Ponto Vermelho
Desilusão
3 de Outubro de 2013
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Se até momentos antes da realização dos fatídicos minutos finais da penúltima jornada do campeonato da última época e da final da Liga Europa fosse perguntado ao universo benfiquista se a Direcção da SAD deveria avançar para a renovação do contrato com o treinador Jorge Jesus era bem provável que houvesse uma ampla maioria a manifestar anuência nesse sentido. Contudo, como se sabe, LFVieira decidiu reflectir por mais algum tempo certamente na convicção de que o final de época seria épico e acabou por deixar passar o timing mais adequado. Porque o adiamento da decisão acabou por dar lugar ao turbilhão de desilusões que se seguiram. E quando assim é, sabe-se por natureza o efeito-ricochete que isso causa nas hostes.

Na altura, do lado de fora, baseados na apreciação a todo o consulado de Jorge Jesus e não apenas naquilo que tinha sucedido na temporada (em boa verdade só o jogo da final da Taça de Portugal foi deprimente) dissémos que por terem todos os detalhes, competia à estrutura e ao treinador avaliarem se existiam ou não condições para que ele prosseguisse o seu trabalho. Se se sentia em condições de continuar, se a estrutura o considerava e tinha condições objectivas e estava preparada para lhe prestar todo o apoio, em particular para enfrentar eventuais focos de contestação que não deixariam de se fazer sentir caso algo não corresse de harmonia com aquilo que tinha sido projectado. Em antecipação, era manifesto que os adeptos e simpatizantes iriam ter reacções díspares perante eventuais cenários de insucesso mal eles se começassem a desenhar.

Ainda assim e com excepção da recorrente franja radical que tudo contesta, foi visível e notório que a grande maioria do universo benfiquista soube manter um espírito expectante, compreensivo e tolerante desde que os modestos amadores do Étoile Carouge conseguiram logo no primeiro jogo de preparação acabar com a inviolabilidade da baliza de Artur. Um facto que se perceberia depois, não tinha acontecido por acaso. Sucederam-se os jogos e as exibições pardacentas para as quais iam sendo avançadas explicações de auto-convencimento, como seja a chegada tardia dos elementos das Selecções, a integração de novos jogadores, o caso Cardozo, a perspectiva de transferência de alguns dos atletas, etc, etc. Ainda que com a impaciência a latejar nos nossos espíritos, esperou-se para ver.

E o que se viu e continuou a ver não conseguiu desfazer as dúvidas e as preocupações. Pelo contrário, a cada jogo que a equipa fazia mais aumentava a apreensão, situação fortemente ampliada pelo facto do Benfica ter sido espoliado pelas arbitragens desde o princípio. Não fosse esse factor decisivo e os encarnados mesmo jogando a níveis preocupantes estariam neste momento na frente do campeonato. Mesmo sem impressionar ninguém e sem corresponder aquilo que os adeptos esperariam do desempenho da equipa, uma situação deveras surpreendente se atendermos à manutenção da estrutura e à continuação de praticamente todos os elementos que compunham o plantel na pretérita temporada.

Numa visão simplista temos que considerar que em nenhum jogo do presente a equipa se aproximou dos níveis registados no passado recente. E isso, sendo inexplicável para quem observa os factos à distância, poderá não sê-lo para quem vive a situação por dentro e isso leva à inevitável pergunta; Porquê este arrastamento de uma situação que é latente e tem conduzido a equipa para patamares exibicionais e de resultados impensáveis, se atendermos às performances ainda recentemente atingidas e à quantidade e qualidade dos elementos que constituem o plantel? Como é normal nestas situações, muitas especulações andam no ar e muitas explicações são avançadas para justificar o que aparenta não ter justificação plausível. Mas depois de todo este tempo decorrido sem que se vislumbre evolução positiva, é natural que os adeptos e a opinião pública se interroguem sobre o que está a acontecer no reino da águia.

Ainda ontem teremos porventura assistido a uma das piores prestações de que temos memória na Europa. Que, quer queiramos quer não, para além de ter desiludido a forte falange de emigrantes, defraudou as nossas expectativas que merecíamos mais e melhor. Não encontramos justificação para tão paupérrima exibição em que o Benfica falhou redondamente em todos os campos desde o técnico-táctico, passando pela ausência de crença, de atitude, de força mental e de raça. Não olvidamos que o PSG tem de facto belíssimos jogadores, mas não percebemos como é possível que a equipa encarnada contrariando a sua história, tenha interiorizado a ideia de que não havia nada a fazer perante o poderio gaulês. Quantos jogos no passado o Benfica teve que disputar contra equipas de alto gabarito e que eram amplamente favoritas? E em quantos os encarnados conseguiram contrariar essas previsões provando que afinal era possível como por exemplo quando venceram as duas TC? Por vezes ficamos com dúvidas se o timoneiro consegue enxergar que o Benfica não é propriamente o Amora ou o Felgueiras. É que por vezes ficamos com essa sensação…








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