseguidas pela equipa de futebol do Benfica. Isso mesmo já foi reconhecido pela estrutura publicamente, com a prudência que é necessária nestas circunstâncias para que não se torne contraproducente. Desconhecemos como é óbvio as conversas internas havidas mas certamente já terá sido feita a respectiva avaliação no balneário. Nesse particular parece haver algum unanimismo na forma como a equipa (não) tem respondido a grande parte dos desafios que nesta época e até hoje se lhe colocaram.

Muitas explicações já foram avançadas, sendo a mais comum a de que não houve recuperação psicológica dos traumas registados no final da época passada. Parece haver alguma evidência que esse factor terá tido o seu peso, restando apurar com exactidão a que se deve o facto da equipa ainda não ter engrenado e produzido exibições que estão ao seu alcance, se atendermos ao leque de jogadores de categoria que compõem o plantel. É esse o grande ponto de interrogação cuja resposta, melhor do que ninguém, terá que ser a estrutura e a equipa a responder rapidamente, de preferência já hoje em que enfrenta um adversário de categoria amplamente reconhecida.

As opiniões começam a divergir de forma profunda quando os críticos continuam a insistir na mesma tecla de sempre de que se deve única e exclusivamente à equipa a situação que se vive no presente momento. Sem termos procuração e ainda que à distância, discordamos dessa avaliação simplista. São reconhecidos os erros cometidos no defeso alguns dos quais têm sido supravalorizados e que ainda ecoam; o impasse da renovação de Jorge Jesus que alguns mesmo do próprio universo encarnado apontavam como estando já fora do prazo de validade, o prolongamento do affaire Cardozo, a demora na eliminação da lacuna do lateral esquerdo, a definição final do plantel, etc, etc.

Acresce que a incerteza quanto às saídas também terá provocado uma natural expectativa e ansiedade nos jogadores que eram palco regular de notícias e isso, conjuntamente com todos os outros factores, terão tido um peso deveras importante ainda que do nosso ponto de vista não decisivo, nas deficientes prestações que a equipa vem registando. Vamos então considerar que tudo isso contribuiu, sem que isso possa justificar o rótulo de culpa exclusiva que muitos lhe colaram, porque é indiscutível que os factores externos também têm que ser considerados para compreendermos melhor esta equação.

Desde logo começamos pela resistência e pelas dificuldades que os vários adversários lhe opuseram cumprindo o papel esperado e que não serve de factor desculpabilizador por ser óbvio. Nem sequer vamos evocar agora o calendário francamente difícil até à 5.ª jornada com 3 saídas com um quoficiente alto de dificuldade; à Madeira, a Alvalade e a Guimarães. Era expectável que os adversários criassem muitos obstáculos, e era esperado que o Benfica na sua condição de candidato ao título, soubesse torneá-los para ter êxito. Como sabemos, à excepção do último, os outros saldaram-se por fracassos ou semi-falhanços.

Agora vamos olhar para as exibições dos encarnados e para todas as incidências registadas nesses jogos (que as condicionaram obviamente) em que observamos que em nenhum deles houve uma que enchesse o olho. Vamos pois considerar para esta análise tudo o que aconteceu e exactamente da forma como aconteceu, com excepção das arbitragens nesses três jogos, a que agora há que adicionar o da última jornada. E aí, a terem acontecido como deveriam e como seria lícito exigir, teríamos uma situação completamente distinta no que aos resultados finais diz respeito. E a ser assim, as análises seriam diferentes e bem mais simpáticas, mais resultadistas e menos focadas nas prestações da equipa. Como aliás se viu em Guimarães em que apesar da vitória, a arbitragem foi na mesma linha das anteriores.

De facto, desde a 1.ª jornada que o Benfica tem sido vítima de arbitragens descaradamente incompetentes (para só lhe chamarmos isso) que para além da perda directa de pontos têm tido profunda influência na componente psicológica da equipa, justamente o ponto em que ela mais precisava de recuperar de tudo o que aconteceu no final da pretérita temporada. Nada acontece por acaso e isso também não, dado que o Sistema não dorme e não brinca em serviço. E nem os discursos angélicos de Leonardo Jardim (ainda que propositadamente mal interpretados), poderão justificar todo esse despautério e todas essas vergonhas recorrentes. Que continuam a acontecer como se fossem a coisa mais natural deste mundo perante a mudez dos responsáveis.

Se este factor decisivo não se tivesse repetido, estaríamos provavelmente perante uma situação totalmente oposta. Porque os prejuízos sofridos directamente pelo Benfica redundaram em benefício do FC Porto, e os benefícios próprios deste constituíram prejuízos para os encarnados. Isso, mau grado as más prestações em que ambas as equipas se igualam, justifica a diferença pontual neste momento registada e, pior do que isso, a acção directa que isso produz nas exibições, na recuperação anímica da equipa e na convicção dos seus adeptos. Tudo o resto são aspectos que não deixando de ter a sua importância e influência, são absolutamente laterais e não justificam de nenhum modo a exclusividade da culpa. Sem embargo para os erros e situações internas que urge corrigir.




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