Ponto Vermelho
Hora de ponderação
5 de Outubro de 2013
Partilhar no Facebook

Estando o Benfica sempre no epicentro dos acontecimentos, é vital que os orgãos dirigentes saibam com ponderação e em cada momento evitar e antecipar situações que possam causar fricções que o possam vir a prejudicar. Um clube com a dimensão que os encarnados têm e em que o principal pilar é o futebol como barómetro de toda a actividade do clube ainda que tenha a geri-lo uma empresa sob a forma de SAD, é muito diferente de uma empresa tradicional. Desde logo porque ao contrário das sociedades normais é escrutinado diariamente na praça pública e qualquer facto ou acontecimento atingem num ápice uma enorme dimensão.

Como é sabido, as receitas de gestão aplicáveis na generalidade das empresas não se compadecem com a complexidade das sociedades-futebolísticas. Porque as regras funcionam de forma mais complexa e pressionante devido ao mediatismo que existe, e porque devido a isso, no universo dos dirigentes pode vir a haver candidatos a reclamarem o protagonismo e a porem-se em bicos dos pés, desarticulando a harmonia do conjunto que se pretende coeso, disciplinado, onde cada um de per si deveria cingir-se ao papel para que foi designado pela estrutura. Luís Filipe Vieira sabe disso na perfeição pois é uma pessoa que tem vasta experiência nesse domínio.

Foi essa experiência e obviamente o cunho e méritos pessoais que estiveram na base da recuperação do edifício Benfica e no desenvolvimento das várias componentes associadas ao projecto. A isso não tem sido alheia a dinamização que Vieira imprimiu e, sem dúvida, a competência, a dedicação e o empenho das pessoas que ao nível das diferentes áreas têm sabido em cada momento no terreno, executar as directrizes previamente traçadas juntando o seu cunho pessoal e práticas substantivas.

Apesar de nesse particular o Benfica estar a inovar constantemente e ter registado progresso e atingido resultados gratificantes a nível das várias áreas, as críticas não cessaram principalmente as que recaiem sobre os seus principais executores pela simples razão de alegadamente terem outra preferência clubística. Essas manifestações críticas acentuam-se como é da praxe sempre que algo não corre bem, e tendem a silenciar-se sempre que a situação atinge a velocidade de cruzeiro. São opções, e aos adeptos e accionistas compete escrutinar a actividade e fundamentalmente os resultados obtidos.

Contudo, a despeito do Benfica ter assumido a liderança em várias áreas fruto do bom trabalho realizado, há uma realidade que não pode ser ocultada e muito menos disfarçada; é que tudo poderá estar bem encaminhado nos vários sectores mas se no futebol não o estiver, é certo e sabido que o ambiente tende a ficar tenso, os adeptos nervosos e os adversários e a imprensa obviamente rejubilantes. Uns porque o mal dos outros os satisfaz e entusiasma, e os outros porque isso significa horas e horas de (tele)novelas com argumentos à la carte o que redunda em mais vendas e mais audiências. Como se está a observar neste momento.

A degradação e a chegada à porta do inferno fez com que o Benfica perdesse definitivamente o comboio. E ainda que tenha vindo a recuperar lentamente da letargia em que mergulhou, deparou com poderosos poderes já cristalizados que explicam em certa medida o insucesso que o futebol tem registado. E quando assim é, a tendência é para que existam mais erros do que aqueles que em circunstâncias normais seriam cometidos e com isso impedir uma mais rápida recuperação. É que apesar dos progressos que sem dúvida foram feitos na redução das assimetrias, a realidade é que o Benfica poderá ter êxitos esporádicos mas ainda está algo longe de poder aspirar à hegemonia no futebol como anseiam e merecem os milhões dos seus adeptos e simpatizantes.

Alguns erros estratégicos têm sido cometidos que têm dado vantagens aos adversários e pano para mangas a uma imprensa sempre ávida, que distorcendo muitas vezes os factos e as situações acaba por impedir que as mensagens cheguem incólumes aos destinatários, porque do nosso ponto de vista a comunicação dos mais mediáticos elementos do clube nem sempre é oportuna e muito menos eficaz. E hoje em dia esse factor ganha particular relevância devido à rápida propagação das notícias por todo o globo.

Enquanto estes factores decisivos não forem ultrapassados, existirá sempre propensão para a turbulência porque os nossos adversários e inimigos sabem que isso são pontos a seu favor. E porque o Clube depende em grande medida do futebol cujo sucesso acaba por ser sempre determinante, a má carreira da equipa e a agitação consequente que por aí anda, indicia tempos conturbados a que é preciso responder com cabeça fria e ponderação quer dos órgãos dirigentes quer dos adeptos, na convicção de que não é com a política da terra queimada que se chega a algum lado. Sobretudo quando estamos em início da época e está ainda tudo em aberto. Mas é inegável que o Presidente terá que saber extrair as ilacções das decisões que assumiu que se estão a reflectir no presente e a serem postas em causa. Urge atalhar caminho com ponderação mas com firmeza!




Bookmark and Share