Ponto Vermelho
Alvoroço
4 de Outubro de 2013
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Muito mais do que o resultado, a nada conseguida exibição do Benfica em Paris foi a gota de água que faltava para que se agitassem freneticamente as bandeiras da agitação em redor e no interior do universo encarnado. Temos que convir que foi demasiado e existem responsabilidades próprias que não podem nem devem ser escamoteadas, pois a grande maioria dos adeptos e da opinião pública não consegue entender a exibição confrangedora, a juntar às que se têm vindo a suceder desde que se iniciou a presente temporada.

Como seria inevitável, são chamadas à colação em contraponto as prestações da última época e isso faz aumentar ainda mais a incredulidade e a incompreensão. E como o futebol é como se sabe um desporto de massas e de paixões tantas vezes exacerbadas, a tendência é para que haja propensão para que as atitudes se radicalizem conferindo irracionalidade àquilo que deveria ser de análise e de ponderação perante todos os cenários que se aprestam para desfilar. Sejam eles quais forem.

Muitos se apressarão agora a referir que tudo o que está a acontecer (real ou ficcionado), não é mais do que uma situação que tinham previsto e se afigurava previsível no curto/médio prazo. Existe alguma lógica nessa assumpção porquanto para fazer face a toda a carga negativa com que a época se iniciaria, haveria que ter existido uma reacção e uma atitude firmes de desmentido a todos esses cenários catastrofistas. Dito de outro modo, competeria a toda a estrutura do futebol contrariar a injustiça dessa previsibilidade, e para isso a equipa teria que ter correspondido em pleno e se possível ter-se transcendido para afastar essas nuvens negras do horizonte.

Sabemos que infelizmente assim não aconteceu e, pior do que isso, temos observado que a Lei de Murphy tem vindo a ser recorrentemente aplicada. Às apagadas exibições e à falta de galvanização da equipa têm sucedido, e lá vamos ter que falar no assunto mais uma vez, deploráveis exibições dos homens do apito que parecem apostados em explorar o estado de maior debilidade da equipa. Têm prejudicado descaradamente o Benfica e têm sido grandemente generosos com o principal emblema nosso concorrente. Na linha do que tem repetidamente sucedido e dando seguimento à política vergonhosa que tem grassado no futebol português.

É claro que para de alguma forma contrariar esse estado de coisas, seria fundamental que a equipa estivesse a dar outro tipo de resposta. Até para não desvirtuar o peso das queixas legítimas e mais do que justificadas que têm vindo a ser avançadas pela estrutura encarnada, obviamente desvalorizadas e branqueadas por todos aqueles que querem à viva força justificar tudo o que de negativo tem acontecido com erros e insuficiências da nau benfiquista. Se se compreende que isso possa ser uma lógica argumentativa dos nossos adversários sejam eles quais forem, é inadmissível que outros personagens com responsabilidades de isenção e que deveriam pautar a sua actuação por uma prudente equidistância, acabem por se juntar àqueles sem qualquer despudor.

O actual estado de circunstâncias é propício e dá origem a todo o tipo de invencionices e de especulação gratuita, e a assimilação acaba por ser feita sem grande esforço. É de facto muito mais fácil assim fazer passar grande parte das mensagens relacionadas porque o sub-consciente da opinião pública e dos adeptos está prediposto para as receber. Não têm sido por acaso que nos últimos dias têm proliferado as mais diversas e bem imaginadas explicações que a conceder-lhes algum crédito, explicariam e justificariam detalhadamente a actual situação do Benfica.

Uma questão que tem sido aflorada, tem sido o facto dos benfiquistas estarem convencidos de que têm uma das melhores equipas da Europa. Percebemos que alguns gostem de usar o superlativo para tentarem levar a àgua ao seu moinho. Sempre esta tendência para os melhores e piores… como se isso fosse um ponto importante de discussão neste momento perante a actual conjuntura negativa e na relação do futebol português com a Europa. Parece realmente estar aqui a residir um sério equívoco e essa discussão, a ter lugar, levar-nos-ia a outros considerandos.

Que nos tenhamos apercebido essa é uma das questões sem sentido, pois no pulsar dos benfiquistas nunca sentimos que essa ideia fosse marcante para ser discutida por parecer evidente que as atenções sempre estiveram focadas noutro tipo de situações, essas sim bem mais importantes. Todavia, mesmo enfrentando as enormes dificuldades porque todos passamos, não temos a menor dúvida que temos potencial para fazer uma carreira meritória na Europa sejam quais forem as circunstâncias, como aliás, provámos a temporada passada. Agora se o desempenho da equipa se mantiver nos níveis do presente, ah é evidente que não. Nem externa nem sequer internamente ainda que aqui fie mais fino...




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